
Pontos-chave
- A ação SBUX voltou a chamar atenção depois que a Starbucks superou as expectativas do 2º trimestre do ano fiscal de 2026 e aumentou a projeção para o ano todo (orientação, isto é, a previsão oficial que a empresa dá ao mercado).
- O plano de recuperação “Back to Starbucks” (volta às origens) está melhorando o fluxo de clientes, as vendas e a interação com a marca, principalmente nos EUA.
- As margens (parte do faturamento que vira lucro) seguem como o principal risco, porque gastos com funcionários, preço do café, tarifas de importação e a “mistura” de produtos vendidos (mix, ou seja, o que vende mais e o que vende menos) reduzem a rentabilidade.
- A próxima fase da ação SBUX depende de a Starbucks conseguir transformar vendas mais fortes em crescimento mais claro de lucro.
Ação SBUX se recupera com sinais reais de virada
A ação SBUX voltou ao radar dos investidores porque a Starbucks entregou um resultado típico de história de recuperação: vendas mais fortes, mais movimento nas lojas (tráfego), projeções mais altas e sinais de que os clientes estão voltando.
Por meses, a dúvida era simples: o plano de recuperação de Brian Niccol sairia do papel e apareceria nos números? O último trimestre sugere que sim, pelo menos por enquanto.
A Starbucks reportou crescimento de 6,2% nas vendas de lojas comparáveis no mundo no 2º tri do ano fiscal de 2026, acima do que o mercado esperava (cerca de 3,7%). “Lojas comparáveis” significa comparar lojas que já existiam antes, para medir melhora real, sem o efeito de novas aberturas. A receita subiu 9%, para US$ 9,5 bilhões, enquanto o lucro ajustado ficou em US$ 0,50 por ação, acima do esperado (em torno de US$ 0,43). “Ajustado” quer dizer um número “limpo”, que tira itens excepcionais para mostrar melhor o desempenho do dia a dia. A empresa também elevou a projeção para 2026, agora esperando crescimento de 5% ou mais nas vendas de lojas comparáveis no mundo e nos EUA, com lucro por ação ajustado entre US$ 2,25 e US$ 2,45.

Fonte: Starbucks
Isso é um cenário melhor do que o mercado tinha antes do resultado. Nos últimos dois anos, a Starbucks enfrentou menos movimento nas lojas, problemas de execução (fazer o plano funcionar na prática), incerteza na China e dúvidas se a marca perdeu parte do apelo no dia a dia. Os números não apagam esses pontos, mas trazem algo mais concreto para o mercado avaliar.
Para quem acompanha a ação SBUX, a questão já não é se existe uma história de recuperação. Existe. A pergunta é se o preço da ação já embutiu (precificou) otimismo demais antes de as margens melhorarem.
O movimento nos EUA é o sinal mais claro
A parte mais forte do relatório veio dos EUA. As vendas de lojas comparáveis na América do Norte subiram 7,1%, com mais compras (mais transações) e mais clientes ativos. Isso importa porque uma virada baseada só em aumentar preço é frágil. Uma virada baseada em mais gente voltando às lojas é mais sólida.
A Starbucks tem focado em velocidade, equipe suficiente (staffing, isto é, ter gente o bastante), padrão de serviço e experiência na loja no plano “Back to Starbucks”. A Reuters informou que as visitas de consumidores subiram 5,9% e que cerca de 80% das lojas atingiram metas de atendimento (benchmarks, ou “padrões” de serviço). Isso indica que a empresa não só vende mais bebidas, como também reduz atritos (problemas que irritam o cliente) que vinham afetando a marca.
Para a ação SBUX, o dado mais importante é o tráfego: mais pessoas entrando na loja pode sustentar a receita, melhorar a confiança na marca e dar espaço para recuperar margens com o tempo. Se o número de transações continuar subindo, o mercado pode ter mais paciência enquanto a empresa gasta mais com funcionários e operação.
O risco é que as expectativas subam rápido. Quando o mercado passa de “não acredito” para “acredito”, cada trimestre vira uma prova. A Starbucks mostrou que o cliente pode voltar. Agora precisa mostrar que o ritmo continua.
O teste de margem continua
O cenário positivo para a ação SBUX melhorou, mas as margens seguem sob pressão.
A margem operacional (lucro da operação, antes de itens financeiros e impostos) da Starbucks na América do Norte caiu para 9,9%, ante 11,6% no ano anterior. A empresa atribuiu a queda a mais gastos com equipe, mudanças no que vende mais (mix), tarifas de importação e café mais caro. O ganho com mais vendas ajudou (alavancagem operacional, ou seja, quando vender mais dilui parte dos custos), mas não compensou tudo.
Isso deixa o investidor numa situação conhecida: a empresa gasta para consertar o negócio, e esse gasto pode ser necessário. Mais gente na operação pode acelerar o atendimento, reduzir reclamações e ajudar a aumentar as transações. Mas, em algum momento, o mercado quer ver esse gasto virar lucro.
