Principais pontos
- Uma ação de crescimento é o papel de uma empresa cuja receita (vendas) e crescimento de lucros (alta do lucro ao longo do tempo) têm expectativa de avançar mais do que a média do mercado por vários anos — em geral, com aumento anual de receita de 15%–30% ou mais.
- Ações de crescimento costumam ter múltiplos mais altos de preço/lucro (P/L) — muitas vezes 25–40× ou mais — porque o investidor paga pela expansão futura (crescimento esperado) e não pelo lucro de hoje.
- Ações de crescimento normalmente não pagam dividendos (parcela do lucro distribuída ao acionista); em vez disso, a maioria das empresas de crescimento reinveste o dinheiro em P&D (pesquisa e desenvolvimento), contratações e expansão para novos mercados, buscando valorização do capital (ganho com a alta do preço da ação).
- No 1º tri de 2026, exemplos em destaque de ações de crescimento incluem NVIDIA (receita do tri +69% na comparação anual, para US$ 81,6 bilhões), Eli Lilly (receita do tri +56%, para US$ 19,8 bilhões) e Shopify (receita do tri +34% na comparação anual).
- Ações de crescimento têm mais risco do que ações de valor — reagem mais a mudanças de juros, resultados abaixo do esperado e viradas de humor do mercado (maior ou menor apetite ao risco) — por isso, diversificação e tamanho de posição são essenciais.
- Muitos investidores combinam ações de crescimento e ações de valor na carteira para equilibrar potencial de retorno e resistência em diferentes cenários de mercado.
O que é uma ação de crescimento? A definição
Uma ação de crescimento é o papel de uma empresa cujos lucros e receita (vendas) têm expectativa de crescer bem mais rápido do que o mercado por um período prolongado. Em geral, são empresas que, de forma consistente, aumentam a receita mais de 15% ao ano.
O que diferencia uma ação de crescimento não é apenas o preço subindo, mas a empresa mostrar capacidade real de crescer mais do que o setor e o mercado. Isso aparece em ganho de participação de mercado (fatia maior nas vendas do setor), aceleração das vendas, aumento de lucros e reinvestimento do dinheiro no negócio, em vez de distribuir aos acionistas.
Por que empresas de crescimento não pagam dividendos
Ações de crescimento normalmente reinvestem o caixa para ampliar a operação. A maioria das empresas de crescimento direciona recursos para P&D (pesquisa para criar ou melhorar produtos), lançamentos, contratação de equipes e expansão para outros países e regiões. Por isso, em geral não pagam dividendos: o dinheiro que poderia ir ao acionista é usado para acelerar a expansão futura. O retorno vem da valorização do capital (alta do preço da ação), e não de renda periódica.
Isso difere das ações de valor, que costumam pagar dividendos com mais frequência e negociar a múltiplos menores de preço/lucro (P/L).

O que é crescimento em ações? Como ver isso nos números
Para uma ação ser, de fato, uma ação de crescimento, os números precisam confirmar. Nem toda ação que sobe de preço entra nessa categoria.
Métricas que ajudam a identificar ações de crescimento
| Métrica | O que indica | Referência para ações de crescimento |
|---|---|---|
| Crescimento da receita (ano contra ano) | Velocidade de expansão das vendas | 15%–30%+ ao ano, por vários anos |
| Crescimento do lucro por ação (LPA) | Se o aumento de vendas vira lucro por ação | LPA acelerando por vários trimestres |
| P/L | Quanto o investidor paga pelo lucro atual | Em geral 25–40× ou mais |
| PEG | P/L ajustado pelo crescimento do lucro (relaciona preço e crescimento) | Perto de 1,0 sugere preço mais “justo” para quem cresce rápido |
| Preço/vendas (P/S) | Útil quando o lucro atual ainda é baixo | Acima da média do setor |
| Tendência do fluxo de caixa livre | Se o crescimento gera caixa de verdade (dinheiro que sobra após investimentos) | Positivo e em alta nas empresas mais maduras |
Um P/L alto pode fazer sentido numa ação de crescimento — desde que o crescimento esperado do lucro justifique o preço. É por isso que existe o PEG: ele compara valuation (preço) com crescimento. Assim, uma ação a 30× lucro com 30% de crescimento pode estar mais “barata” do que uma ação de valor a 15× com só 5% de crescimento, quando se leva o crescimento em conta.
Ações de crescimento vs ações de valor: qual a diferença?
O debate valor vs crescimento é um dos mais antigos do mercado — e útil para montar uma carteira mais resistente.
