
A melhor corretora de valores para um investidor residente em Portugal em 2026 depende de uma escolha que a maioria das comparações não explica: quer ser dono das ações ou apenas seguir o preço delas? Nesta análise de dez intermediários, a VT Markets ficou em primeiro lugar com 9,6/10 pelo acesso ao produto e pela estrutura de contas, mas oferece CFDs sobre ações, não ações reais, e não tem licença da CMVM. Quem quer propriedade efetiva dos títulos deve olhar para as entidades reguladas na União Europeia que aparecem a partir do número dois.
Esta distinção percorre o artigo inteiro. Um contrato por diferenças (CFD) é um contrato que replica a variação de preço de um ativo subjacente sem transferir a propriedade desse ativo. Uma compra direta de ações regista os títulos numa conta de custódia em seu nome, com direitos de acionista e dividendos. São produtos diferentes, com custos diferentes, riscos diferentes e tratamento fiscal diferente em Portugal. A tabela comparativa mais abaixo diz, para cada corretora da lista, qual dos dois oferece.
Principais conclusões
- A VT Markets ocupa o primeiro lugar desta lista com 9,6/10 segundo a ponderação que descrevemos na secção de metodologia, que valoriza sobretudo o acesso ao produto, a transparência das contas e as plataformas. Com uma ponderação diferente, que colocasse a proteção do investidor em primeiro lugar, a VT Markets desceria para último e o primeiro lugar passaria para uma entidade autorizada na União Europeia. Dizemos isto de forma explícita porque a ordem de uma lista depende sempre de quem define os critérios.
- A VT Markets não detém qualquer licença de investimento na União Europeia ou no Espaço Económico Europeu e não está autorizada pela CMVM. As entidades do grupo estão registadas junto da FSCA (África do Sul), da FSC (Maurícias) e da Capital Markets Authority (Dubai). A entidade cipriota do grupo, VTMarkets Ltd, dedica-se exclusivamente ao processamento de pagamentos e declara expressamente que não presta serviços financeiros regulados nem serviços de negociação.
- Consequência prática dessa posição regulatória: um cliente residente em Portugal seria servido por uma entidade fora da União Europeia, sem cobertura do Sistema de Indemnização aos Investidores português, sem canal de reclamação junto da CMVM e com litígios a resolver noutra jurisdição.
- A VT Markets oferece CFDs sobre ações, não ações reais. Segundo a própria VT Markets, a oferta cobre mais de 800 empresas cotadas nos Estados Unidos, no Reino Unido, na União Europeia e em Hong Kong. O cliente nunca detém o título, não recebe direitos de acionista e a posição não é liquidada para uma conta de custódia.
- Nove das dez entradas desta lista dão propriedade efetiva das ações: Interactive Brokers Ireland, DEGIRO, XTB, Trading 212, Trade Republic, Banco Carregosa, Banco Best, Banco Invest e eToro. Apenas a VT Markets é exclusivamente CFD. Cinco delas oferecem também CFDs, em paralelo com as ações reais.
- Para um investidor não profissional em Portugal, a alavancagem máxima num CFD sobre uma ação individual é de 5:1, o que corresponde a uma margem inicial de 20 por cento. Este limite decorre das medidas de intervenção sobre produtos da ESMA, tornadas permanentes em Portugal pelo Regulamento da CMVM n.º 5/2019, de 28 de junho. A alavancagem amplia tanto os ganhos como as perdas.
- O Imposto do Selo é um custo especificamente português que a maioria das comparações internacionais ignora. As comissões de intermediação financeira cobradas por entidades sujeitas ao imposto são tributadas à taxa de 4 por cento, ao abrigo da verba 17.3.4 da Tabela Geral do Imposto do Selo. Isto significa que uma comissão anunciada como 5,00 euros custa efetivamente 5,20 euros.
- As mais-valias em ações são tributadas em Portugal à taxa autónoma de 28 por cento, nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 72.º do Código do IRS, com opção de englobamento. Esta secção não constitui aconselhamento fiscal.
- O Sistema de Indemnização aos Investidores, que funciona junto da CMVM, cobre créditos até ao limite de 25 000 euros por investidor. Não cobre perdas de mercado.
O que é uma corretora de valores?
Uma corretora de valores é uma entidade que recebe as suas ordens de compra e de venda de instrumentos financeiros e as transmite ou executa num mercado, em troca de uma comissão ou de um diferencial de preço. Em Portugal, o termo técnico que aparece na legislação e nos registos da CMVM é intermediário financeiro, e abrange bancos, sociedades corretoras, sociedades financeiras de corretagem e empresas de investimento estrangeiras que operam cá.
Vale a pena fixar o vocabulário, porque a pesquisa em português mistura termos de dois mercados. “Corretora de valores” e “corretoras da bolsa de valores” são expressões correntes na pesquisa, mas o documento que vai encontrar no site de um banco português chama-lhe “intermediário financeiro” e à conta onde os títulos ficam registados chama-lhe “conta de registo e depósito de instrumentos financeiros”, ou simplesmente conta-título.
A diferença que decide tudo: CFD sobre ações e compra direta de ações
Existem duas formas muito distintas de ganhar exposição ao preço de uma ação, e são frequentemente apresentadas lado a lado como se fossem alternativas equivalentes. Não são.
Compra direta de ações. O intermediário executa a sua ordem num mercado regulamentado, por exemplo a Euronext Lisbon, a Nasdaq ou a London Stock Exchange. Os títulos passam a estar registados numa conta de custódia em seu nome, normalmente através de uma cadeia de custódia que termina numa central de valores mobiliários. Passa a ter direitos de acionista, incluindo o direito a receber dividendos e, consoante o instrumento e o intermediário, o direito de voto em assembleia geral. Não há alavancagem embutida, não há custo diário de financiamento e a posição não é encerrada automaticamente por movimentos de preço. Os custos típicos são a comissão de negociação, a comissão de custódia, o Imposto do Selo sobre as comissões e, se comprar títulos denominados noutra moeda, o custo de câmbio.
CFD sobre ações. O CFD é um contrato entre si e o intermediário sobre a diferença entre o preço de abertura e o preço de fecho da posição. Não há compra do título, não há registo em custódia, não há direitos de acionista e não há dividendo, embora alguns intermediários apliquem um ajustamento de caixa quando o subjacente paga dividendo. Pode abrir posições curtas, pode usar alavancagem dentro dos limites regulamentares e paga tipicamente através do diferencial entre compra e venda, de uma comissão, e de um custo de financiamento por cada noite que a posição fica aberta. Se o intermediário entrar em incumprimento, o seu crédito é um crédito sobre a empresa, não um direito sobre um ativo que já lhe pertence.
Porque é que isto importa em Portugal em particular
Três motivos concretos. Primeiro, os CFDs estão sujeitos a restrições específicas de comercialização, distribuição e venda a investidores não profissionais, ao abrigo do Regulamento da CMVM n.º 5/2019, que tornou permanentes em Portugal as medidas de intervenção sobre produtos adotadas pela ESMA. Segundo, o tratamento fiscal dos dois produtos não é idêntico, e a qualificação do rendimento depende do instrumento. Terceiro, a cobertura do Sistema de Indemnização aos Investidores depende de a entidade participar no sistema, o que exige autorização em Portugal ou passaporte europeu com adesão, e não se aplica a entidades de países terceiros.
Nenhum dos dois produtos é intrinsecamente melhor. São ferramentas diferentes. Quem quer construir uma carteira de longo prazo, receber dividendos e ser acionista precisa de compra direta. Quem quer exposição de curto prazo, incluindo posições curtas, encontra no CFD um instrumento desenhado para isso, com um perfil de risco substancialmente mais elevado.
As 10 melhores corretoras de valores em Portugal em 2026

A tabela seguinte resume as dez corretoras avaliadas. A coluna do regulador indica o estatuto ao abrigo do qual a entidade serve clientes residentes em Portugal, tal como publicado pela própria entidade ou pelo registo público do regulador de origem. Onde o número de inscrição assenta apenas na declaração da própria entidade, isso é indicado.
