O que são ações ordinárias? O guia completo para investidores

by VT Markets
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Aug 14, 2026

Principais conclusões

  • As ações ordinárias representam uma pequena parte do capital de uma empresa (participação no capital), dando ao investidor direito de voto e, em alguns casos, a receber dividendos.
  • Em caso de liquidação (encerramento da empresa com venda de ativos para pagar dívidas), os acionistas ordinários são os últimos a receber — depois dos credores e dos acionistas preferenciais.
  • Ao contrário das ações preferenciais, os dividendos das ações ordinárias não são fixos: dependem dos resultados da empresa e da decisão da administração.
  • As ações ordinárias implicam maior risco, mas podem oferecer maior potencial de valorização a longo prazo do que muitas outras classes de ativos (tipos de investimento).
  • Uma empresa cotada pode ter várias classes de ações, com direitos diferentes (por exemplo, mais ou menos votos).
  • Em 2026, os mercados globais de ações valem mais de 110 biliões de dólares (US$), e as ações ordinárias são a base desse capital.

O que são ações ordinárias? Guia completo do investidor para 2026

Se já comprou ações de uma empresa cotada, abriu uma conta numa corretora (intermediário para comprar e vender ativos financeiros) ou quis perceber como as empresas obtêm financiamento, já contactou com ações ordinárias—mesmo sem usar esse nome.

As ações ordinárias são o tipo de capital (equity, isto é, capital próprio) mais comum emitido por uma empresa. Representam uma parte da propriedade do negócio e têm direitos e deveres que podem influenciar a evolução do investimento. Perceber o que são ações ordinárias, como diferem de outras classes de ações e que riscos e vantagens têm é essencial para qualquer investidor em 2026 e nos anos seguintes.

Este guia explica os pontos essenciais: características principais, como funcionam os direitos de voto, diferenças entre ações ordinárias e preferenciais e o que acontece numa liquidação.

O que são ações ordinárias? Definição e ideia central

As ações ordinárias — chamadas “common shares” na América do Norte — são unidades de capital próprio (parte do capital de uma empresa). Quando uma empresa quer captar capital (financiamento) ao entrar em bolsa ou ao emitir novas ações, normalmente vende ações ordinárias a investidores. Cada ação representa uma pequena parte da empresa.

Como acionista ordinário, é coproprietário da empresa. Se houver lucros e o conselho de administração (órgão que decide a gestão e a distribuição de resultados) aprovar, pode receber dividendos (parte dos lucros distribuída aos acionistas). Se a empresa se valorizar e o preço da ação subir, beneficia de valorização do capital (ganho com a subida do preço). Se a empresa fechar e for liquidada, recebe uma parte do que sobrar — mas só depois de serem pagos todos os credores (a quem a empresa deve dinheiro) e os acionistas preferenciais.

O capital em ações ordinárias é a base do capital próprio de uma empresa. É o tipo de ação mais transacionado e mais conhecido nos mercados financeiros.

Características principais das ações ordinárias

As ações ordinárias distinguem-se por vários aspetos:

  • Direitos de voto: cada ação ordinária costuma dar direito a um voto nas assembleias de acionistas. Isto permite influenciar decisões como eleger administradores, aprovar fusões (união de empresas) ou alterar estatutos (regras internas da empresa).
  • Dividendos: o acionista pode receber dividendos quando a empresa decide distribuir lucros. Não são fixos nem garantidos — ao contrário das ações preferenciais, o valor pode variar ou ser suspenso, consoante os resultados.
  • Potencial de valorização: se a empresa evoluir bem, o mercado tende a valorizar as ações ao longo do tempo.
  • Direito residual: numa liquidação, os acionistas ordinários recebem no fim. Primeiro são pagos credores, depois acionistas preferenciais e só depois os ordinários, se ainda houver ativos.
  • Negociabilidade: ações de empresas cotadas podem ser compradas e vendidas em bolsa, dando liquidez (facilidade de transformar em dinheiro).
  • Direitos de preferência: em muitos países, os acionistas existentes têm prioridade para comprar novas ações emitidas (para manter a mesma percentagem de participação).
  • Ações parcialmente liberadas: por vezes, a empresa emite ações em que o investidor paga apenas parte do valor no início e o restante é pedido mais tarde. “Liberar” aqui significa pagar o valor devido pela ação.

Como as ações ordinárias podem ser estruturadas: classes e direitos

Nem todas as ações ordinárias dão exatamente os mesmos direitos. Uma empresa pode emitir várias classes de ações, com regras diferentes. Isto é comum em empresas tecnológicas e negócios controlados por famílias, que querem captar capital sem perder controlo.

