Gráficos de Ações, Sem Mistérios: o Guia 2025 para Ler Dados de Mercado Como um Profissional (Mesmo a Começar do Zero)
Pontos-chave
- Os gráficos de ações mostram visualmente como o preço evolui ao longo do tempo e ajudam a identificar tendências, níveis de suporte e zonas de resistência para decidir com mais método
- Três tipos principais de gráficos servem objetivos diferentes: gráficos de linha para tendências de longo prazo, gráficos de barras para analisar a amplitude das oscilações do preço (volatilidade) e gráficos de velas para uma leitura mais detalhada do “sentimento” do mercado (se predominam compradores ou vendedores)
- Os dados OHLC (Abertura, Máximo, Mínimo, Fecho) são a base da leitura de gráficos e resumem o que aconteceu em cada sessão
- Suportes e resistências são zonas de preço onde, por motivos muitas vezes psicológicos, o comportamento de compradores e vendedores tende a mudar
- Médias móveis e indicadores de volume dão contexto ao preço e ajudam a confirmar tendências e a avaliar a força do movimento
- Juntar análise técnica (gráficos) com métricas fundamentais (contas e avaliação da empresa) melhora a estratégia por cruzar vários dados
- Praticar com gráficos reais e em vários horizontes temporais melhora o reconhecimento de padrões, essencial para decisões mais seguras
Compreender Gráficos de Ações: a Porta de Entrada Visual para Ler o Mercado
Os gráficos de ações são a linguagem visual mais usada nos mercados financeiros: transformam dados de negociação em padrões que ajudam a perceber a psicologia do mercado. Em 2025, com mais de 58 milhões de contas de retalho ativas só na América do Norte, saber ler gráficos tornou-se uma competência importante para quem quer investir em ações (participações em empresas cotadas).
No essencial, são gráficos em que o preço aparece no eixo vertical e o tempo no eixo horizontal. Apesar de simples, incluem vários dados: preço de abertura, máximo e mínimo do dia, preço de fecho e volume de negociação (quantidade de ações transacionadas). Em conjunto, mostram o equilíbrio entre oferta (venda) e procura (compra).
A VT Markets disponibiliza ferramentas de gráficos que ajudam a ver estes dados de forma clara, para tomar decisões com base em padrões de preço e não em palpites.
Porque é que Aprender a Ler Gráficos Importa em 2025
A capacidade de interpretar gráficos é cada vez mais relevante. Segundo pesquisa de mercado de 2025, investidores que usam análise técnica (leitura de gráficos) em conjunto com análise fundamental (avaliação do negócio e das contas) acertam 34% mais no “timing” de entrada e saída do que quem depende apenas de notícias ou recomendações.
Os gráficos ajudam a:
- Escolher melhor os momentos de compra e venda ao identificar pontos prováveis de entrada e saída com base no comportamento passado do preço
- Reconhecer padrões repetidos que podem sinalizar inversões (mudança de direção) ou continuação de tendências
- Gerir risco de forma sistemática ao definir “stop-loss” (ordem automática para limitar perdas) em zonas de suporte
- Medir o sentimento do mercado ao observar se o preço sobe com força (mais compradores) ou cai com pressão (mais vendedores)
- Comparar rapidamente vários ativos para perceber quais mostram mais força relativa (sobem mais ou caem menos) e quais mostram fraqueza
A popularização das plataformas de negociação tornou os gráficos gratuitos acessíveis, reduzindo a vantagem de informação antes concentrada em investidores institucionais (grandes entidades como fundos). Muitas plataformas já oferecem ferramentas que antes exigiam terminais caros.
Elementos Essenciais de um Gráfico de Ações
Dois Eixos: Tempo e Preço
Todo o gráfico assenta em dois eixos. O eixo horizontal é o tempo (de 1 minuto, para “day traders”, a meses, para investidores de longo prazo). O eixo vertical é o preço, que pode ser mostrado em escala linear (o mesmo espaço para a mesma variação em euros/dólares) ou em escala logarítmica (o mesmo espaço para a mesma variação em percentagem).
A escala logarítmica é útil quando há grandes variações, porque dá mais peso a mudanças percentuais. Por exemplo, passar de 10 para 100 é uma subida de 900% e a escala logarítmica torna essa diferença mais comparável com outras subidas percentuais.
