Decisão da Selic no Brasil em foco
Antes da decisão da taxa Selic (taxa básica de juros) do Brasil, as expectativas do mercado mudaram de um corte de 50 pontos-base (0,50 ponto percentual) para 25 pontos-base (0,25 ponto percentual), a partir de uma taxa inicial de 15%. As expectativas foram ajustadas mesmo com a região sendo descrita como tendo menor exposição econômica ao conflito atual. O texto diz que a pouca atividade de proteção reflete a expectativa de pouco aperto direto via dólar (moeda dos EUA) ou juros dos EUA. Também afirma que, sem proteção para o cenário oposto, os ativos latino-americanos, principalmente a renda fixa, podem ter movimentos mais fortes se os cenários do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) ou as condições financeiras em geral mudarem. Vemos que os títulos latino-americanos continuam sendo uma posição muito lotada (muita gente comprada no mesmo ativo), com as posições atuais cerca de 14% acima da média de um ano. Isso preocupa porque sugere excesso de confiança entre investidores. A queda mínima nas posições foi atribuída a um reajuste global de preços por causa da inflação, e não a uma saída real da região. A principal fraqueza é o nível muito baixo de proteção contra alta dos juros dos EUA ou fortalecimento do dólar. No mercado de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço), a volatilidade implícita (medida de “oscilação esperada” embutida no preço) do peso mexicano e do real brasileiro está perto das mínimas de dois anos, deixando opções de venda (put, proteção contra queda) mais baratas. Isso indica que o mercado não coloca no preço um risco relevante vindo das condições financeiras dos EUA.Baixa proteção deixa a posição lotada exposta
Essa confiança parece vir da ideia de que o Fed vai ficar parado, após o ciclo de cortes de juros visto em grande parte de 2025. De fato, os futuros de Fed funds (contratos que refletem a expectativa para a taxa de juros dos EUA) mostram o mercado esperando taxa estável de 3,25% até o fim do ano, com menos de 10% de chance de alta. Esse consenso faz qualquer mudança inesperada para uma postura mais dura (hawkish, isto é, mais inclinada a subir juros) virar um gatilho importante para uma queda forte dos preços. Dado esse desequilíbrio de risco, uma estratégia mais cuidadosa é comprar opções de venda baratas, fora do dinheiro (out-of-the-money, com preço de exercício distante do preço atual), nas principais moedas da região ou em um ETF (fundo negociado em bolsa) de títulos latino-americanos como o EMB. Isso permite, com custo menor, ganhar exposição a uma queda forte se as condições financeiras apertarem sem aviso. A queda no uso de posições vendidas nessa dívida também indica que poucos estão preparados para esse cenário negativo. Vimos algo parecido antes do “Taper Tantrum” (reação do mercado em 2013 quando o Fed sinalizou reduzir estímulos), quando uma mudança surpresa na comunicação do Fed causou grandes saídas de recursos de ativos de países emergentes sem proteção. Dados da semana passada mostraram entradas contínuas na dívida latino-americana, confirmando que o mercado segue muito concentrado em um único lado. Esse posicionamento deixa o segmento mais exposto se isso acontecer de novo.
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