| # | Corretora | Avaliação | Melhor para | Acesso ao produto | Regulador e estatuto em Portugal |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | VT Markets | 9,6/10 | Amplitude de CFDs sobre ações em MetaTrader | CFDs sobre ações apenas, sem propriedade | Sem licença na UE ou no EEE. Não autorizada pela CMVM. FSCA (África do Sul), FSC (Maurícias), CMA (Dubai) |
| 2 | Interactive Brokers Ireland | 9,3/10 | Acesso multimercado e execução profissional | Ações reais, ETFs, obrigações, opções e futuros | Empresa de investimento autorizada pelo Banco Central da Irlanda, referência C423427, com passaporte europeu |
| 3 | DEGIRO | 9,1/10 | Custos baixos em ações e ETFs numa carteira de longo prazo | Ações reais e ETFs, sem CFDs | Marca do flatexDEGIRO Bank AG, instituição de crédito alemã supervisionada pelo BaFin e pelo Bundesbank, a operar em Portugal em regime transfronteiriço |
| 4 | XTB | 8,9/10 | Quem quer ações reais e CFDs na mesma casa | Ações reais e ETFs, mais CFDs | XTB, S.A. Sucursal em Portugal, inscrita na CMVM com o número 341 |
| 5 | Trading 212 | 8,7/10 | Começar com montantes pequenos e frações de ação | Ações reais e ETFs, mais CFDs em conta separada | Trading 212 Markets Ltd, autorizada pela CySEC com a licença 398/21, com passaporte para Portugal |
| 6 | Trade Republic | 8,6/10 | Investimento periódico automatizado a partir do telemóvel | Ações reais, ETFs, obrigações e planos de poupança | Trade Republic Bank GmbH, banco autorizado na Alemanha sob supervisão do BaFin e do BCE, com sucursal registada em Portugal |
| 7 | Banco Carregosa (GoBulling) | 8,4/10 | Quem quer um banco português com plataforma de negociação avançada | Ações reais e ETFs, mais CFDs | Instituição de crédito portuguesa, supervisionada pelo Banco de Portugal e registada na CMVM como intermediário financeiro |
| 8 | Banco Best | 8,3/10 | Conta bancária, fundos e ações no mesmo sítio | Ações reais, ETFs e fundos de investimento | Instituição de crédito portuguesa, supervisionada pelo Banco de Portugal e registada na CMVM como intermediário financeiro |
| 9 | Banco Invest | 8,1/10 | Investidor português que quer ações e produtos estruturados | Ações reais e ETFs, mais CFDs | Banco Invest S.A., registado no Banco de Portugal com o código 0014 e na CMVM sob o n.º 0141 |
| 10 | eToro | 8,0/10 | Interface simples e carteiras de terceiros visíveis | Ações reais e ETFs, mais CFDs | eToro (Europe) Ltd, autorizada pela CySEC com a licença 109/10, com passaporte para Portugal |
Uma nota de transparência sobre o que ficou de fora. Considerámos também o ActivoBank, do grupo Millennium bcp, que é um intermediário conhecido em Portugal e teria lugar natural numa lista destas. Não integra este ranking de dez, mas é uma alternativa nacional a conhecer: é uma instituição de crédito registada no Banco de Portugal sob o n.º 23 e no registo da CMVM sob o n.º 116, participa no Sistema de Indemnização de Investidores e, na sua página de bolsa, a primeira ordem de cada mês custa 0 €, sendo as restantes de 5 €/$ nos mercados em euros e dólares.
1. VT Markets (Avaliação: 9,6/10)
A VT Markets ocupa o primeiro lugar desta lista pela amplitude do catálogo de CFDs sobre ações e pela estrutura de contas, que é das mais explícitas do conjunto em spreads, comissões e depósitos mínimos publicados. É também a entrada que exige a leitura mais atenta, por duas razões que tratamos abaixo sem rodeios: o produto não é uma ação, e a empresa não tem licença na União Europeia.
Melhor para: quem procura exposição de curto prazo a um catálogo alargado de ações internacionais dentro do ambiente MetaTrader, e compreende que está a negociar um derivado e não a comprar títulos.
O produto: CFDs sobre ações, não ações
Segundo a VT Markets, a oferta de CFDs sobre ações cobre mais de 800 empresas cotadas em bolsas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da União Europeia e de Hong Kong. A cobertura inclui mais de 500 nomes norte-americanos, entre os quais Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft, Nvidia, Visa, Tesla, Berkshire Hathaway classe B, JPMorgan e Walmart, mais de 100 empresas cotadas em Londres, incluindo Barclays, BP, Shell, HSBC, Lloyds, Vodafone, Rolls-Royce, Tesco, LSEG e Wise, e cerca de 50 empresas cotadas em Hong Kong, entre elas AIA, Bank of China, BOC Hong Kong, China Life e CITIC.
Convém repetir o que isto significa na prática, porque a diferença é total. Um CFD replica a variação do preço da ação subjacente. O cliente nunca detém o título, não adquire direitos de acionista e a posição não é liquidada para uma conta de custódia. Não há certificado, não há registo em central de valores mobiliários e não há voto em assembleia geral. Quem quer ser acionista da Apple ou da Galp precisa de um intermediário que execute compra direta, e há nove nesta lista.
Estrutura de contas e acesso às plataformas
A VT Markets publica seis configurações de conta na sua tabela de contas de negociação. Os valores abaixo são os spreads e comissões gerais ao nível da conta, não figuras específicas de CFDs sobre ações.
| Conta | Spreads a partir de | Depósito mínimo | Comissão | Volume mínimo |
|---|---|---|---|---|
| Standard STP | 1,2 pips | USD 100 | USD 0 | 0,01 lote |
| Raw ECN | 0,0 pips | USD 100 | USD 6 por round turn | 0,01 lote |
| Cent (STP) | 1,1 pips | USD 50 | USD 0 | 0,01 lote |
| Cent (ECN) | 0,0 pips | USD 50 | USD 6 por round turn | 0,01 lote |
| Swap Free (STP) | 1,2 pips | USD 100 | USD 0 | Não publicado |
| Swap Free (ECN) | 0,0 pips | USD 100 | USD 6 | Não publicado |
Existe ainda uma conta PRO ECN, que publica uma comissão de 2 a 4 USD por ida e volta em forex e ouro (comissão zero em prata e petróleo) mas não tem depósito mínimo próprio: é um upgrade concedido a quem cumpre critérios de atividade (saldo superior a USD 10.000 com pelo menos uma operação fechada, ou volume equivalente) sobre uma conta já aberta. As moedas de denominação disponíveis são AUD, USD, HKD, GBP, EUR e CAD, com a conta Cent limitada a USC.
Há um ponto de custo que convém ter presente. A comissão específica dos CFDs sobre ações consta das perguntas frequentes da página em português de CFDs sobre ações: a partir de 0 USD por negociação em ações norte-americanas e 0,1 por cento por lote em ações britânicas. Para o detalhe de cada ação, a VT Markets remete para o seu site ou para a equipa de suporte. Quem compare custos deve pedir a tabela de preços aplicável à sua conta antes de abrir qualquer posição.
Do lado das plataformas, a negociação faz-se em MetaTrader 4 e MetaTrader 5, além do WebTrader e da aplicação da VT Markets. O conjunto está reunido na página de plataformas. Para quem já usa MetaTrader e quer manter os mesmos gráficos, indicadores e Expert Advisors ao passar de divisas para ações, esta é a vantagem estrutural da entrada. Existe também uma conta de demonstração para testar a plataforma com fundos virtuais.
Posição regulatória para clientes residentes em Portugal
Esta é a parte que determina se a entrada faz sentido para si, e não a suavizamos.
A VT Markets não detém qualquer licença de investimento na União Europeia ou no Espaço Económico Europeu. Não está autorizada pela CMVM. A estrutura publicada pelo grupo é a seguinte:
| Entidade | Regulador e licença | Âmbito declarado |
|---|---|---|
| VT Markets (Pty) Ltd | FSCA, África do Sul, FSP n.º 50865 | Atua apenas como intermediária ao abrigo da FAIS Act. Não é criadora de mercado nem emitente do produto |
| VT Markets (Pty) Ltd, Sucursal do Dubai | Capital Markets Authority dos Emirados Árabes Unidos, licença 20200000299, Categoria 5 | Apenas apresentação e promoção. Não está autorizada a prestar serviços de corretagem nem a executar ordens de clientes |
| VT Markets Limited | FSC Maurícias, Full-Service Investment Dealer excluindo tomada firme, licença GB23202269 | Corretagem |
| VTMarkets Ltd | Chipre, HE436466 | Facilita pagamentos por conta de outras entidades do grupo. Declara expressamente não oferecer produtos financeiros regulados nem serviços de negociação |
A entidade cipriota tem aparência de presença europeia, mas o próprio grupo declara que se dedica exclusivamente a pagamentos. Um cliente residente em Portugal seria, portanto, servido por uma entidade de país terceiro, nas Maurícias. As consequências concretas são quatro:
- Não há cobertura do Sistema de Indemnização aos Investidores português, que cobre créditos até 25 000 euros por investidor sobre entidades participantes.
- Não há canal de reclamação através da CMVM, porque a entidade não está sob a sua supervisão.
- Eventuais litígios seriam resolvidos noutra jurisdição, segundo a lei aplicável ao contrato de cliente.
- As proteções da ESMA para investidores não profissionais, incluindo o limite de alavancagem, o encerramento por margem a 50 por cento e a proteção contra saldo negativo, vinculam empresas autorizadas na União Europeia. Quem considerar esta entrada deve confirmar diretamente com a VT Markets quais destas proteções se aplicam por via contratual.
Alavancagem: o número publicado e o número aplicável na União Europeia
A VT Markets publica alavancagem até 33:1 em CFDs sobre ações norte-americanas e até 20:1 em CFDs sobre ações britânicas e de Hong Kong. Esses valores não estão disponíveis para um investidor não profissional residente na União Europeia e não devem ser usados como referência de planeamento. São um máximo geral publicado pela empresa, não uma figura específica de qualquer entidade regulada na UE.