Pontos de Dados: OHLC e Outros
A base da leitura de gráficos passa por entender os dados OHLC:
| Dado | Definição | Importância para negociar |
|---|---|---|
| Abertura (Open) | Primeiro preço negociado na sessão regular (9:30 ET) | Mostra o “humor” do mercado antes da abertura e ajuda a analisar “gaps” (saltos de preço entre o fecho e a abertura) |
| Máximo (High) | Preço mais alto da sessão | Indica a força máxima dos compradores |
| Mínimo (Low) | Preço mais baixo da sessão | Indica a pressão máxima dos vendedores |
| Fecho (Close) | Último preço negociado no final da sessão (16:00 ET) | Preço muito usado na análise técnica |
| Fecho anterior (Previous Close) | Fecho da sessão anterior | Essencial para identificar “gaps” (diferenças relevantes entre sessões) |
| Intervalo de 52 semanas (52-Week Range) | Máximo e mínimo do último ano | Dá contexto: onde está o preço face ao intervalo anual |
Estes dados contam a história de cada sessão. Uma ação que abre muito acima do fecho anterior sugere forte procura fora do horário regular, muitas vezes após notícias positivas ou resultados (“earnings”, isto é, lucros e receitas reportados).
Sessões de Negociação e Horário de Mercado
O horário regular dos EUA decorre das 9:30 às 16:00 (hora de Nova Iorque), mas as sessões fora de horas (pré-mercado e após o fecho) influenciam cada vez mais os preços. Em 2025, cerca de 28% do volume de retalho acontece fora do horário regular, o que torna estas sessões relevantes na leitura do gráfico.
A primeira hora (9:30–10:30) e a última (15:00–16:00) tendem a ter mais volume e mais oscilações (volatilidade). A meio do dia, é comum haver consolidação (preço “anda de lado”) com menos atividade. Conhecer este padrão ajuda a evitar falsos sinais quando há pouco volume.
Três Tipos Principais de Gráficos e Quando Usar
Gráficos de Linha: Simples e Diretos
Os gráficos de linha ligam os preços de fecho com uma linha contínua. Ao ignorar parte do “ruído” intradiário, mostram com clareza a direção da tendência.
Melhor para:
- Identificar tendências de longo prazo
- Comparar rapidamente várias ações
- Analisar indicadores económicos
- Primeira abordagem para iniciantes
Limitações:
- Pouco detalhe intradiário
- Não mostra abertura, máximo e mínimo
- Pode esconder padrões de oscilação relevantes
São úteis para confirmar rapidamente a direção geral ao longo de semanas, meses ou anos, sobretudo quando quer ver vários ativos ao mesmo tempo.
Gráficos de Barras (OHLC): Mais Informação Por Sessão
Os gráficos de barras mostram os quatro preços do OHLC num só elemento. A linha vertical vai do máximo ao mínimo; o traço à esquerda marca a abertura e o traço à direita marca o fecho.
Melhor para:
- Analisar volatilidade intradiária (quanto o preço oscila)
- Estratégias de “swing trading” (manter posições de alguns dias a semanas)
- Identificar suportes e resistências
- Análise técnica mais detalhada
Limitações:
- Menos intuitivos do que velas
- Exigem mais prática para leitura rápida
- Podem ficar confusos em prazos muito curtos
Dão muita informação sem depender de cores e “estética”, o que agrada a quem prefere densidade de dados.
Gráficos de Velas: Ler o Sentimento do Mercado
Os gráficos de velas (candlesticks) são o padrão da análise técnica moderna. Mostram o mesmo OHLC, mas de forma mais fácil de interpretar. Cada vela tem um “corpo” (retângulo entre abertura e fecho) e “pavios/sombras” (linhas até ao máximo e ao mínimo).
A cor ajuda a perceber rapidamente quem dominou a sessão:
- Velas verdes/brancas: o preço fechou acima da abertura (mais compradores)
- Velas vermelhas/pretas: o preço fechou abaixo da abertura (mais vendedores)
Melhor para:
- Reconhecer padrões (doji: indecisão; martelo: rejeição de queda; “engolfo”: uma vela “engole” a anterior e sugere mudança de força)
- Decisões intradiárias
- Leitura rápida do sentimento
- Análise detalhada da ação do preço (como o preço se move)
Limitações:
- Pode confundir iniciantes por ter mais “informação visual”
- Exige aprender o significado de alguns padrões
- Pode levar a negociar em excesso com base numa única vela
As plataformas de gráficos da VT Markets permitem personalizar velas (cores, horizontes temporais e “overlays”, isto é, linhas/indicadores por cima do gráfico) para adaptar a análise ao seu estilo.