O investimento em crescimento precifica a empresa pela expansão futura: o investidor aceita pagar mais por negócios que devem aumentar vendas e lucros acima do mercado por anos. Já o investimento em valor busca empresas que o mercado estaria precificando abaixo do que os números de hoje sugerem, olhando lucro atual, valor contábil (patrimônio) e fluxo de caixa (entrada e saída de dinheiro).
Crescimento vs valor: comparação direta
| Fator | Ações de crescimento | Ações de valor |
|---|---|---|
| P/L | Alto (25×+) | Baixo (muitas vezes abaixo da média do mercado) |
| Crescimento da receita | Rápido (15%–30%+) | Mais lento e estável |
| Dividendos | Baixos ou inexistentes | Com frequência dividendos maiores |
| Fase do negócio | Em expansão e inovando | Mais maduro e consolidado |
| Volatilidade | Maior (preço varia mais) | Menor |
| Setores comuns | Tecnologia, saúde, IA | Elétricas/saneamento, bancos, energia |
Ações de valor aparecem mais em setores com fluxo de caixa previsível, como utilidades públicas, energia, bancos e consumo básico. Ações de crescimento são mais comuns em tecnologia, saúde, computação em nuvem e infraestrutura de inteligência artificial (uso de software e chips para automatizar tarefas e aprender com dados), além de fintech.
A fronteira entre os estilos pode mudar. Uma ação de crescimento que desacelera, passa a pagar dividendos e fica mais barata em múltiplos pode virar uma ação de valor. Índices como Russell 1000 Growth e Russell 1000 Value e recortes de crescimento dentro do S&P 500 ajudam a acompanhar essa divisão.
Exemplos reais de ações de crescimento em 2026
Para entender o que são ações de crescimento, vale olhar números recentes.
Setor de tecnologia
NVIDIA segue como referência no ciclo atual de IA. No 1º tri do ano fiscal de 2027 (trimestre encerrado em abril de 2026), a empresa informou receita de US$ 81,62 bilhões, acima da estimativa de analistas de US$ 78,86 bilhões, com lucro triplicando em base anual, puxado pela demanda por hardware (chips e servidores) para treinar e rodar modelos de IA. No ano fiscal de 2026, a receita avançou 68%, para recorde de US$ 193,7 bilhões, com mudanças importantes em computação acelerada (uso de chips especializados, como GPUs, para tarefas pesadas) e IA. Com negociação perto de 30,5× o lucro estimado de 2026, a NVIDIA mostra como um P/L “caro” pode refletir crescimento forte e recorrente.
A Shopify também se destaca. A empresa registrou alta de 34% na receita e margem de 15% de fluxo de caixa livre no 1º tri de 2026, com os lojistas movimentando mais de US$ 100 bilhões em GMV (volume bruto de mercadorias, ou seja, o total vendido nas lojas da plataforma) no trimestre.
Setor de saúde
Eli Lilly virou um dos principais nomes de crescimento em saúde, impulsionada por medicamentos GLP-1 (remédios que ajudam a controlar açúcar no sangue e podem reduzir peso) para obesidade e diabetes. A receita no 1º tri de 2026 subiu 56%, para US$ 19,8 bilhões, puxada pelo aumento de volume de Mounjaro e Zepbound; o LPA (lucro por ação) do trimestre avançou 170%, para US$ 8,26. A empresa elevou a projeção de receita de 2026 para US$ 82–85 bilhões, e o ponto médio sugere cerca de 28% de crescimento no ano.
Os exemplos mostram que ações de crescimento não ficam presas a um só setor: cada empresa depende do seu motor de crescimento.
Setores onde ações de crescimento se concentram
Ações de crescimento costumam aparecer em setores com tendências fortes de vários anos, não apenas movimentos de curto prazo. Em 2026, áreas comuns para investidores de crescimento incluem:
- Inteligência artificial e semicondutores — NVIDIA, Broadcom, Taiwan Semiconductor
- Computação em nuvem e SaaS — Datadog, Cloudflare, Snowflake (SaaS é software vendido por assinatura, via internet)
- Saúde e biotecnologia — Eli Lilly, Novo Nordisk e empresas menores focadas em oncologia
- E-commerce e pagamentos digitais — Shopify, Adyen, Block (antiga Square)
- Energia verde e infraestrutura — empresas que podem se beneficiar do ciclo de investimentos (capex) da transição energética (capex é gasto com máquinas, projetos e expansão)
- Small caps (empresas menores em valor de mercado) com modelo escalável e ganho de participação de mercado
Por que investir em ações de crescimento? O foco na valorização
Investir em crescimento busca o efeito de “juros sobre juros” em empresas cujo lucro cresce bem mais do que a economia. A empresa reinveste, gera mais receita e repete o ciclo por anos. Por isso, o foco é potencial de crescimento, não apenas a alta do curto prazo. Investidores de longo prazo que aguentam a volatilidade podem superar a média de índices amplos, especialmente em ondas de mudança estrutural, como a IA.