Aqui a ação SBUX pode oscilar mais. Se as vendas continuarem acima do esperado, mas as margens seguirem fracas, o mercado pode apoiar a recuperação, porém com menos força. Se vendas e margens melhorarem juntas, fica mais fácil justificar o preço da ação (valuation, isto é, a avaliação de quanto a ação “vale”).
Os próximos trimestres devem mostrar se a Starbucks está comprando crescimento com menos lucro, ou preparando um ciclo de lucros mais duradouro.
O mercado chinês ainda precisa de um ajuste mais claro
As redes chinesas de café mudaram a competição. Luckin, Cotti, Lucky Cup e outras marcas locais pressionam com preços mais baixos, lojas menores, pedidos pelo app e expansão rápida. Isso transformou o café em uma compra mais “do dia a dia” para muitos jovens, e menos em um gasto de “marca premium”.
Analistas também alertam que, para vencer fora da China, essas marcas vão precisar de mais do que preço baixo: qualidade, adaptação ao gosto local (localização) e experiência do consumidor ficam mais importantes. Para a Starbucks, o desafio é duplo: manter a imagem premium na China e competir num mercado em que preço e rapidez pesam mais.
O último trimestre mostrou melhora, mas ainda não dá para chamar de recuperação firme. O negócio internacional se beneficiou de mais eficiência com o volume de vendas e de efeitos contábeis ligados a ativos na China classificados como “mantidos para venda” (ou seja, itens que a empresa pretende vender e que passam a ter um tratamento específico na contabilidade). Mesmo assim, a demanda na China ainda exige atenção.
Para a ação SBUX, a China importa porque pode mudar o potencial de crescimento no longo prazo e o “múltiplo” (quanto o mercado paga por cada unidade de lucro). Uma recuperação forte nos EUA ajuda no curto prazo, mas uma China estável fortalece a história global. Se a China continuar fraca, o mercado pode ver a Starbucks mais como uma empresa madura de consumo nos EUA do que como uma companhia global que cresce de forma consistente.
Isso não derruba a tese de recuperação. Só indica que o mercado pode exigir mais provas antes de pagar um múltiplo maior.
Por que a ação SBUX pode continuar em foco
A ação SBUX pode continuar movimentada porque o resultado dá munição para os otimistas e para os céticos.
O argumento otimista é direto: a Starbucks voltou a crescer, o movimento nas lojas melhora, a projeção subiu e o ajuste operacional parece adiantado. A Barron’s destacou que este foi o primeiro crescimento de lucro ano contra ano desde o 4º tri de 2023, um marco claro na recuperação.
O argumento cauteloso é igualmente claro: a ação já reagiu às boas notícias, não está mais barata, e a pressão nas margens ainda deixa o caminho do lucro menos previsível. Um trimestre forte de vendas ajuda, mas não responde totalmente se a Starbucks consegue proteger a rentabilidade pagando mais por funcionários, lidando com custos maiores de insumos (matérias-primas) e disputando mais o gasto diário do consumidor.
Esse equilíbrio torna a ação SBUX uma aposta seletiva de recuperação, e não um caso simples de “ação barata”. A virada avançou, mas a margem ainda precisa acompanhar.
O que traders devem acompanhar agora
Traders (operadores de curto prazo) devem focar em três sinais.
Primeiro: crescimento de transações nos EUA. Se o cliente continuar voltando, a recuperação continua.
Segundo: margem operacional na América do Norte. A Starbucks precisa mostrar que vender mais pode virar mais lucro.
Terceiro: notícias sobre a China. Uma China mais estável ajuda a tese de crescimento no longo prazo; mais fraqueza pode limitar a alta do preço da ação.
Perguntas de traders
Por que a ação SBUX se mexe após o resultado?
A ação SBUX se mexe porque a Starbucks trouxe números acima do esperado no 2º tri do ano fiscal de 2026: vendas de lojas comparáveis mais fortes, receita maior, lucro ajustado por ação mais alto e projeção do ano elevada.
A recuperação da Starbucks está funcionando?
Os primeiros sinais indicam que sim. O movimento nas lojas dos EUA melhorou, as vendas de lojas comparáveis voltaram a crescer e os padrões de atendimento ficaram mais fortes. O próximo teste é recuperar margens enquanto continua investindo na operação das lojas.
Qual é o principal risco para a ação SBUX?
O principal risco é a pressão nas margens (quanto sobra de lucro). A Starbucks gasta mais com funcionários e operação, e ainda enfrenta café mais caro, tarifas de importação e mudanças no mix de produtos. Se as margens não melhorarem, a recuperação da ação pode perder força.
Quão importante é a China para a ação da Starbucks?
A China segue importante porque influencia a história de crescimento de longo prazo. Uma recuperação mais forte na China pode sustentar uma avaliação mais alta da ação, enquanto demanda fraca ou competição local mais dura pode limitar a alta.
Vale comprar SBUX após o resultado?
A ação SBUX parece mais atraente do que antes do resultado, mas ainda tem risco. A melhora nas vendas é um bom sinal, porém muitos investidores vão querer ver margens mais claras antes de considerar a virada totalmente confirmada.
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