Por exemplo, pode haver ações Classe A com voto “normal” e ações Classe B com mais votos por ação ou sem voto. A Alphabet (dona do Google) tem várias classes, permitindo aos fundadores manter maior influência através de uma classe específica.

Classe de açãoPoder de votoPrioridade nos dividendosComum em
Ordinária (Classe A)Um voto por açãoDepois das preferenciaisMaioria das empresas cotadas
Ordinária (Classe B)Vários votos por ação (ou nenhum)Depois das preferenciaisEmpresas tecnológicas lideradas por fundadores
Ações preferenciaisNormalmente nãoFixo, pago primeiroBancos, utilidades, empresas focadas em rendimento
Ações parcialmente liberadasProporcionalIgual às ordináriasIPO, aumentos de capital com direitos

Antes de investir, é importante confirmar que direitos vêm associados à classe de ações escolhida, sobretudo os direitos de voto, que determinam o grau de influência do acionista minoritário (com pouca percentagem).

Ações ordinárias vs ações preferenciais: qual a diferença?

Uma dúvida comum é a diferença entre ações ordinárias e ações preferenciais (“preferred shares”). Ambas representam participação na empresa, mas com regras diferentes.

CaracterísticaAções ordináriasAções preferenciais
DividendosNão garantidos; a empresa decide em cada períodoTaxa fixa; pagos antes dos ordinários
Direitos de votoSim (normalmente um voto por ação)Normalmente não
Prioridade na liquidaçãoÚltimos — após credores e preferenciaisDepois dos credores, antes dos ordinários
Valorização do capitalPotencial elevadoMais limitado; aproxima-se de obrigações
RiscoMais altoMais baixo; rendimento mais estável
Para quemInvestidores focados em crescimentoInvestidores focados em rendimento

As ações preferenciais ficam entre ações ordinárias e obrigações: tendem a pagar um dividendo fixo e têm prioridade sobre as ordinárias numa liquidação. Em troca, normalmente não dão direito de voto, o que reduz a influência na gestão.

Para quem procura rendimento mais previsível, as preferenciais podem ser interessantes. Para quem procura valorização a longo prazo e participar na governação (forma como a empresa é dirigida e fiscalizada), as ordinárias são a escolha mais habitual.

Direitos de voto: como os acionistas ordinários influenciam a empresa

Uma vantagem das ações ordinárias é votar nas assembleias de acionistas, incluindo a Assembleia Geral Anual (AGM, reunião anual onde se aprovam contas e decisões importantes). Em regra, é um voto por ação — quem tem 1.000 ações tem 1.000 votos.

Nessas reuniões, pode votar em temas como:

  • Eleger ou destituir administradores
  • Aprovar as demonstrações financeiras (contas)
  • Autorizar a emissão de novas ações
  • Aprovar fusões, aquisições (compra de empresas) ou vendas relevantes de ativos
  • Alterar os estatutos

Para pequenos investidores, o voto individual pode ter pouco impacto. Já investidores institucionais — fundos de pensões, fundos de investimento (mutual funds, fundos que juntam dinheiro de muitos investidores) e fundos soberanos (fundos de Estados) — podem ter peso suficiente para influenciar decisões.

Nos últimos anos, aumentou o ativismo acionista (investidores que pressionam a gestão para mudar decisões, administração ou remunerações). Em 2026, um estudo da Institutional Shareholder Services indicou um número elevado de campanhas focadas na composição do conselho e na remuneração dos executivos, reforçando a importância do voto.

Como funcionam os dividendos para acionistas ordinários

Dividendos são uma parte dos lucros paga aos acionistas. Quando a empresa tem lucro, a administração decide se distribui uma parte, se reinveste, ou se combina as duas opções.

Nas ações ordinárias, o dividendo não é garantido. A política de dividendos depende dos lucros, do fluxo de caixa (dinheiro que entra e sai), das necessidades de investimento e do contexto de mercado. Em anos bons, empresas maduras podem pagar dividendos elevados. Em períodos difíceis, podem reduzir ou suspender pagamentos.

O dividendo é normalmente um valor por ação. Exemplo: se a empresa declarar 0,50 dólares por ação e tiver 500 ações, recebe 250 dólares nesse pagamento.

Tipo de dividendoDescriçãoQuem recebe
Dividendo ordinárioPagamento regular em dinheiro a partir de lucrosAcionistas ordinários
Dividendo extraordinárioPagamento pontual com capital excedenteAcionistas conforme a classe
Dividendo em açõesEntrega de novas ações em vez de dinheiroAcionistas ordinários
Dividendo intercalarPago a meio do ano antes das contas finaisAcionistas ordinários
Dividendo finalPago após confirmação dos resultados anuaisAcionistas ordinários

Em 2025–2026, as rendibilidades por dividendo (dividend yield, percentagem do dividendo anual face ao preço da ação) estabilizaram, em muitos grandes títulos, entre 1,5% e 4%. As taxas mais altas concentraram-se em setores como energia, utilidades e banca. Dividendos passados não garantem dividendos futuros.