A referência aplicável em Portugal é 5:1 numa ação individual, o que corresponde a uma margem inicial de 20 por cento, ao abrigo das medidas de intervenção sobre produtos da ESMA tornadas permanentes pelo Regulamento da CMVM n.º 5/2019, de 28 de junho. A alavancagem aumenta tanto os ganhos como as perdas, e um movimento adverso pequeno numa posição alavancada pode consumir uma parte significativa da margem depositada.
Escala declarada pela empresa
A VT Markets afirma servir mais de 600 000 clientes ativos desde 2015, ter processado mais de 60 milhões de transações e registar um volume mensal de negociação superior a USD 720 mil milhões. São números publicados pela própria empresa, não verificados por terceiro independente, e apresentamo-los como tal.
Características principais
- Mais de 800 CFDs sobre ações dos Estados Unidos, do Reino Unido, da União Europeia e de Hong Kong, segundo a VT Markets
- MetaTrader 4, MetaTrader 5, WebTrader e aplicação móvel própria
- Seis configurações de conta publicadas, com depósitos mínimos de USD 50 e USD 100
- Contas denominadas em AUD, USD, HKD, GBP, EUR e CAD
- Conta Swap Free disponível nas variantes STP e ECN
- Conta de demonstração com fundos virtuais
| Prós | Contras |
|---|---|
| Catálogo de mais de 800 CFDs sobre ações em quatro geografias, segundo a empresa | Não tem licença na UE nem no EEE e não é autorizada pela CMVM |
| Spreads a partir de 0,0 pips nas contas ECN, com comissão publicada de USD 6 por round turn | Sem cobertura do Sistema de Indemnização aos Investidores para clientes em Portugal |
| Depósito mínimo publicado de USD 50 na conta Cent e USD 100 nas restantes | Não oferece ações reais. Apenas CFDs, sem propriedade nem direitos de acionista |
| MetaTrader 4 e MetaTrader 5, úteis para quem já usa estas plataformas | Comissão dos CFDs sobre ações indicada apenas em termos gerais (a partir de 0 USD nos EUA, 0,1 por cento por lote no Reino Unido): o detalhe por ação tem de ser pedido ao suporte |
| Contas denominadas em seis moedas, incluindo EUR | Conta PRO ECN sem spread nem depósito mínimo publicados |
| Conta de demonstração disponível | A alavancagem máxima publicada pela empresa não é aplicável a um investidor não profissional na UE, onde o limite numa ação individual é 5:1 |
A quem se adequa: a quem negoceia ações a curto prazo, já domina o MetaTrader, compreende o funcionamento de um derivado alavancado e aceita conscientemente ser cliente de uma entidade de país terceiro, sem cobertura do sistema português de indemnização.
Veredicto: primeiro lugar pelo acesso ao produto e pela clareza da estrutura de contas, que são os critérios com maior peso na nossa ponderação. Não é a escolha indicada para quem quer ser acionista, nem para quem coloca a proteção regulatória europeia acima de tudo o resto. Essas duas coisas são fornecidas pelas entradas seguintes, não por esta.
2. Interactive Brokers Ireland (Avaliação: 9,3/10)
A Interactive Brokers Ireland Limited é a entidade europeia do grupo Interactive Brokers e é o contraponto direto da entrada anterior: propriedade efetiva dos títulos, entidade autorizada dentro da União Europeia e um universo de mercados que nenhuma outra corretora desta lista iguala.
Melhor para: quem investe em vários mercados e várias moedas e quer ferramentas de execução de nível profissional numa entidade autorizada na UE.
Estatuto regulatório em Portugal
A Interactive Brokers Ireland Limited está autorizada pelo Banco Central da Irlanda como empresa de investimento ao abrigo da DMIF, com a referência C423427 no registo público do supervisor irlandês, autorizada em 22 de dezembro de 2020. Serve clientes residentes em Portugal ao abrigo do passaporte europeu, em livre prestação de serviços. É membro do sistema irlandês de indemnização dos investidores, o Investor Compensation Scheme, e não do Sistema de Indemnização aos Investidores português. É uma distinção que interessa conhecer: em caso de incumprimento da entidade, o processo corre no sistema irlandês.
Acesso ao produto
Ações reais, ETFs, obrigações, fundos, opções e futuros, com acesso a dezenas de bolsas na Europa, na América do Norte e na Ásia. Os títulos ficam registados em conta de custódia em seu nome, com direitos de acionista e dividendos. A conta é multimoeda, o que permite manter saldos em euros, dólares e outras divisas e evitar conversões cambiais em cada operação, um ponto relevante para quem compra ações norte-americanas a partir de Portugal.
Características principais
- Ações reais e ETFs com acesso a bolsas na Europa, América do Norte e Ásia
- Conta multimoeda, com saldos mantidos em várias divisas em simultâneo
- Opções, futuros e obrigações na mesma conta
- Plataformas de escritório, de navegador e de telemóvel, com tipos de ordem avançados
- Entidade autorizada na União Europeia, com passaporte para Portugal
| Prós | Contras |
|---|---|
| Entidade autorizada pelo Banco Central da Irlanda, referência C423427 | Interface e configuração inicial mais exigentes do que as das aplicações simplificadas desta lista |
| Ações reais com propriedade efetiva e direitos de acionista | Cobertura pelo sistema irlandês de indemnização, não pelo Sistema de Indemnização aos Investidores português |
| Amplitude de mercados e de classes de ativos superior à das restantes entradas | A oferta de derivados complexos pode ser desadequada a um investidor principiante |
| Conta multimoeda, útil para quem compra ações fora da zona euro | Custo de 2 € por operação em ações na Euronext Lisbon (1 € de comissão mais 1 € de manuseamento) e 0,25% na conversão automática de moeda |
A quem se adequa: ao investidor que já sabe o que quer executar, opera em mais do que um mercado e valoriza uma entidade autorizada na UE acima da simplicidade da aplicação.
Veredicto: a escolha mais completa da lista para quem quer ser efetivamente dono dos títulos, e a entrada que ocuparia o primeiro lugar se a proteção do investidor tivesse o maior peso na nossa ponderação.
3. DEGIRO (Avaliação: 9,1/10)
A DEGIRO é a marca de investimento do flatexDEGIRO Bank AG e construiu a sua posição em Portugal com uma proposta simples: ações e ETFs a custo baixo, sem derivados complexos a distrair.
Melhor para: quem constrói uma carteira de longo prazo em ações e ETFs e quer manter os custos recorrentes no mínimo.
Estatuto regulatório em Portugal
A DEGIRO opera como marca do flatexDEGIRO Bank AG, uma instituição de crédito alemã supervisionada pelo BaFin e pelo Deutsche Bundesbank, com uma sucursal neerlandesa sujeita também à supervisão da AFM e do De Nederlandsche Bank. Os clientes residentes em Portugal são servidos em regime transfronteiriço, ao abrigo do passaporte europeu, e não através de uma sucursal portuguesa. A proteção aplicável é a do sistema alemão, não a do Sistema de Indemnização aos Investidores português, e consiste em dois regimes distintos e não equivalentes: a garantia de depósitos alemã, até 100.000 € sobre o dinheiro não investido, e o sistema de indemnização aos investidores alemão, que cobre até 90% do valor reclamado com um limite de 20.000 € para os títulos não devolvidos (segundo as páginas de apoio da própria DEGIRO).
Acesso ao produto
Ações reais e ETFs, com propriedade efetiva e direitos de acionista. A DEGIRO não oferece CFDs, o que é uma escolha deliberada de posicionamento e simplifica bastante a decisão de quem só quer investir. O universo abrange as principais bolsas europeias, incluindo a Euronext Lisbon, além dos mercados norte-americanos.
Características principais
- Ações reais e ETFs com propriedade efetiva
- Sem CFDs nem produtos alavancados na oferta principal
- Acesso às principais bolsas europeias e norte-americanas
- Plataforma de navegador e aplicação móvel, com foco em simplicidade
- Instituição de crédito autorizada na União Europeia
| Prós | Contras |
|---|---|
| Instituição de crédito alemã supervisionada pelo BaFin e pelo Bundesbank | Sem cobertura do Sistema de Indemnização aos Investidores português. Aplica-se o sistema alemão |
| Ações e ETFs reais, com propriedade efetiva | Não oferece CFDs, o que exclui quem procura posições curtas ou alavancadas |
| Posicionamento centrado em custo baixo para carteiras de longo prazo | Sem sucursal em Portugal. O serviço é prestado em regime transfronteiriço |
| Oferta simples, com menos produtos complexos a induzir erro | Garantia de depósitos (100.000 €) e indemnização de investidores (90%, até 20.000 €) são dois regimes distintos, e não devem ser confundidos entre si nem com o Sistema de Indemnização aos Investidores português |
A quem se adequa: ao investidor de compra e manutenção que quer ações e ETFs, não quer derivados e prefere uma plataforma sem funcionalidades supérfluas.
