This website is for a different region.

The content here might not be relevant fo you.
Would you like to visit the North America website?

Saída da Nike do Índice e a Reprecificação das Marcas Esportivas

by VT Markets
/
Sep 17, 2026

Na segunda-feira, a Nike sai do S&P 100 após quase 18 anos. A vaga da Nike, e outras três, vai para Dell, Palo Alto Networks, Arista Networks e SanDisk.

O efeito no preço da ação deve ser pequeno. A Nike segue no S&P 500, onde está quase todo o dinheiro de fundos que replicam índice (fundos que compram as ações para acompanhar o indicador). A saída reflete uma mudança que vem acontecendo há meses. Marcas esportivas estão sendo reavaliadas pelo mercado, e o verão mostrou essa pressão em todo o setor, inclusive nas empresas que vinham indo bem.


A Lululemon caiu 20% em 11 de setembro, segundo relatos, e foi para a mínima em oito anos. A Nike bateu mínima de 12 anos em agosto. E em 30 de julho, a adidas reportou o maior trimestre de sua história, elevou sua projeção de vendas para o ano e tombou cerca de 18% em um único dia, a pior sessão desde o IPO (abertura de capital) em 1995.

Na adidas, o problema apareceu em um ponto: lucro. A receita chegou a €6,7 bilhões, alta de 14% ao desconsiderar o efeito do câmbio, com lojas próprias e site subindo 25%. Já o lucro operacional (resultado antes de juros e impostos, que mede o desempenho do negócio) avançou só 5%, para €574 milhões, abaixo dos €623 milhões esperados por analistas, após uma conta de marketing de €924 milhões na Copa do Mundo, cerca de €212 milhões acima do ano anterior. O CEO, Bjorn Gulden, disse a analistas que não esperava uma reação nem de perto tão forte.

O recuo é real. Ele também mostra uma empresa comprando visibilidade no maior torneio de futebol do mundo, com 14 seleções usando seu uniforme e com a bola do jogo, e depois “pagando” uma queda de 18% na ação por esse custo.

A explicação mais comum para a venda forte (onda de quedas) no setor esportivo não dá conta disso.

Quando todo mundo cortou preços ao mesmo tempo

O problema para as marcas esportivas era simples: estoque demais e demanda insuficiente para vender a preço cheio. As marcas baixaram preços para reduzir o excedente. As lojas baixaram para acompanhar. O impacto foi maior em modelos antigos de tênis, nas linhas “retrô” e nos lançamentos em lotes limitados. O chairman da Dick’s Sporting Goods, Ed Stack, disse a analistas que o setor está de ressaca e que isso deve ir pelo menos até o fim do ano.

A Nike é o caso mais claro. A receita ficou estável no ano passado em US$ 46,4 bilhões, enquanto a empresa tenta corrigir os efeitos de sua estratégia anterior, que apostou demais em vendas diretas ao consumidor e acabou abrindo espaço nas lojas para rivais.

A Lululemon teve a queda mais forte. As vendas em mesmas lojas (mesmas unidades abertas há pelo menos um ano, métrica que mostra a tendência real do varejo) caíram 9% no último trimestre e 12% nas Américas, ainda seu maior mercado. A projeção para o ano foi cortada duas vezes em três meses, de crescimento de 2% a 4% para queda de 5% a 7%. É uma virada de cerca de dez pontos percentuais. Uma nova CEO, Heidi O’Neill, assume com a marca perdendo clientes.

A Under Armour iniciou sua reestruturação antes e agora vai reduzir a linha de produtos em mais um quarto. Kevin Plank diz que o objetivo é ter menos modelos, vendidos em maior volume, a preço cheio. Em agosto, a empresa cortou a projeção de receita para o ano, passando a prever queda de “meio dígito” (algo na faixa de 5%) em vez de uma leve queda, com América do Norte recuando 9% e Ásia-Pacífico 7%. As margens (rentabilidade) melhoraram no mesmo trimestre, mas em parte por reembolsos de tarifas ligados a custos do ano fiscal de 2026, e não por melhora das vendas.