Ações ordinárias e liquidação: o que significa “direito residual”

Do ponto de vista do risco, o essencial é perceber a posição do acionista ordinário quando a empresa é liquidada.

Numa liquidação, os ativos são vendidos e o dinheiro é distribuído por ordem:

  • Credores com garantia (por exemplo, bancos com colateral, isto é, ativos dados como garantia) recebem primeiro
  • Credores sem garantia (fornecedores, obrigacionistas) recebem a seguir
  • Acionistas preferenciais recebem o que lhes é devido
  • Acionistas ordinários recebem o que sobrar, se sobrar

Isto ajuda a explicar por que as ações ordinárias têm mais risco do que obrigações (títulos de dívida) ou ações preferenciais. Em insolvência (quando a empresa não consegue pagar), é comum os acionistas ordinários não receberem nada.

Vantagens de investir em ações ordinárias

Crescimento do capital a longo prazo

Historicamente, as ações ordinárias tiveram retornos de longo prazo superiores aos de obrigações, depósitos (cash) ou matérias-primas. Segundo o Global Investment Returns Yearbook de 2026 (Credit Suisse), as ações superaram as obrigações na maioria dos principais mercados em períodos longos. Participar no crescimento de uma empresa é um motor relevante de criação de património.

Rendimento por dividendos

Embora não sejam garantidos, muitas empresas pagam dividendos de forma regular. Reinvestir dividendos através de um plano de reinvestimento (DRIP, programa que usa dividendos para comprar mais ações automaticamente) pode aumentar o retorno ao longo do tempo.

Direitos de voto e influência

Ter ações ordinárias significa ter uma parte do negócio. Votar — presencialmente, por procuração (voto delegado) ou online — permite participar em decisões relevantes.

Liquidez

Numa empresa cotada, as ações podem ser compradas ou vendidas com rapidez em bolsa, o que dá flexibilidade face a ativos menos líquidos, como imobiliário ou capital de risco (private equity, investimento em empresas não cotadas).

Cuidados a ter ao investir em ações ordinárias

Antes de investir, convém ter em conta alguns riscos.

⚠️ Atenção: dividendos não são garantidos

Ao contrário dos juros fixos das obrigações (coupon, pagamento de juros) ou dos dividendos fixos das preferenciais, os dividendos das ordinárias dependem da saúde financeira da empresa e da decisão da administração. Pagamentos passados podem não se repetir.

⚠️ Precaução: o preço das ações varia com o mercado

O preço das ações pode oscilar muito (volatilidade, variações rápidas e acentuadas). Dados económicos, eventos geopolíticos, decisões de taxas de juro e notícias do setor podem mexer com as cotações. Evite investir dinheiro que possa precisar no curto prazo.

⚠️ Nota: o risco financeiro é mais elevado

Como os acionistas ordinários são os últimos na liquidação, uma falência pode levar a perda total do investimento. É mais provável em empresas muito endividadas (alavancadas, com muita dívida face ao capital) ou em setores cíclicos (que sobem e descem com a economia).

⚠️ Lembrete: diferentes classes podem limitar o controlo

Em empresas com várias classes de ações, quem compra a classe “normal” pode ter menos poder de voto do que fundadores ou investidores iniciais. Verifique sempre os direitos da classe que pretende comprar.

Mercados globais de ações ordinárias em 2026: números-chave

O mercado global de ações mantém um papel central no sistema financeiro:

  • A capitalização bolsista global (valor total das empresas em bolsa) superou 110 biliões de dólares no início de 2026, segundo a World Federation of Exchanges.
  • A New York Stock Exchange (NYSE) e a NASDAQ representam, em conjunto, cerca de 43% da capitalização bolsista global.
  • A Bolsa de Londres (London Stock Exchange) tem mais de 2.000 empresas cotadas, e as ações do FTSE 100 são detidas por investidores particulares e institucionais.
  • A participação de investidores particulares atingiu máximos em 2025–2026, com plataformas a registarem subida de novos investidores no Canadá, Reino Unido e Sudeste Asiático.
  • Os dividendos pagos por empresas do S&P 500 rondaram 600 mil milhões de dólares em 2025, mostrando o peso dos dividendos para acionistas.

Estes dados mostram por que as ações ordinárias são tão importantes na economia e por que vale a pena compreendê-las.