Veredicto: uma das opções mais consistentes da lista para carteira de longo prazo, com a ressalva de que a proteção do investidor é alemã e não portuguesa.
4. XTB (Avaliação: 8,9/10)
A XTB é a única corretora internacional desta lista que serve Portugal através de uma sucursal registada no país, e não apenas em livre prestação de serviços. Isso coloca a operação portuguesa sob inscrição direta na CMVM.
Melhor para: quem quer ações reais e CFDs na mesma casa, com uma entidade inscrita na CMVM.
Estatuto regulatório em Portugal
Segundo a informação legal publicada pela própria empresa, a XTB, S.A. Sucursal em Portugal está inscrita na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários com o número 341, com sede em Lisboa. A casa-mãe é a XTB S.A., sociedade polaca supervisionada pelo regulador polaco. O facto de existir sucursal registada significa que há uma entidade estabelecida em Portugal e sujeita a inscrição no registo da CMVM, o que na prática facilita o contacto, a documentação em português e o encaminhamento de reclamações.
Acesso ao produto
Ações reais e ETFs, com propriedade efetiva, mais uma oferta de CFDs sobre ações, índices, matérias-primas e divisas. É uma das cinco entradas da lista que combina os dois produtos, e a plataforma distingue-os claramente. Para o leitor deste artigo, essa combinação é útil precisamente porque permite ver lado a lado o que é comprar a ação e o que é negociar o derivado.
Características principais
- Sucursal registada em Portugal, inscrita na CMVM com o número 341
- Ações reais e ETFs com propriedade efetiva
- CFDs sobre ações, índices, matérias-primas e divisas
- Plataforma própria de navegador e aplicação móvel, com materiais em português
- Apoio ao cliente em português
| Prós | Contras |
|---|---|
| Sucursal registada em Portugal e inscrita na CMVM com o número 341 | A oferta de CFDs implica risco de alavancagem que não existe na compra direta de ações |
| Ações reais e CFDs na mesma plataforma, com distinção clara entre os dois | A entidade autorizada é polaca. A sucursal opera ao abrigo do passaporte europeu |
| Documentação, plataforma e apoio ao cliente em português | Cobertura pelo sistema de indemnização do país de origem (Polónia), não pelo Sistema de Indemnização aos Investidores português |
| Materiais educativos extensos sobre ambos os produtos | Comissão zero em ações e ETF reais até 100.000 € de volume mensal acumulado, passando a 0,2% (mínimo 10 €) acima desse valor, mais 0,5% de conversão cambial fora do euro |
A quem se adequa: ao investidor em Portugal que quer uma entidade com presença local formal e prefere ter ações e CFDs sob o mesmo teto, com plena consciência da diferença entre os dois.
Veredicto: a entrada com a presença regulatória local mais explícita da lista, confirmada no próprio texto legal da empresa.
5. Trading 212 (Avaliação: 8,7/10)
A Trading 212 tornou-se conhecida pela facilidade de entrada e pelas frações de ação, que permitem comprar uma parte de um título caro em vez de uma unidade inteira.
Melhor para: quem começa com montantes pequenos e quer construir posição de forma gradual, incluindo frações de ação.
Estatuto regulatório em Portugal
Os clientes residentes na União Europeia, excetuando a Alemanha, são servidos pela Trading 212 Markets Ltd, sociedade cipriota autorizada pela CySEC com a licença 398/21, concedida em 1 de março de 2021 e ativa no registo público do supervisor cipriota, que lista Portugal entre os Estados-Membros onde a empresa presta serviços ao abrigo do passaporte europeu. A cobertura aplicável é a do Fundo de Compensação de Investidores cipriota, não a do Sistema de Indemnização aos Investidores português.
Acesso ao produto
Ações reais e ETFs, incluindo frações, com propriedade efetiva, mais uma oferta de CFDs mantida em conta separada. A separação entre a conta de investimento e a conta de CFDs é uma boa prática de desenho, porque evita que o utilizador confunda os dois produtos na mesma vista.
Características principais
- Ações reais e ETFs, incluindo frações de ação
- CFDs em conta separada da conta de investimento
- Aplicação móvel e plataforma de navegador desenhadas para principiantes
- Entidade cipriota autorizada pela CySEC, com passaporte para Portugal
- Investimento periódico automatizado
| Prós | Contras |
|---|---|
| Autorizada pela CySEC com a licença 398/21, verificável no registo público do supervisor | Cobertura pelo fundo cipriota de compensação de investidores, não pelo sistema português |
| Frações de ação, o que reduz o montante mínimo prático por posição | Sem entidade estabelecida em Portugal. O serviço é prestado ao abrigo do passaporte europeu |
| Conta de CFDs separada da conta de investimento, reduzindo o risco de confusão | A facilidade de entrada pode levar a negociar mais do que o adequado ao perfil |
| Interface simples, adequada a quem está a começar | Sem alterações para Portugal: comissão 0 €, custódia 0 €, câmbio 0,15% — a mesma tabela global |
A quem se adequa: a quem investe montantes pequenos com regularidade e quer uma interface simples, sem abdicar de ter as ações efetivamente em seu nome.
Veredicto: entrada sólida para começar, com a ressalva habitual de que a proteção regulatória é cipriota e a facilidade de utilização não reduz o risco do produto de CFDs.
6. Trade Republic (Avaliação: 8,6/10)
A Trade Republic é um banco alemão com licença bancária plena e é a entrada desta lista mais orientada para o investimento periódico e automatizado a partir do telemóvel.
Melhor para: quem quer aplicar um montante fixo todos os meses em ações e ETFs sem ter de tomar uma decisão de cada vez.
Estatuto regulatório em Portugal
O Trade Republic Bank GmbH é um banco autorizado na Alemanha, sob supervisão do BaFin, do Deutsche Bundesbank e do Banco Central Europeu, com licença bancária plena desde dezembro de 2023. Opera em Portugal através da Trade Republic Bank GmbH, Sucursal em Portugal, registada no Banco de Portugal sob o código n.º 0286 como sucursal de instituição de crédito da União Europeia, com atividade iniciada a 6 de julho de 2026, segundo o registo público do Banco de Portugal. A proteção de depósitos e a indemnização de investidores aplicáveis são as do sistema alemão.
Acesso ao produto
Ações reais, ETFs, obrigações e planos de poupança periódicos, com propriedade efetiva dos títulos. Não é uma corretora de CFDs, o que a torna uma escolha mais previsível para quem quer apenas investir. A existência de sucursal portuguesa traz uma vantagem prática concreta: acesso a IBAN português e custódia de instrumentos financeiros prestada localmente.
Características principais
- Ações reais, ETFs e obrigações, com propriedade efetiva
- Planos de poupança periódicos automatizados
- Banco com licença plena, sob supervisão do BaFin, do Bundesbank e do BCE
- Sucursal registada em Portugal, com IBAN português
- Aplicação móvel como interface principal
| Prós | Contras |
|---|---|
| Banco com licença plena, supervisionado pelo BaFin, pelo Bundesbank e pelo BCE | Proteção aplicável é a do sistema alemão, não a do Sistema de Indemnização aos Investidores português |
| Sucursal registada em Portugal, com IBAN português | Interface concebida sobretudo para telemóvel, com menos ferramentas de análise |
| Planos de poupança periódicos, úteis para investimento regular | Não oferece CFDs, pelo que não serve quem procura posições curtas |
| Ações, ETFs e obrigações com propriedade efetiva | Taxa de liquidação de 1 € por ordem (2 € se a bolsa escolhida usar Direct Price); a sucursal portuguesa só iniciou atividade a 6 de julho de 2026 |
A quem se adequa: a quem quer automatizar um plano de investimento mensal em ETFs e ações e prefere fazê-lo através de um banco com sucursal em Portugal.
Veredicto: a entrada mais adequada ao investidor periódico, com a vantagem prática de ter estabelecimento em Portugal e a limitação de ser uma plataforma pensada para o telemóvel.
7. Banco Carregosa, plataforma GoBulling (Avaliação: 8,4/10)
O Banco Carregosa é uma instituição de crédito portuguesa com uma casa de investimento a sério por trás, e a plataforma GoBulling é a sua interface de negociação. É a entrada da lista que combina banco nacional com ferramentas de negociação avançadas.
Melhor para: quem quer um intermediário estabelecido em Portugal, sujeito à supervisão nacional, mas não abdica de uma plataforma de negociação com profundidade.
Estatuto regulatório em Portugal
O Banco Carregosa é uma instituição de crédito constituída em Portugal, supervisionada pelo Banco de Portugal sob o registo n.º 0235 e registada na CMVM sob o n.º 0169 como intermediário financeiro, segundo a própria página institucional do banco. O que é relevante para o leitor não muda: por se tratar de uma entidade autorizada em Portugal, é participante do Sistema de Indemnização aos Investidores, com o limite de 25 000 euros por investidor, e as reclamações seguem para a CMVM.
Acesso ao produto
Ações reais e ETFs com propriedade efetiva, mais uma oferta de CFDs através da plataforma GoBulling. O acesso inclui a Euronext Lisbon, o que interessa a quem quer comprar ações portuguesas sem passar por um intermediário estrangeiro, e mercados internacionais.