EmpresaO que reportouReação do mercado
Nike (resultado do AF26)Receita estável em US$ 46,4 bi, com orientação de novas quedasMínima de 12 anos até agosto
Under Armour (7 de agosto)Projeção cortada para queda na faixa de 5%Queda de cerca de 7%
Lululemon (4 de setembro)Vendas em mesmas lojas -9%, projeção cortada de novo-17%, mínima de oito anos
adidas (30 de julho)Receita recorde de €6,7 bi, +14%, projeção de vendas elevada-18%, pior dia desde 1995

A exceção da adidas

Se isso fosse apenas sobre empresas errando, a que evitasse os erros seria a vencedora — e a adidas seria esse caso. A companhia cresceu 14% enquanto boa parte do grupo encolheu, ganhou espaço em futebol e corrida e elevou a projeção de vendas em vez de reduzir.

O gatilho foi específico. O lucro ficou €49 milhões abaixo do esperado, por gastos de marketing que a empresa decidiu fazer, e a meta de lucro do ano foi mantida, em vez de elevada junto com a receita. Para um negócio desse tamanho, um “furo” desse porte custando 18% em um dia sugere que investidores já estavam menos dispostos a pagar o que vinham pagando.

A On Holding, que cresce mais rápido do que qualquer outra no segmento, caiu 22% após seus resultados em agosto por uma frustração também pequena.

Então a venda não é, de fato, sobre quem executa melhor. Investidores estão aceitando pagar menos para ter uma marca esportiva na carteira, esteja ela bem ou mal. Isso é uma reprecificação (mudança de patamar de preço) e não um julgamento sobre a gestão. E demora mais para se resolver do que excesso de estoque, porque depende do humor do mercado, não de uma empresa específica.

O “prêmio” que ainda sobra na Nike

Para a Nike, isso pesa mais. As ações caíram cerca de 78% desde a máxima de novembro de 2021, apagando algo como US$ 200 bilhões em valor de mercado. Só isso já faz parecer uma ação precificada para desastre.

Ela negocia a cerca de 22 vezes o lucro esperado (múltiplo preço/lucro, uma forma simples de comparar quanto o mercado paga por cada “real de lucro”). A média de grandes empresas americanas está perto de 21.

Ou seja: mesmo após uma das quedas mais fortes em vários anos entre grandes marcas de consumo, a Nike não está precificada como um negócio quebrado. Está precificada como uma recuperação que investidores ainda acreditam que pode dar certo. Cair muito e estar barata não são a mesma coisa — e é nessa diferença que está grande parte do risco.

Compare com a adidas, onde o CEO comprou 3.600 ações da própria empresa a €139,98 em 10 de setembro, e o futuro diretor financeiro também comprou. Compra de ações por executivos (insider buying, quando quem está “por dentro” investe o próprio dinheiro) não prova que haverá recuperação, mas é um sinal mais positivo do que um múltiplo de 22 vezes com vendas em queda.

Por que a pressão pode diminuir

Três pontos sugerem alívio daqui para frente.

  • A demanda ainda existe. A adidas cresceu 39% em futebol e corrida e 35% em vestuário. Os tênis de corrida da Nike crescem em ritmo de dois dígitos (acima de 10%) há cinco trimestres seguidos.
  • As empresas estão protegendo a rentabilidade. A Nike está enviando menos produtos para varejistas de propósito. A Under Armour está reduzindo a linha em um quarto para tentar manter o preço cheio.
  • Parte do impacto de custos é temporária por causa de reembolso de tarifas. A Nike recuperou US$ 986 milhões em tarifas e a Lululemon, US$ 134,5 milhões. (Tarifas são impostos de importação; reembolso é a devolução de valores pagos antes.)

Nada disso parece uma empresa em retirada. A adidas manteve a meta de lucro mesmo bancando um torneio que acontece a cada quatro anos e espera receber mais US$ 250 milhões a US$ 300 milhões em reembolsos de tarifas que ainda não colocou em suas projeções.