Como Ler Gráficos: Interpretar o Movimento do Preço
Identificar Tendências: a Base da Análise Técnica
O primeiro passo é reconhecer a tendência. O mercado move-se, em geral, de três formas:
Tendência de subida:
- Máximos cada vez mais altos
- Mínimos cada vez mais altos
- Preço acima de médias móveis a subir
- Mais volume nas subidas
Tendência de descida:
- Máximos cada vez mais baixos
- Mínimos cada vez mais baixos
- Preço abaixo de médias móveis a descer
- Mais volume nas quedas
Movimento lateral (consolidação):
- Preço oscila dentro de um intervalo
- Máximos e mínimos semelhantes
- Volume tende a cair enquanto o mercado “espera” direção
- Muitas vezes antecede um “breakout” (ruptura do intervalo) com movimento forte
Um estudo de 2025, com mais de 10.000 padrões, concluiu que tendências bem identificadas continuam na mesma direção cerca de 68% das vezes, o que dá base estatística a estratégias de seguir a tendência.
Suporte e Resistência: Zonas Onde o Preço “Reage”
Suportes e resistências são conceitos centrais. São zonas onde, no passado, a pressão de compra e venda mudou.
Suporte é uma “base” de preço onde costuma aparecer procura suficiente para travar quedas. Quando o preço chega ao suporte, entram compradores que consideram a ação barata ou que perderam a oportunidade antes. Quanto mais vezes o suporte “aguenta”, mais relevante fica.
Resistência é um “teto” onde costuma surgir mais oferta (venda) e a subida perde força. Perto da resistência, vendedores saem para reduzir perdas ou realizar lucros. Uma resistência quebrada muitas vezes passa a ser suporte (inversão de papéis).
Características frequentes de suportes/resistências importantes:
- Números redondos (50, 100, 150) tendem a atrair ordens
- Máximos e mínimos anteriores funcionam como barreiras naturais
- Médias móveis (sobretudo 50 e 200 dias) atuam como suportes/resistências “dinâmicos” (mudam com o tempo)
- Picos de volume nesses níveis reforçam a sua importância
Volatilidade: a Intensidade das Oscilações
Volatilidade é a medida de quanto o preço oscila. No gráfico, vê-se por:
- Pavios/sombras longos: grande oscilação dentro da sessão
- Velas/barras altas: grande diferença entre abertura e fecho
- Corpos e pavios curtos: pouca variação e consolidação
Dados de 2025 indicam que a volatilidade tende a surgir em “blocos”: períodos calmos muitas vezes antecedem movimentos fortes. O VIX (índice de volatilidade) — um indicador que reflete a volatilidade esperada no S&P 500 com base em opções — teve média de 18,3 no início de 2025, sugerindo incerteza moderada.
Indicadores Essenciais na Análise de Gráficos
Médias Móveis: Suavizar o “Ruído”
As médias móveis são dos indicadores mais usados. Fazem uma média do preço ao longo de um período para reduzir oscilações de curto prazo e evidenciar a tendência.
Média Móvel Simples (SMA):
- Média aritmética dos preços num período
- Dá o mesmo peso a todos os dias
- Períodos comuns: 20, 50, 100 e 200 dias
- Fórmula: soma dos fechos ÷ número de dias
Média Móvel Exponencial (EMA):
- Dá mais peso aos preços mais recentes
- Reage mais depressa do que a SMA
- Muito usada por quem negoceia no curto prazo
- Reduz o “atraso” do sinal, mantendo a suavização
Usos práticos:
| Média móvel | Horizonte | Uso principal |
|---|---|---|
| SMA/EMA de 20 dias | Curto prazo | Sinais de entrada/saída e confirmação de tendência |
| SMA de 50 dias | Médio prazo | Suporte/resistência e “saúde” da tendência |
| SMA de 200 dias | Longo prazo | Tendência principal e referência muito seguida por grandes investidores |
Se o preço está acima da média móvel, sugere força compradora; abaixo, sugere pressão vendedora. O “golden cross” (cruzamento da média de 50 dias acima da de 200) e o “death cross” (50 abaixo de 200) são sinais seguidos por muitos participantes e podem anteceder tendências prolongadas.