Uma vantagem específica de ser cliente de um banco português
Duas coisas mudam quando o intermediário é uma entidade portuguesa. A primeira é a cobertura pelo Sistema de Indemnização aos Investidores nacional. A segunda é fiscal e administrativa: um intermediário residente em Portugal reporta à Autoridade Tributária, o que simplifica o preenchimento da declaração de IRS, enquanto os ganhos obtidos através de intermediários estrangeiros são normalmente declarados no Anexo J pelo próprio contribuinte. Isto não é aconselhamento fiscal, e a secção de fiscalidade mais abaixo desenvolve o ponto.
Características principais
- Instituição de crédito portuguesa, supervisionada pelo Banco de Portugal e registada na CMVM
- Ações reais e ETFs, incluindo Euronext Lisbon
- CFDs através da plataforma GoBulling
- Participação no Sistema de Indemnização aos Investidores português
- Atendimento e documentação em português, com entidade estabelecida no país
| Prós | Contras |
|---|---|
| Entidade portuguesa autorizada, registada no Banco de Portugal com o n.º 0235 e na CMVM com o n.º 0169 | Comissão na Euronext Lisboa de 7,50 € (ordens abaixo de 50.000 €) ou 0,08% (a partir desse valor), mais Imposto do Selo à taxa de 4% sobre a comissão |
| Acesso direto à Euronext Lisbon e a mercados internacionais | As comissões dos bancos portugueses acrescem de Imposto do Selo à taxa de 4 por cento sobre a comissão |
| Plataforma GoBulling com ferramentas de negociação de nível avançado | Estrutura de custos tipicamente mais elevada do que a das corretoras exclusivamente digitais |
| Reclamações encaminháveis para a CMVM | Nos EUA (NYSE/Nasdaq/AMEX), a comissão é de 0,03 USD por ação abaixo de 10 USD ou 0,05 USD acima, com mínimo de 12,50 USD por ordem |
A quem se adequa: ao investidor que dá prioridade à proteção regulatória portuguesa e ao reporte fiscal simplificado, e aceita pagar por isso.
Veredicto: a escolha mais completa entre as entidades portuguesas da lista.
8. Banco Best (Avaliação: 8,3/10)
O Banco Best é um banco português orientado para o investimento, com uma proposta que junta conta bancária, fundos de investimento e negociação de ações no mesmo sítio.
Melhor para: quem quer concentrar conta à ordem, fundos e ações numa única instituição portuguesa.
Estatuto regulatório em Portugal
O Banco Best é uma instituição de crédito constituída em Portugal, supervisionada pelo Banco de Portugal sob o registo n.º 0065 e registada na CMVM sob o n.º 285 como intermediário financeiro (também registado na ASF sob o n.º 408 268 350), segundo a própria página de documentação legal do banco. Sendo entidade autorizada em Portugal, é participante do Sistema de Indemnização aos Investidores, com o limite de 25 000 euros por investidor.
Acesso ao produto
Ações reais, ETFs e uma oferta ampla de fundos de investimento, com propriedade efetiva dos títulos. Não é uma casa de CFDs. Para o leitor que chegou a este artigo à procura de uma corretora da bolsa de valores no sentido clássico, ou seja, comprar ações e ficar com elas, esta é uma das entradas mais diretas da lista.
Características principais
- Ações reais e ETFs com propriedade efetiva
- Supermercado de fundos de investimento de várias gestoras
- Conta bancária e conta de investimento na mesma instituição
- Instituição portuguesa, participante do Sistema de Indemnização aos Investidores
- Reporte à Autoridade Tributária por intermediário residente
| Prós | Contras |
|---|---|
| Entidade portuguesa autorizada, registada no Banco de Portugal com o n.º 0065 e na CMVM com o n.º 285 | Comissão de 6,25 € + Imposto do Selo por ordem na Euronext Lisbon (até 20 ordens/mês via Internet e App), subindo para 5,25 € acima desse volume ou 8,90 € por outros canais |
| Oferta de fundos de investimento mais ampla do que a das corretoras digitais da lista | Sem oferta de CFDs, o que exclui quem procura posições curtas ou alavancadas |
| Conta bancária e investimento na mesma instituição | Comissões acrescidas de Imposto do Selo à taxa de 4 por cento |
| Plataforma, documentação e apoio integralmente em português | Nos mercados europeus e dos EUA, a comissão passa para 0,25% (mínimo 12 €) até 20 ordens/mês, ou 0,10% (mínimo 12 €) acima desse volume |
A quem se adequa: a quem quer investir em ações e fundos com um banco português e prefere a simplicidade administrativa de ter tudo na mesma casa.
Veredicto: entrada sólida e conservadora, adequada a quem valoriza a proteção nacional e a integração bancária mais do que o custo por ordem.
9. Banco Invest (Avaliação: 8,1/10)
O Banco Invest é um banco português especializado em investimento, com uma oferta que vai das ações aos produtos estruturados.
Melhor para: o investidor português que quer ações e ETFs mas também procura produtos estruturados e depósitos indexados.
Estatuto regulatório em Portugal
Segundo a informação legal publicada pela própria instituição, o Banco Invest S.A. está registado no Banco de Portugal com o código 0014 e na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários sob o n.º 0141. É, portanto, uma entidade autorizada em Portugal, participante do Sistema de Indemnização aos Investidores, com o limite de 25 000 euros por investidor, e as reclamações seguem para a CMVM.
Acesso ao produto
Ações reais e ETFs com propriedade efetiva, com acesso à Euronext Lisbon e a mercados internacionais, mais uma oferta de CFDs e de produtos estruturados. É uma das entradas com maior amplitude de instrumentos dentro do universo das entidades portuguesas.
Características principais
- Entidade portuguesa autorizada, registada no Banco de Portugal com o código 0014 e na CMVM sob o n.º 0141
- Ações reais e ETFs, incluindo Euronext Lisbon
- CFDs e produtos estruturados disponíveis
- Participação no Sistema de Indemnização aos Investidores português
- Reporte à Autoridade Tributária por intermediário residente
| Prós | Contras |
|---|---|
| Registos no Banco de Portugal e na CMVM publicados pela própria instituição e verificáveis | Comissões acrescidas de Imposto do Selo à taxa de 4 por cento |
| Coberto pelo Sistema de Indemnização aos Investidores português até 25 000 euros | Produtos estruturados exigem leitura atenta do documento de informação fundamental |
| Ações reais, ETFs, CFDs e estruturados na mesma instituição | Plataforma menos vocacionada para negociação intradiária do que a GoBulling ou o MetaTrader |
| Acesso à Euronext Lisbon com entidade residente | Comissão de 6,75 € por ordem até 50.000 € (0,05% acima desse valor) na Euronext Lisboa, mais 4% de Imposto do Selo sobre a comissão (segundo o preçário publicado em bancoinvest.pt) |
A quem se adequa: ao investidor português que quer amplitude de produto dentro de uma entidade nacional autorizada e reconhece a complexidade dos estruturados.
Veredicto: a entrada portuguesa com o estatuto regulatório mais bem documentado da lista, porque a própria instituição publica os dois números de registo.
10. eToro (Avaliação: 8,0/10)
A eToro é a plataforma desta lista com a interface mais orientada para o utilizador que está a começar, e é conhecida pela funcionalidade que torna visíveis as carteiras de outros utilizadores.
Melhor para: quem quer uma interface simples e valoriza poder ver como outros utilizadores estruturam as suas carteiras.
Estatuto regulatório em Portugal
Segundo a página de regulação publicada pela própria empresa, os clientes na União Europeia, incluindo Portugal, são servidos pela eToro (Europe) Ltd, autorizada e regulada pela Cyprus Securities and Exchange Commission com a licença 109/10. A mesma página indica que a cobertura do fundo cipriota de compensação de investidores vai até 20 000 euros para créditos relativos a produtos e serviços autorizados ao abrigo da eToro (Europe) Ltd. Não há cobertura pelo Sistema de Indemnização aos Investidores português.
Acesso ao produto e advertência de risco publicada
Ações reais e ETFs com propriedade efetiva, mais uma oferta de CFDs sobre ações, índices, matérias-primas e divisas. A própria eToro publica, nos seus materiais, a advertência de que 51 por cento das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro quando negoceiam CFDs com este fornecedor. Reproduzimos a figura porque é a própria empresa que a publica e porque diz mais sobre o risco do produto do que qualquer descrição em prosa. Esta é uma advertência exigida pelas regras europeias aplicáveis à comercialização de CFDs, e a percentagem varia entre fornecedores e ao longo do tempo.