A rotação mais ampla

Ações de consumo são o pior desempenho do mercado americano neste ano, com queda de cerca de 5%, enquanto energia sobe quase 48% e o índice está perto de máximas históricas. Isso não é só quatro empresas tendo um verão ruim.


A mudança no índice na segunda-feira aponta na mesma direção. Colgate-Palmolive sai junto com a Nike, e as quatro substitutas vendem hardware ligado à expansão da IA (infraestrutura como servidores e equipamentos de rede). A S&P apresenta isso como uma forma de manter o índice representativo pelo tamanho das empresas, o que é verdade — e é o ponto central. Marcas estão valendo menos, na comparação com servidores e equipamentos de rede.

Por que pode não diminuir

  • Ninguém está projetando recuperação. A Nike vê vendas caindo por mais seis meses. A Lululemon cortou projeções duas vezes em três meses. A Under Armour agora espera queda na faixa de 5%.
  • A adidas ainda tem estoque da Copa para queimar. Os estoques sobem 12% a 13%, e ela precisa vender a preço cheio enquanto os outros baixam preço.
  • O lucro reportado deixa o quadro mais bonito do que é. O lucro por ação (quanto a empresa ganhou por ação, indicador comum de resultado) da Nike foi de US$ 0,72, mas seria US$ 0,20 sem o reembolso de tarifas. O da Lululemon foi de US$ 2,92, mas seria US$ 2,06.

As linhas de roupas “casuais” da Nike e franquias de tênis mais antigos ainda devem encolher até o ano que vem. E a adidas elevar a projeção de receita, mas manter a de lucro, sugere que as vendas extras não estão virando resultado final.



Todas as marcas citadas podem ser negociadas como CFDs de ações na VT Markets: Nike (NKE), Lululemon (LULU), Under Armour (UAA) e adidas (ADS). CFD (Contrato por Diferença) é um derivativo em que você não compra a ação; você aposta na variação do preço. Coloque na sua lista de acompanhamento antes do resultado da Nike em 1º de outubro.

Clique para ver os principais pontos para traders


Por que a Nike está saindo do S&P 100 se ainda está no S&P 500?
O S&P 100 reúne as maiores empresas dentro do S&P 500. A Nike continua no S&P 500, mas seu valor de mercado (market cap, o valor da empresa na Bolsa) caiu em relação a outras gigantes, o que levou à sua saída do índice menor.

Sair do S&P 100 obriga fundos a vender ações da Nike?
Apenas fundos que replicam o S&P 100 precisam ajustar a carteira. Como a maior parte do dinheiro indexado segue o S&P 500, o impacto esperado nas ações da Nike é limitado.

Sair do S&P 100 significa que a Nike está em dificuldade financeira?
Não. Mudanças de índice refletem o tamanho da empresa em comparação com outras, não se ela é saudável financeiramente. A Nike segue lucrativa e continua pagando dividendos (parte do lucro distribuída aos acionistas).

Por que reembolsos de tarifas fazem o lucro parecer mais forte?
Algumas empresas receberam de volta tarifas pagas em anos anteriores, o que elevou o lucro de um trimestre. O lucro por ação da Nike foi de US$ 0,72, mas seria US$ 0,20 sem o reembolso. Como esse ganho não deve se repetir, as comparações à frente tendem a ficar mais difíceis.

Comece a negociar agora — clique aqui para criar a sua conta real da VT Markets.

Back To Top
server

Olá 👋

Como posso ajudar?

Estamos aqui para ajudar

Converse connosco

Inicie uma conversa ao vivo por...

  • Telegram
    hold Em espera
  • Em breve...

Olá 👋

Como posso ajudar?

telegram

Digitalize o código QR com o seu smartphone para iniciar uma conversa connosco, ou clique aqui.

Não tem a aplicação ou versão Desktop do Telegram instalada? Use antes Telegram Web .

QR code