Capital em ações ordinárias: impacto no balanço

Em finanças empresariais, o capital em ações ordinárias é o dinheiro que a empresa captou ao emitir ações ordinárias. Surge do lado do capital próprio no balanço (relatório que resume ativos, dívidas e capital próprio) e ajuda a perceber como a empresa se financia.

Quando a empresa emite ações pela primeira vez — geralmente num IPO (oferta pública inicial, entrada em bolsa) — capta capital para crescer, reduzir dívida ou investir em novas áreas. Mais tarde, pode emitir novas ações em aumentos de capital com direitos (rights issue, oferta a acionistas existentes com prioridade) ou noutras ofertas, o que dilui (reduz a percentagem) dos acionistas atuais, mas traz novo financiamento.

O valor nominal (par value, valor mínimo definido para efeitos legais) é o preço mínimo a que a ação é emitida. Costuma ser simbólico (por exemplo, 0,01 dólares) e pouco tem a ver com o preço de mercado. Em alguns países, é relevante para calcular o capital realizado (paid-up capital, parte do capital que já foi efetivamente paga pelos acionistas).

Como comprar e vender ações ordinárias

As ações ordinárias de empresas cotadas são negociadas em bolsas como a Toronto Stock Exchange (TSX), a Bolsa de Londres (LSE) ou a New York Stock Exchange (NYSE). O acesso é feito através de corretoras, consultores financeiros ou plataformas online.

Quando dá uma ordem de compra, o preço pago reflete a cotação do momento, definida pela oferta e procura. Se houver mais compradores do que vendedores, o preço sobe. Se houver mais vendedores, o preço desce.

Também é possível expor-se às variações de preço sem possuir as ações. Os Contratos por Diferença (CFD) são derivados (instrumentos cujo valor depende de um ativo) que permitem especular sobre subidas ou descidas: “comprar” (posição longa, ganhar se subir) ou “vender” (posição curta, ganhar se descer). Plataformas como a VT Markets oferecem CFDs sobre ações de várias empresas cotadas, sem comprar a ação em si.

Ações ordinárias vs obrigações: comparação rápida

CaracterísticaAções ordináriasObrigações
NaturezaParticipação no capital de uma empresaDívida — está a emprestar dinheiro à empresa
RetornoDividendos (variáveis) + valorizaçãoJuros fixos (cupão, pagamento periódico de juros)
RiscoMaior — últimos na liquidaçãoMenor — credores são pagos antes dos acionistas
Direitos de votoSimNão
MaturidadeSem data finalData de vencimento definida
MercadoBolsaMercado obrigacionista ou OTC (fora de bolsa, negociação direta)

Perguntas frequentes sobre ações ordinárias

FAQ 1: O que são ações ordinárias, de forma simples?

Ações ordinárias são partes de uma empresa que pode comprar e vender. Ao comprá-las torna-se coproprietário, podendo receber dividendos e votar em decisões. O valor sobe ou desce conforme o desempenho da empresa e o que o mercado espera dela.

FAQ 2: Qual é a diferença entre ações ordinárias e ações preferenciais?

As diferenças principais estão nos dividendos, no voto e na prioridade numa liquidação. Os acionistas ordinários recebem dividendo apenas se a empresa o decidir e são os últimos a receber numa liquidação. Os acionistas preferenciais recebem dividendos fixos antes dos ordinários e têm prioridade sobre ativos em liquidação, mas normalmente não votam.

FAQ 3: As ações ordinárias são um bom investimento a longo prazo?

Historicamente, as ações ordinárias tiveram bons retornos no longo prazo e são uma classe de ativos muito usada para objetivos de longo prazo. Ainda assim, as cotações podem oscilar no curto prazo e empresas podem falhar. A diversificação (distribuir o investimento por setores, países e tipos de ativos) ajuda a gerir risco. Um consultor financeiro qualificado pode ajudar a alinhar a estratégia com a sua situação.

FAQ 4: Um acionista ordinário pode perder todo o dinheiro?

Sim. Se a empresa entrar em insolvência, credores e acionistas preferenciais são pagos primeiro. Se não houver ativos suficientes, os acionistas ordinários podem não receber nada. Isto reforça a importância de analisar bem e diversificar a carteira (conjunto de investimentos).

Porque as ações ordinárias continuam a ser a base do investimento moderno

As ações ordinárias ligam empresas que precisam de capital a investidores que aceitam financiar o crescimento em troca de uma parte dos ganhos. Dão propriedade parcial, direito de voto, possibilidade de dividendos e potencial de valorização a longo prazo.

Em contrapartida, os acionistas ordinários aceitam ficar no fim da fila quando há problemas, atrás de credores e acionistas preferenciais. Esse risco é o preço do potencial de retorno mais elevado e explica o papel das ações na criação de riqueza ao longo de décadas.

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