Características principais
- Ações reais e ETFs com propriedade efetiva
- CFDs sobre ações, índices, matérias-primas e divisas
- Funcionalidade de cópia de carteiras de outros utilizadores
- Entidade cipriota autorizada pela CySEC com a licença 109/10
- Interface desenhada para utilizadores sem experiência prévia
| Prós | Contras |
|---|---|
| Autorizada pela CySEC com a licença 109/10, indicada pela própria empresa | A própria eToro publica que 51 por cento das contas não profissionais perdem dinheiro a negociar CFDs com o fornecedor |
| Ações reais e ETFs com propriedade efetiva | Cobertura pelo fundo cipriota até 20 000 euros, abaixo do limite de 25 000 euros do sistema português |
| Interface simples, adequada a quem está a começar | Copiar a carteira de outro utilizador não elimina o risco de perda nem torna a decisão adequada ao seu perfil |
| Ações e CFDs acessíveis na mesma aplicação | Desde outubro de 2024, a compra de ações reais deixou de ser gratuita: aplica-se uma comissão fixa de 1 USD por operação (2 USD nalgumas bolsas asiáticas e do Médio Oriente), tanto na abertura como no fecho da posição; os ETF continuam sem comissão. Os custos de conversão cambial “variam consoante a localização, o método de pagamento e o nível de Clube”, sem uma percentagem fixa publicada |
A quem se adequa: a quem quer uma primeira plataforma simples para comprar ações e ETFs, com consciência de que a componente de CFDs é um produto muito mais arriscado e de que a facilidade da interface não altera esse risco.
Veredicto: boa porta de entrada pela simplicidade, com a advertência publicada pela própria empresa a merecer leitura antes de qualquer utilização da componente de CFDs.
Como selecionámos as corretoras
Uma lista ordenada só é útil se disser quem definiu os critérios e com que peso. A nossa ponderação é a seguinte.
| Critério | Peso | O que medimos |
|---|---|---|
| Acesso ao produto e amplitude de mercados | 25 % | Número de mercados e instrumentos, presença de ações reais, ETFs e derivados |
| Transparência da estrutura de contas e de custos publicados | 25 % | Existência de spreads, comissões e depósitos mínimos publicados e verificáveis na fonte primária |
| Plataformas e ferramentas | 20 % | Plataformas de escritório, navegador e telemóvel, tipos de ordem, ferramentas de análise |
| Estatuto regulatório e proteção do investidor | 20 % | Autorização aplicável a um residente em Portugal, participação em sistema de indemnização, canal de reclamação |
| Adequação ao mercado português | 10 % | Documentação e apoio em português, acesso à Euronext Lisbon, reporte fiscal |
A consequência desta ponderação, dita sem rodeios
Com estes pesos, a VT Markets fica em primeiro lugar, sobretudo pelos dois primeiros critérios. Se invertêssemos a ponderação e déssemos ao estatuto regulatório e à proteção do investidor o peso dominante, por exemplo 50 por cento, a VT Markets desceria para o último lugar desta lista, porque é a única entrada sem autorização na União Europeia e sem cobertura por qualquer sistema de indemnização acessível a um residente em Portugal. O primeiro lugar passaria para a Interactive Brokers Ireland ou para uma das entidades portuguesas, consoante se valorizasse mais a amplitude de mercados ou a proximidade da supervisão nacional.
Dizemos isto porque é verdade e porque o leitor deve poder refazer a conta com os seus próprios pesos. Uma classificação não é um facto sobre o mundo. É o resultado de uma escolha de critérios, e a escolha é nossa.
O que não fizemos
Não usámos dados de sites de comparação nem de programas de afiliação. Cada estatuto regulatório desta lista foi retirado da página legal da própria entidade ou do registo público do regulador de origem. Os pontos indicados foram confirmados diretamente nas páginas dos próprios operadores.
CFDs sobre ações e compra direta de ações comparados
Esta é a tabela que resolve a dúvida com que a maioria dos leitores chega aqui.
| Característica | Compra direta de ações | CFD sobre ações |
|---|---|---|
| É dono da ação? | Sim. Os títulos ficam registados em conta de custódia em seu nome | Não. É um contrato sobre a diferença de preço, sem transferência de propriedade |
| Tem direitos de acionista e dividendos? | Sim. Direito a dividendos e, consoante o título, direito de voto | Não há direitos de acionista. Alguns intermediários aplicam um ajustamento de caixa quando o subjacente paga dividendo |
| Alavancagem | Não existe alavancagem embutida no instrumento | Sim, até 5:1 numa ação individual para investidor não profissional na UE |
| Posições curtas | Não, salvo através de instrumentos separados | Sim, é uma característica central do produto |
| Custo de manter a posição | Comissão de custódia, quando aplicável | Custo de financiamento por cada noite em que a posição fica aberta |
| Custos de entrada e saída | Comissão de negociação, acrescida de Imposto do Selo, mais custo de câmbio se aplicável | Diferencial entre compra e venda, e comissão quando aplicável |
| Encerramento automático | Não. A posição mantém-se independentemente da variação de preço | Sim. Encerramento por margem quando os fundos descem abaixo de 50 % da margem inicial exigida, na UE |
| Horizonte a que se destina | Médio e longo prazo | Curto prazo |
| Em caso de insolvência do intermediário | Os títulos são seus e estão segregados, sujeitos ao regime de custódia aplicável | O seu crédito é um crédito sobre a empresa |
| Perfil de risco | Risco de mercado, sem alavancagem | Risco de mercado amplificado por alavancagem, com possibilidade de perda rápida do capital |
Nenhuma linha desta tabela diz que um dos produtos é melhor. Dizem que são coisas diferentes. O erro caro é escolher o CFD julgando que se está a comprar a ação.
Quanto custa realmente investir em ações em Portugal
O custo por ordem que aparece em destaque num preçário raramente é o custo total. Em Portugal há quatro camadas, e uma delas é específica do país e passa quase sempre despercebida nas comparações internacionais.
Camada 1: a comissão de negociação
É o valor cobrado por executar a ordem. Pode ser um valor fixo, uma percentagem do montante, ou uma percentagem com mínimo e máximo. Compare sempre com o mesmo montante de ordem em mente, porque um preçário fixo e um preçário percentual trocam de posição consoante o valor investido.
Camada 2: o Imposto do Selo, o custo português que quase ninguém compara
Este é o ponto que distingue uma comparação feita para Portugal de uma comparação genérica traduzida.
As comissões e contraprestações por serviços financeiros estão sujeitas a Imposto do Selo à taxa de 4 por cento, ao abrigo da verba 17.3.4 da Tabela Geral do Imposto do Selo. É por isso que os preçários das instituições portuguesas apresentam habitualmente as comissões seguidas da menção “acresce Imposto do Selo” ou simplesmente “+ IS”.
O efeito é simples de calcular e fácil de ignorar.
| Comissão anunciada | Imposto do Selo a 4 % | Custo efetivo da comissão |
|---|---|---|
| 2,00 € | 0,08 € | 2,08 € |
| 5,00 € | 0,20 € | 5,20 € |
| 10,00 € | 0,40 € | 10,40 € |
| 25,00 € | 1,00 € | 26,00 € |
Isoladamente, oito cêntimos não decidem nada. O efeito acumula-se em duas dimensões. Primeiro, o imposto incide em cada ordem, de compra e de venda, e uma carteira construída com aportes mensais faz muitas ordens pequenas. Segundo, incide também sobre outras comissões de serviço financeiro, incluindo, consoante o preçário, a comissão de custódia periódica. Uma comparação que ponha lado a lado uma comissão portuguesa sem imposto e uma comissão estrangeira está a comparar duas coisas que não são a mesma.
Há uma nuance importante que vale a pena esclarecer. O artigo 4.º, n.º 2, alínea c), do Código do Imposto do Selo estende expressamente a incidência às comissões cobradas por instituições de crédito ou sociedades financeiras sediadas no estrangeiro a entidades domiciliadas em Portugal — ou seja, o facto de o intermediário ser uma entidade estrangeira sem sucursal em Portugal não o retira do âmbito do imposto: é a residência do cliente português que fixa a conexão territorial. Na prática, é a entidade estrangeira quem fica obrigada a liquidar o imposto, mas o encargo económico é repercutido no cliente português. Confirme sempre o tratamento aplicável ao seu caso com um contabilista certificado ou com a Autoridade Tributária.
Camada 3: a custódia e a inatividade
Muitas instituições cobram uma comissão periódica de registo e depósito de instrumentos financeiros, calculada sobre o valor da carteira ou por linha de título. Outras cobram comissão de inatividade quando não há movimentos durante um período. São custos que não aparecem no momento da compra e que, numa carteira mantida durante anos, podem superar largamente as comissões de negociação.
Camada 4: o câmbio
Comprar uma ação norte-americana a partir de uma conta em euros implica uma conversão cambial, e a margem aplicada nessa conversão é um custo real, ainda que raramente apareça como linha separada. Contas multimoeda, como a da Interactive Brokers Ireland, permitem manter saldos em dólares e evitar converter em cada operação, o que muda a conta para quem negoceia com frequência fora da zona euro.