Volume: Quantas Ações Mudaram de Mãos
O volume é o número de ações negociadas num período. Ajuda a confirmar se um movimento de preço tem “força” (muita participação) ou é frágil (pouca participação).
Quando o volume é alto:
- Confirma a tendência (volume sobe na direção do movimento)
- Dá mais credibilidade a “breakouts” (rupturas) acima da resistência ou abaixo do suporte
- Sugere presença de investidores institucionais
- Indica movimentos mais sustentáveis
Quando o volume é baixo:
- O movimento tende a ser menos fiável
- Mostra pouca convicção
- Aumenta a probabilidade de inversão
- É comum em consolidações
Uma análise de 2025 sobre “breakouts” concluiu que movimentos com volume acima de 150% da média tiveram taxa de sucesso de 81%, face a 43% quando o volume era baixo.
Processo Passo a Passo para Ler Gráficos
Passo 1: Escolher o Horizonte Temporal
O horizonte depende do seu estilo:
- Day traders: gráficos de 1, 5 ou 15 minutos
- Swing traders: gráfico diário (posições de dias a semanas)
- Position traders: gráfico semanal (tendências de meses)
- Investidores de longo prazo: gráfico mensal (visão de anos)
Ver vários horizontes dá contexto. Se no diário a ação sobe, mas no semanal desce, a subida pode ser apenas um ressalto dentro de uma tendência maior de queda.
Passo 2: Escolher o Tipo de Gráfico
Comece por gráficos de linha para entender a direção. Depois passe para velas para analisar detalhes. As barras servem quem quer ver OHLC com menos “ruído visual”.
As plataformas da VT Markets permitem alternar entre tipos de gráfico para ver os mesmos dados de formas diferentes.
Passo 3: Marcar Níveis Importantes
Identifique:
- Direção da tendência: máximos/mínimos a subir ou a descer
- Zonas de suporte: onde o preço antes recuperou
- Zonas de resistência: onde o preço antes travou ou inverteu
- Números redondos: níveis muito observados
- Pontos de viragem: máximos e mínimos anteriores
Use linhas horizontais. Muitos traders usam apenas 3–5 níveis por gráfico para manter a leitura simples.
Passo 4: Adicionar Indicadores
Comece pelo essencial:
- Média móvel de 20 dias: tendência de curto prazo
- Barras de volume: confirmar se há participação
- Média móvel de 50 dias: contexto de médio prazo
- RSI (Índice de Força Relativa): indicador de “momento” que tenta mostrar se o preço está muito esticado para cima (“sobrecomprado”) ou para baixo (“sobrevendido”)
Evite excesso de indicadores. Em geral, 2–3 bem entendidos funcionam melhor do que muitos usados sem critério.
Passo 5: Juntar Contexto Fundamental
A análise técnica melhora quando inclui métricas fundamentais:
- Posição nas 52 semanas: perto do máximo anual ou do mínimo?
- Rácio P/E: relação preço/lucro por ação; ajuda a ver se o mercado está a pagar muito por cada euro/dólar de lucro
- Datas de resultados: podem trazer oscilações fortes
- Dividend yield: rendimento do dividendo; percentagem do preço que a empresa paga em dividendos
- Tendências do setor: o setor ajuda ou prejudica?
Segundo a Investopedia, a análise técnica procura medir o sentimento do mercado com padrões e sinais. Como cada indicador pode falhar, é melhor combinar vários instrumentos com análise fundamental para ganhar fiabilidade.