Para quem tem horizonte de 5–10 anos e maior tolerância a risco (capacidade de suportar quedas), ações de crescimento podem dar exposição a empresas que podem liderar a próxima década. Carteiras de valor podem ter menos desses setores e perder parte desse crescimento.
Ganho de capital (lucro com a valorização) costuma ter tributação diferente de renda e dividendos em vários países — mas as regras variam, então vale checar a legislação local antes de decidir com base em imposto.
Principais riscos do investimento em crescimento
O potencial de retorno é alto, mas os riscos também. Alguns pontos merecem atenção.
Risco de valuation (preço)
P/L alto significa que o preço depende de crescimento de lucro que ainda vai acontecer. Se o lucro vier abaixo do esperado, ou vier “apenas” em linha, a ação pode cair forte. Acontece também a compressão de múltiplos (quando o mercado passa a aceitar pagar menos vezes o lucro): mesmo com lucro subindo, o preço pode cair se o humor do mercado piorar.
Volatilidade
Ações de crescimento tendem a oscilar mais do que ações de valor, especialmente perto de divulgação de resultados e lançamentos. Muitas variam 5%–10% (ou mais) em um único balanço trimestral. Isso reforça a necessidade de controlar o tamanho da posição e evitar concentração em empresas com modelo ainda não comprovado.
Sensibilidade a juros
Ações de crescimento reagem mais a juros porque o preço depende de lucros futuros trazidos para o valor de hoje. Quando os juros sobem, esses lucros futuros “valem menos” no cálculo, e os múltiplos caem. Em 2022–2023, com normalização global de juros, muitas ações com P/L alto caíram mesmo com fundamentos sólidos.
Risco específico da empresa
Há risco de execução: nem todo reinvestimento dá certo. Concorrência forte, mudanças regulatórias ou um modelo não testado podem derrubar a performance. Investir envolve risco, inclusive de perda do capital investido.
Como investir em ações de crescimento: um guia prático
Escolha de ações individuais
Quem investe por conta própria e gosta de estudar pode comprar ações de empresas de crescimento analisando fundamentos (qualidade do negócio), vantagem competitiva, ritmo de crescimento do lucro e preço em relação a concorrentes. Perguntas úteis: o crescimento de receita vem de ganho real de participação de mercado ou de fatores pontuais? O mercado endereçável (tamanho do público/cliente que a empresa pode atingir) ainda cresce? O reinvestimento gera retorno ou só consome caixa?
Fundos diversificados
Para reduzir o risco de depender de uma única ação, ETFs (fundos negociados em bolsa) de índices de crescimento ou fundos ativos podem dar exposição mais ampla. Eles distribuem o investimento entre várias empresas, reduzindo o impacto de um tropeço isolado.
Passos para começar
- Defina objetivos financeiros e prazo antes de escolher ações de crescimento
- Comece por empresas grandes e consolidadas, evitando apostas muito especulativas em small caps (empresas menores)
- Evite concentrar em um único setor, mesmo quando ele estiver “na moda”
- Considere horizonte de 5–10+ anos para atravessar oscilações do mercado
- Combine ações de crescimento com alguma exposição a ações de valor para equilibrar a carteira em diferentes cenários de mercado
- Reveja as posições: uma ação pode deixar de ser “crescimento” quando o ritmo desacelera
Ações de crescimento ao longo do ciclo econômico
As ações alternam momentos de liderança e de atraso em relação ao mercado, e as ações de crescimento sentem mais essa dinâmica.
O estilo crescimento costuma ir melhor com juros baixos, crescimento econômico forte e humor do mercado positivo, quando o dinheiro fica mais barato e o investidor aceita mais risco. Após 2009, esse foi um caso clássico.
Ações de valor tendem a performar melhor quando inflação e juros sobem e o investidor prefere empresas com fluxo de caixa estável e dividendos maiores. Em 2022–2023, isso ficou evidente: ações de crescimento costumam ficar para trás nessas rotações, sobretudo empresas com margens pressionadas ou lucro negativo (prejuízo).
Para a maioria, a estratégia mais sólida é diversificar entre ações de crescimento e ações de valor, para a carteira se adaptar quando a economia acelera ou desacelera e quando o mercado favorece inovação ou estabilidade.