A proteção que existe, e o que ela cobre
O Sistema de Indemnização aos Investidores funciona junto da CMVM e cobre créditos de investidores sobre entidades participantes que deixaram de ter meios para restituir o dinheiro ou os instrumentos financeiros detidos por conta do cliente.
| Aspeto | O que se aplica |
|---|---|
| Limite de cobertura | 25 000 euros por investidor |
| Base do limite | Por investidor, não por conta. Em contas conjuntas aplica-se por titular |
| O que cobre | Incapacidade da entidade participante de restituir dinheiro ou instrumentos financeiros do cliente |
| O que não cobre | Perdas de mercado. Se a ação desvalorizou, o sistema não indemniza |
| Prazo de pagamento | Por regra até três meses após a determinação do montante, extensível até seis em situações excecionais |
| Entidades abrangidas | Entidades participantes. Entidades de países terceiros, como a VT Markets, não estão abrangidas |
Vale a pena reter a linha do meio. O sistema existe para o caso de a instituição falhar, não para o caso de o investimento correr mal. Nenhum sistema de indemnização protege contra a variação de preço de um ativo.
Fiscalidade das mais-valias em ações em Portugal
Isto não é aconselhamento fiscal. É uma descrição das normas aplicáveis, com indicação dos artigos. A sua situação concreta depende do seu rendimento, do seu agregado, do tempo de detenção dos títulos e da residência fiscal. Consulte um contabilista certificado ou a Autoridade Tributária e Aduaneira antes de tomar decisões.
A taxa base: 28 por cento
O saldo positivo entre mais-valias e menos-valias resultante das operações previstas nas alíneas b), c), e), f), g), h) e k) do n.º 1 do artigo 10.º do Código do IRS é tributado à taxa autónoma de 28 por cento, nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 72.º do Código do IRS. As alíneas abrangidas incluem a alienação onerosa de partes sociais e os ganhos com instrumentos financeiros derivados, ou seja, tanto a venda de ações como os resultados de CFDs caem no mesmo regime de saldo anual.
A opção pelo englobamento
O n.º 13 do artigo 72.º permite que estes rendimentos sejam englobados por opção do titular residente em território português. Englobar significa somar o rendimento aos restantes e sujeitá-lo às taxas gerais e progressivas do artigo 68.º, em vez da taxa autónoma de 28 por cento. Para quem tem rendimento tributável baixo, o englobamento pode resultar em imposto inferior. Para quem tem rendimento elevado, resulta quase sempre em imposto superior. A opção é anual e abrange a totalidade dos rendimentos da mesma natureza, pelo que não se pode englobar apenas a parte que convém.
O englobamento obrigatório dos ganhos de curto prazo
Há uma regra que apanha investidores desprevenidos. O n.º 14 do artigo 72.º prevê o englobamento obrigatório do saldo das mais-valias relativas a ativos detidos por menos de 365 dias, quando o sujeito passivo tem rendimento coletável que atinge o valor do último escalão da tabela do artigo 68.º. Por outras palavras, para quem está no escalão mais alto, os ganhos de curto prazo deixam de beneficiar da taxa autónoma e passam a ser tributados às taxas progressivas.
A redução por tempo de detenção
O artigo 43.º do Código do IRS prevê exclusões de tributação em função do período de detenção do ativo:
| Período de detenção | Parte do rendimento excluída de tributação |
|---|---|
| Superior a 2 anos e inferior a 5 anos | 10 % |
| Igual ou superior a 5 anos e inferior a 8 anos | 20 % |
| Igual ou superior a 8 anos | 30 % |
O n.º 3 do mesmo artigo prevê ainda que o saldo relativo a micro e pequenas empresas não cotadas seja considerado em 50 por cento do seu valor.
Uma ressalva de método, para não induzir ninguém em erro: estas exclusões por tempo de detenção não se aplicam a resultados de CFDs, e isto está confirmado, não é apenas cautela. O artigo 10.º do Código do IRS separa as duas categorias por alínea distinta: ações e outros valores mobiliários na alínea b), instrumentos financeiros derivados (onde se incluem os CFDs) na alínea e), com regras de cálculo diferentes para cada uma — valor de realização menos valor de aquisição para os valores mobiliários, resultado líquido anual das operações para os derivados. Qualquer regra de exclusão por tempo de detenção aplicável a ações está textualmente confinada à alínea b) e nunca se estendeu à alínea e) (segundo o texto consolidado do Código do IRS).
A parte administrativa: onde se declara
Um intermediário residente em Portugal reporta as operações à Autoridade Tributária, e os elementos aparecem normalmente pré-preenchidos ou facilmente reconciliáveis. Ganhos obtidos através de intermediários estrangeiros, incluindo a maioria das entradas desta lista, são declarados pelo próprio contribuinte, normalmente no Anexo J da declaração de IRS, que respeita a rendimentos obtidos no estrangeiro. Isto significa guardar os extratos anuais, converter valores para euros e reconciliar operações. É trabalho, e é um custo escondido de escolher um intermediário estrangeiro que raramente entra nas comparações de comissões.
Como escolher a melhor corretora de valores: guia passo a passo
Passo 1: decida primeiro se quer ser dono das ações
Esta decisão vem antes de olhar para qualquer comissão, porque elimina metade das opções logo à partida. Se o objetivo é construir uma carteira, receber dividendos e manter posições durante anos, precisa de um intermediário que execute compra direta e registe os títulos em seu nome. Se o objetivo é exposição de curto prazo, incluindo posições curtas, o CFD é o instrumento desenhado para isso, com um perfil de risco substancialmente mais elevado. Escolher a plataforma antes de responder a esta pergunta é a origem da maioria dos enganos que se veem em fóruns de investidores.
Passo 2: verifique o estatuto regulatório na fonte, não na comparação
Não aceite a palavra de um artigo, incluindo este. Vá à página de informação legal da própria entidade e procure o nome jurídico completo, o regulador e o número de registo. Depois confirme esse número no registo público do regulador. Para entidades portuguesas, o registo relevante é o da CMVM e o do Banco de Portugal. Para entidades estrangeiras que servem Portugal, o registo é o do país de origem, e a entidade deve constar como autorizada a prestar serviços em Portugal, seja através de sucursal, seja em livre prestação de serviços.
Três perguntas que resolvem quase tudo: qual é a entidade jurídica com quem vou contratar, qual o regulador que a autoriza, e qual o sistema de indemnização a que essa entidade pertence.
Passo 3: calcule o custo total para o seu padrão de utilização
Não compare comissões unitárias. Faça uma simulação com o seu padrão real. Quantas ordens por ano, de que montante médio, em que mercados, em que moedas, e mantidas durante quanto tempo. Depois some as quatro camadas: comissão de negociação, Imposto do Selo a 4 por cento sobre as comissões nas situações em que incide, comissão de custódia ou de inatividade, e custo de conversão cambial. Um preçário que parece caro por ordem pode ser mais barato ao ano para quem faz poucas ordens grandes, e o inverso também é verdade.
Passo 4: confirme que a plataforma cobre os mercados que quer
Nem todos os intermediários dão acesso à Euronext Lisbon, e nem todos dão acesso aos mesmos mercados internacionais. Se quer comprar ações portuguesas, verifique explicitamente que a Euronext Lisbon está na lista. Se quer ETFs domiciliados na Irlanda ou no Luxemburgo, verifique que estão disponíveis. Verifique também os tipos de ordem, porque a ausência de uma ordem com limite de perdas muda a forma como pode gerir uma posição.
Passo 5: teste antes de comprometer capital
Abra a conta e faça uma primeira operação de valor reduzido, ou use uma conta de demonstração quando exista, como a conta de demonstração da VT Markets. O que se está a testar não é a rentabilidade. É a mecânica: quanto tempo demora um depósito a ficar disponível, o que aparece efetivamente no extrato, quanto custou realmente a operação depois de todas as linhas, e quanto tempo demora o apoio ao cliente a responder em português. Estas coisas só se sabem por experiência direta e não constam de nenhum preçário.
Cinco dicas práticas
1. Leia o documento de informação fundamental antes do preçário. Para produtos complexos, incluindo CFDs e produtos estruturados, o documento de informação fundamental resume o funcionamento, o perfil de risco e os custos num formato normalizado. É mais informativo do que qualquer página de marketing e é obrigatório.
2. Guarde os extratos anuais desde o primeiro ano. Se usar um intermediário estrangeiro, vai precisar deles para preencher o Anexo J. Reconstruir três anos de operações a partir de uma exportação parcial é um trabalho desagradável e evitável.
3. Trate a conversão cambial como um custo, não como um detalhe. Se investe regularmente em ações norte-americanas a partir de euros, o custo de câmbio acumulado ao longo de anos pode superar as comissões de negociação. Uma conta multimoeda muda essa conta.
4. Não confunda facilidade de utilização com baixo risco. Uma aplicação simples e agradável de usar não altera o risco do produto que está por trás. A advertência publicada pela eToro, de que 51 por cento das contas de investidores não profissionais perdem dinheiro a negociar CFDs com o fornecedor, existe precisamente porque o produto é difícil, não porque a aplicação seja.