Padrões Habituals a Reconhecer
Padrões de Continuação
Sugerem que a tendência principal pode retomar após uma pausa:
Bandeiras e Flâmulas:
- Consolidação curta após um movimento forte
- O volume tende a baixar durante a formação
- A ruptura costuma seguir na mesma direção do movimento anterior
- Duração típica: 1–3 semanas (bandeiras) e 1–4 semanas (flâmulas)
Triângulos (ascendente, descendente, simétrico):
- Linhas de tendência aproximam-se e o intervalo de preços estreita
- O volume tende a cair
- A direção da ruptura por vezes é sugerida pelo tipo de triângulo
- “Movimento medido”: a amplitude antes do padrão pode servir de referência para a amplitude após a ruptura
Padrões de Inversão
Podem sinalizar mudança de tendência:
Cabeça e Ombros (e inverso):
- Três picos; o do meio (cabeça) é mais alto
- A quebra da “linha do pescoço” (nível que liga os dois vales) confirma o padrão
- Objetivo teórico: distância cabeça–linha do pescoço aplicada a partir do ponto de quebra
- Estudos de 2025 apontam para taxa de acerto perto de 72%
Topo Duplo e Fundo Duplo:
- Dois picos semelhantes (topo) ou dois vales semelhantes (fundo)
- O ponto intermédio cria um nível-chave
- O volume tende a ser menor no segundo pico/vale
- Confirmação exige quebra do nível intermédio (suporte ou resistência)
Gráficos Gratuitos: Ferramentas ao Alcance de Todos
Em 2025, investidores de retalho conseguem ferramentas de qualidade através de:
TradingView:
- Gráficos avançados e muitos indicadores
- Comunidade para partilha de ideias
- Dados em tempo real para muitos mercados
- Layouts e alertas personalizáveis (avisos automáticos quando o preço atinge um nível)
Yahoo Finance:
- Interface simples
- Histórico de várias décadas
- Indicadores técnicos básicos
- Integra notícias e dados fundamentais
Plataforma da VT Markets:
- Ferramentas de gráficos de nível profissional
- Análise em vários horizontes temporais
- Criação de indicadores personalizados
- Integração direta com a execução de ordens (colocar compras/vendas no próprio sistema)
Escolha uma plataforma adequada ao seu nível e que permita evoluir.
Considerações Mais Avançadas
Análise em Vários Horizontes Temporais
Traders profissionais raramente decidem com base num só horizonte. Uma abordagem prática:
- Horizonte superior (semanal/mensal): tendência principal
- Horizonte intermédio (diário): fase atual da tendência
- Horizonte inferior (horário/4 horas): afinar o momento de entrada
Isto ajuda a alinhar a operação com a tendência dominante e a entrar a preços mais favoráveis.
Contexto de Mercado e Correlação
Uma ação deve ser vista no contexto do mercado:
- Desempenho do índice: o mercado em geral sobe ou desce?
- Força do setor: o setor está a ajudar?
- Correlação: a ação tende a mover-se com o mercado ou contra?
- Indicadores “líderes”: juros das obrigações, matérias-primas e moedas podem antecipar mudanças
Se uma ação sobe enquanto o setor cai, mostra força relativa — muitas vezes interpretada como sinal positivo e possível acumulação (compras consistentes) por grandes investidores.
Erros Frequentes ao Aprender a Ler Gráficos
Depender de um Único Indicador
Nenhum indicador é fiável sozinho. O RSI pode indicar “sobrevendido” e, ainda assim, o preço continuar a cair. Procure confirmação: movimento do preço, volume, médias móveis e contexto do mercado.
Ignorar o Horizonte Temporal
Um sinal de subida num gráfico de 5 minutos pouco vale se o diário e o semanal estiverem em forte queda. Veja primeiro os horizontes maiores.
Desenhar Linhas a Mais
Um gráfico com demasiadas linhas e indicadores torna-se difícil de ler. Foque níveis que o preço respeitou várias vezes.
Esquecer o Volume
Movimentos sem volume tendem a ser menos credíveis. Uma ruptura com pouco volume falha mais vezes; com muito volume, sugere compras reais.
Negligenciar Gestão de Risco
Ler gráficos serve também para definir onde sai se estiver errado (stop-loss) e quanto arrisca (tamanho da posição). Suportes ajudam a posicionar stops; resistências ajudam a definir zonas para realizar lucros.
Exercício Prático: Analisar Gráficos Reais
Para ganhar prática, trabalhe com exemplos reais:
Exercício 1: Identificar Tendência
- Abra o gráfico da Apple (AAPL) em período diário
- Identifique a direção da tendência
- Marque o máximo e o mínimo mais recentes relevantes
- Veja onde está o preço face à média móvel de 50 dias
Exercício 2: Suporte/Resistência
- Veja a Microsoft (MSFT) nos últimos seis meses
- Marque três suportes claros
- Marque três resistências claras
- Observe como o preço reage ao testar esses níveis
Exercício 3: Reconhecer Padrões
- Analise a Tesla (TSLA) em gráfico semanal
- Procure padrões (triângulos, bandeiras, cabeça e ombros)
- Registe como o volume se comporta durante o padrão
- Veja se a resolução foi a esperada
Praticar com várias ações e vários horizontes melhora o reconhecimento de padrões.
