O WTI, a referência do crude norte-americano, iniciou a sessão asiática de segunda-feira com um gap de alta superior a 1 dólar, voltando a testar os 78 dólares e a subir perto de 2% nas primeiras transacções. Mais tarde, avançava 1,15%, mantendo-se acima dos 77 dólares, à medida que regressavam os riscos do lado da oferta depois de o Irão ter voltado a fechar o Estreito de Ormuz no sábado, na sequência do reacender das hostilidades envolvendo Israel e o Líbano. O Presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os EUA atacariam Teerão “ainda mais duramente” após o encerramento, e referiu-se também ao Hezbollah no Líbano, grupo apoiado pelo Irão, enquanto negociadores iranianos acabaram por abandonar conversações com os EUA na Suíça.
Na semana passada, o Irão e os EUA assinaram um memorando de entendimento com o objectivo de levantar o bloqueio de Ormuz, estabelecendo 60 dias de negociações sobre o programa nuclear civil do Irão. Em termos de mercado petrolífero, o WTI é um crude leve e “doce” (low sulfur), extraído nos EUA e distribuído via Cushing, e o seu preço é determinado pela oferta e procura, por perturbações geopolíticas, sanções, decisões da OPEP e pelo dólar norte-americano. Os dados semanais de inventários da API, divulgados às terças-feiras, e da EIA no dia seguinte, podem mexer com os preços; os resultados tendem a ser semelhantes, com uma diferença inferior a 1% entre ambos em 75% das ocasiões, sendo a EIA considerada mais fiável. A OPEP tem 12 membros que definem quotas em reuniões semestrais, enquanto a OPEP+ acrescenta dez países não-OPEP, incluindo a Rússia.
Preocupações com perturbações na oferta e volatilidade
Estamos a ver os preços do WTI dispararem com o novo encerramento do Estreito de Ormuz, um estrangulamento crítico para a energia global. Cerca de 21 milhões de barris de petróleo, representando mais de um quinto da oferta diária mundial, transitam por esta via marítima. O mercado faz bem em preocupar-se com uma perturbação significativa da oferta.
Tendo em conta a escalada da retórica entre os EUA e o Irão, esperamos que a volatilidade implícita nas opções sobre crude dispare nas próximas semanas. Isto torna potencialmente atractivas estratégias que beneficiam de oscilações de preço, como long straddles ou strangles, para capturar esta instabilidade. O colapso das conversações de paz sugere que esta tensão não será resolvida depressa.
Posicionamento em opções e perspectiva estratégica
Acreditamos que o caminho de menor resistência para o WTI é em alta, com um teste ao nível dos 80 dólares a parecer iminente. O precedente histórico de reacendimentos semelhantes no Médio Oriente, como os ataques a petroleiros em 2019 que provocaram um salto de 15% no preço num único dia, mostra que os preços reagem de forma acentuada a ameaças nesta região. Com as reservas comerciais de crude dos EUA já a deslizarem abaixo da média de cinco anos, segundo dados recentes da EIA, qualquer corte real na oferta será sentido de imediato.
O nosso foco deve estar em opções call de curto prazo, olhando especificamente para os contratos de Agosto e Setembro para dar tempo a que esta situação evolua. Comprar calls ou bull call spreads oferece exposição alavancada ao potencial de subida, definindo em simultâneo o risco máximo no prémio pago. Trata-se de uma forma prudente de se posicionar para um potencial choque de oferta sem o risco ilimitado de uma posição longa em futuros.
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