5. Se usar alavancagem, dimensione a posição pela perda que consegue suportar. Com o limite de 5:1 aplicável a uma ação individual na União Europeia, uma variação adversa de 20 por cento no preço do subjacente consome a totalidade da margem inicial dessa posição. A alavancagem amplia tanto os ganhos como as perdas, e a conta faz-se antes de abrir a posição, não depois.
Veredicto final: que corretora de valores escolher
Não há uma resposta única, e desconfie de quem der uma. Há uma resposta por perfil.
Se quer ser acionista e construir uma carteira de longo prazo, as entradas relevantes são a Interactive Brokers Ireland, a DEGIRO, a Trade Republic, a XTB e a Trading 212 entre as internacionais, e o Banco Best, o Banco Invest e o Banco Carregosa entre as portuguesas. Todas dão propriedade efetiva dos títulos.
Se dá prioridade à proteção regulatória portuguesa, a escolha estreita-se às entidades autorizadas em Portugal, ou seja, o Banco Best, o Banco Invest e o Banco Carregosa, participantes do Sistema de Indemnização aos Investidores com o limite de 25 000 euros, mais a XTB, que tem sucursal inscrita na CMVM.
Se investe em vários mercados e várias moedas, a Interactive Brokers Ireland é a entrada com maior amplitude e conta multimoeda, dentro de uma entidade autorizada na União Europeia.
Se quer investir montantes pequenos com regularidade, a Trading 212 e a Trade Republic estão desenhadas para isso, uma pelas frações de ação e outra pelos planos de poupança automatizados.
Se negoceia a curto prazo dentro do MetaTrader e compreende que está a negociar um derivado e não a comprar títulos, a VT Markets é a entrada com maior catálogo de CFDs sobre ações da lista. Nesse caso, e é a última vez que o dizemos porque é o ponto que mais importa: não é acionista, não há cobertura do sistema português de indemnização, e a entidade que o serviria não está autorizada na União Europeia.
Conhecer as plataformas e as contas da VT Markets
Conheça as plataformas e as contas da VT Markets A VT Markets disponibiliza várias plataformas e tipos de conta para negociação de CFDs. Pode negociar através do MetaTrader 4 (MT4), MetaTrader 5 (MT5) e da aplicação VT Markets, ou praticar primeiro com uma conta de demonstração utilizando fundos virtuais. A página de CFDs sobre ações apresenta os mercados disponíveis, enquanto a tabela de contas explica as opções Standard STP, Raw ECN, PRO ECN, Cent e Swap Free. Também pode consultar o Centro de Ajuda e a página institucional para obter mais informações.
Abra hoje uma conta na VT Markets para aceder às suas plataformas de negociação e aos mercados globais de CFDs.
Perguntas frequentes
1. Qual é a melhor corretora de valores em Portugal em 2026?
Depende do que procura. Nesta análise de dez intermediários, a VT Markets ficou em primeiro lugar com 9,6/10 segundo uma ponderação que valoriza sobretudo o acesso ao produto, a transparência das contas e as plataformas, mas oferece CFDs sobre ações e não ações reais, e não tem licença na União Europeia. Se a proteção do investidor tivesse o maior peso, o primeiro lugar seria da Interactive Brokers Ireland ou de uma entidade portuguesa autorizada.
2. Qual é a diferença entre uma corretora de valores e um intermediário financeiro?
Na prática, nenhuma. “Corretora de valores” e “corretoras da bolsa de valores” são as expressões correntes na linguagem comum e na pesquisa. “Intermediário financeiro” é o termo técnico usado na legislação portuguesa e nos registos da CMVM, e abrange bancos, sociedades corretoras e empresas de investimento estrangeiras autorizadas a operar em Portugal.
3. Que corretoras da lista dão ações reais e não apenas CFDs?
Nove das dez: Interactive Brokers Ireland, DEGIRO, XTB, Trading 212, Trade Republic, Banco Carregosa, Banco Best, Banco Invest e eToro. A VT Markets é a única entrada exclusivamente de CFDs, ou seja, dá exposição ao preço sem qualquer propriedade do título.
4. A VT Markets está autorizada pela CMVM?
Não. A VT Markets não detém licença de investimento na União Europeia nem no Espaço Económico Europeu e não está autorizada pela CMVM. As entidades do grupo estão registadas junto da FSCA em África do Sul, da FSC nas Maurícias e da Capital Markets Authority no Dubai. A entidade cipriota do grupo declara expressamente dedicar-se apenas a pagamentos e não prestar serviços financeiros regulados.
5. Quanto cobre o Sistema de Indemnização aos Investidores?
O limite é de 25 000 euros por investidor, e não por conta. Em contas conjuntas aplica-se por titular. O sistema funciona junto da CMVM e cobre a incapacidade de uma entidade participante restituir dinheiro ou instrumentos financeiros do cliente. Não cobre perdas de mercado. Se o valor do investimento desceu, o sistema não indemniza.
6. Qual é a alavancagem máxima num CFD sobre ações em Portugal?
Para um investidor não profissional, é de 5:1 numa ação individual, o que corresponde a uma margem inicial de 20 por cento. O limite decorre das medidas de intervenção sobre produtos da ESMA, tornadas permanentes em Portugal pelo Regulamento da CMVM n.º 5/2019, de 28 de junho. Alguns intermediários publicam valores mais elevados, aplicáveis a jurisdições fora da União Europeia. Esses valores não estão disponíveis a um residente em Portugal. A alavancagem amplia tanto os ganhos como as perdas.
7. Como são tributadas as mais-valias em ações em Portugal?
O saldo positivo entre mais-valias e menos-valias é tributado à taxa autónoma de 28 por cento, nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 72.º do Código do IRS, com opção de englobamento prevista no n.º 13 do mesmo artigo. O artigo 43.º prevê exclusões de 10, 20 e 30 por cento do rendimento consoante o ativo seja detido há mais de 2, 5 ou 8 anos. Isto não é aconselhamento fiscal: confirme a sua situação com um contabilista certificado ou com a Autoridade Tributária e Aduaneira.
8. O que é o Imposto do Selo sobre as comissões de corretagem?
As comissões e contraprestações por serviços financeiros estão sujeitas a Imposto do Selo à taxa de 4 por cento, ao abrigo da verba 17.3.4 da Tabela Geral do Imposto do Selo. É por isso que os preçários portugueses indicam frequentemente “acresce Imposto do Selo” ou “+ IS”. Uma comissão de 5,00 euros custa efetivamente 5,20 euros. Incide em cada ordem e, consoante o preçário, também sobre a comissão de custódia.
9. Preciso de declarar no Anexo J se usar uma corretora estrangeira?
Rendimentos obtidos no estrangeiro são declarados pelo próprio contribuinte, normalmente no Anexo J da declaração de IRS. Um intermediário residente em Portugal reporta as operações à Autoridade Tributária, o que simplifica o processo. É um custo administrativo real de escolher um intermediário estrangeiro, e raramente entra nas comparações de comissões. Confirme o seu caso concreto com um profissional.
10. Posso perder mais do que depositei ao negociar CFDs?
Nas entidades autorizadas na União Europeia aplica-se a proteção contra saldo negativo, que limita a responsabilidade total associada a CFDs numa conta aos fundos existentes nessa conta, e o encerramento por margem quando os fundos descem abaixo de 50 por cento da margem inicial exigida. Estas proteções vinculam empresas autorizadas na UE. Numa entidade de país terceiro, deve confirmar diretamente com o intermediário se se aplicam por via contratual.
11. Uma corretora estrangeira com passaporte europeu é menos segura do que um banco português?
Não é uma questão de mais ou menos segura, é uma questão de qual o sistema aplicável. Uma entidade autorizada noutro Estado-Membro está sujeita à supervisão do seu país de origem e ao sistema de indemnização desse país, não ao Sistema de Indemnização aos Investidores português. Uma entidade portuguesa está sob supervisão da CMVM e do Banco de Portugal, participa no sistema nacional e as reclamações seguem para a CMVM. Uma entidade de país terceiro, sem autorização na União Europeia, não beneficia de nenhum destes regimes.
12. Vale a pena ter conta em mais do que uma corretora?
É uma decisão pessoal, não uma recomendação. Há argumentos práticos a favor, como o limite de 25 000 euros por investidor do sistema português, o acesso a mercados que um único intermediário não cobre e a redundância operacional se uma plataforma ficar indisponível. Há argumentos contra, como a duplicação de comissões fixas e de custódia e o trabalho acrescido no reporte fiscal. Faça a conta com o seu padrão de utilização.
Aviso de risco e aviso geral
Aviso de risco: Negociar Contratos por Diferença (CFDs) envolve um alto nível de risco e pode não ser adequado para todos os investidores. O uso de alavancagem pode aumentar significativamente os ganhos e as perdas e pode resultar em perdas que excedam o seu investimento inicial. Antes de se envolver na negociação de CFDs, deve assegurar-se de que compreende totalmente os riscos envolvidos, considerar cuidadosamente os seus objetivos de investimento, situação financeira e nível de experiência, e procurar aconselhamento independente, se necessário. O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. Por favor, consulte os nossos documentos legais para uma visão geral compreensiva dos riscos associados à negociação de CFDs.
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