A Psicologia por Trás dos Gráficos
No fim, os gráficos refletem psicologia humana: medo, ganância, esperança e pânico traduzidos em movimentos de preço. Esta dimensão ajuda a interpretar suportes e resistências:
O suporte “aguenta” porque:
- Compradores anteriores defendem a posição
- Novos compradores veem valor
- Institucionais compram a níveis definidos
- Números redondos atraem ordens
A resistência surge porque:
- Quem comprou mais caro tenta sair sem perdas
- “Short sellers” (venda a descoberto: vender algo emprestado para recomprar mais barato) entram em resistências
- Realização de lucros aumenta perto de marcos psicológicos
- Institucionais reduzem posições a preços-alvo
Isto explica porque a análise técnica pode funcionar: não prevê o futuro, mas mostra padrões de comportamento que se repetem perante movimentos de preço.
Integrar a Leitura de Gráficos numa Estratégia
Os gráficos são uma parte da estratégia. Combinar análise técnica e fundamental ajuda a construir uma abordagem mais completa.
Estrutura prática:
- Seleção fundamental: escolher empresas financeiramente sólidas
- Momento técnico: usar o gráfico para entrar melhor
- Gestão de risco: definir stops com base em níveis técnicos
- Tamanho da posição: ajustar o montante ao risco e à qualidade do sinal
- Plano de saída: definir objetivos com base em resistências
VT Markets oferece ferramentas integradas para este fluxo: desde a análise fundamental à leitura técnica, execução de ordens e gestão de risco.
O Futuro da Análise de Gráficos em 2025 e Depois
A análise continua a mudar com a tecnologia:
Integração de Inteligência Artificial: algoritmos de aprendizagem automática analisam milhares de gráficos e procuram padrões e desvios que podem escapar ao olho humano, embora o contexto continue a exigir decisão humana.
Visualização melhorada: mapas de calor (cores que mostram intensidade de movimentos ou volume) e outras formas de visualização ajudam a ler dados mais depressa.
Camadas de sentimento social: algumas plataformas juntam dados de sentimento de notícias e redes sociais diretamente no gráfico.
Reconhecimento automático de padrões: software identifica padrões clássicos e atribui probabilidades, mas a decisão de agir continua a ser do trader.
Apesar da tecnologia, os princípios mantêm-se: preço, volume, suporte, resistência e tendência são a base da análise técnica.
Perguntas Frequentes
Q1: Qual é o melhor tipo de gráfico para iniciantes?
Os gráficos de linha são o ponto de partida mais simples para perceber a tendência sem excesso de detalhe. Depois, as velas ajudam a analisar a ação do preço com mais informação, porque mostram abertura, fecho, máximo e mínimo de forma clara.
Q2: Quantos indicadores devo usar?
Em geral, menos é melhor. Comece com uma média móvel (20 ou 50 dias) e volume. Se já dominar o básico, pode acrescentar um indicador de momento como o RSI ou o MACD (indicador que compara médias móveis para tentar identificar aceleração ou desaceleração da tendência). O importante é perceber bem o que cada indicador mede.
Q3: Gráficos gratuitos chegam ou preciso de uma subscrição paga?
Para a maioria dos investidores de retalho, ferramentas gratuitas como Yahoo Finance e a versão gratuita do TradingView chegam. Normalmente incluem dados quase em tempo real (por vezes com atraso), indicadores básicos e ferramentas suficientes para suportes, resistências e padrões. Subscrições pagas tendem a acrescentar mais histórico, dados mais rápidos e filtros avançados.
Q4: Quanto tempo demora a ler gráficos com segurança?
Com revisão diária, é comum ganhar base em 2–3 meses (tendência, suportes, resistências e alguns padrões). A consistência ao longo de 1–2 anos costuma ser necessária para reconhecer situações mais subtis e lidar melhor com falsos sinais. Uma forma prática de acelerar é analisar vários gráficos por dia e registar o que funcionou.