O WTI recuperou ligeiramente depois de uma queda de 3,7% na sessão anterior, negociando perto de 80,10 dólares por barril durante a sessão asiática, numa pausa dos mercados antes de um potencial acordo interino entre os EUA e o Irão. O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que tinha sido assinado um memorando de entendimento para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, mas a ausência de um texto oficial por parte de Washington ou de Teerão manteve o sentimento cauteloso. Associações do setor marítimo adiaram travessias pela via navegável, enquanto a agência iraniana Mehr noticiou um plano preliminar para reabrir o estreito no prazo de 30 dias, sob condições definidas pelo Irão.
Na antecipação de um aumento dos fluxos, a National Iranian Oil Company reduziu o preço oficial de venda (OSP) de julho do crude ligeiro para a Ásia, baixando o prémio para 7,15 dólares por barril acima da média Oman/Dubai, face aos anteriores 13 dólares. O bloqueio do Estreito de Ormuz durante três meses limitou uma rota por onde passam cerca de um quinto das fornecimentos globais de petróleo e de gás natural liquefeito. Em separado, dados do Departamento de Energia dos EUA mostraram que a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) caiu 8,9 milhões de barris na semana passada, para 340,3 milhões — o nível mais baixo desde 1983 — no âmbito de um acordo para emprestar 172 milhões de barris com o objetivo de conter os preços domésticos dos combustíveis.
Volatilidade e incerteza geopolítica
Tendo em conta a abordagem de “esperar para ver” do mercado, com o WTI perto de 80 dólares, aguardamos uma volatilidade significativa. O CBOE Crude Oil Volatility Index (OVX) subiu para perto de 35, refletindo a profunda incerteza em torno do acordo de paz EUA-Irão. Esta tensão entre uma potencial inundação de oferta e a atual restrição no abastecimento cria um enquadramento particularmente complexo.
O principal catalisador para uma queda de preços é a reabertura do Estreito de Ormuz e o regresso do petróleo iraniano. O Irão está preparado para aumentar as exportações em pelo menos 500 mil barris por dia no curto prazo, e os cortes agressivos de preços para a Ásia mostram que pretende recuperar quota de mercado. Esta iminente subida da oferta é, para nós, o fator baixista mais relevante para os próximos meses.
Basta recuar ao acordo nuclear de 2015 como paralelo histórico: nos seis meses após o anúncio desse entendimento, os preços do petróleo caíram quase 40%. O atual memorando de entendimento, se for finalizado, poderá desencadear um ajustamento descendente semelhante, à medida que o mercado se prepara para mais crude. Este precedente histórico sugere que devemos estar posicionados para preços mais baixos assim que o texto do acordo se torne público.
Restrições de oferta e gestão de risco
Ainda assim, é essencial reconhecer a atual restrição da oferta, que pode provocar picos acentuados de preços no curto prazo. A Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA está no nível mais baixo desde agosto de 1983, deixando muito pouca margem para absorver choques ou atrasos no acordo com o Irão. Qualquer sinal de deterioração do entendimento poderá fazer disparar os preços, apoiado por estes níveis reduzidos de inventários.
Assim, a nossa estratégia nas próximas semanas passa por nos posicionarmos para uma queda de preços, protegendo-nos simultaneamente contra subidas inesperadas. Estamos a considerar a compra de opções de venda (puts) para beneficiar de uma eventual descida abaixo dos 75 dólares, ou a criação de “bear call spreads” para capitalizar a volatilidade elevada e um provável teto para as cotações. Estes derivados permitem-nos delimitar o risco, caso a situação geopolítica inverta de forma inesperada.
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