TÉCNICOS E PERSPECTIVAS DE OFERTA DO PETRÓLEO WTI
O petróleo WTI recua cerca de 1% para pouco abaixo de US$ 79,00 após uma terceira falha em US$ 80,00, nível em que a Média Móvel Exponencial (MME) de 50 dias fica ligeiramente acima, enquanto a recuperação desde a mínima do início de julho, perto de US$ 67,00, perdeu força, com o Stochastic Relative Strength Index (RSI estocástico) diário ainda em alta. A escalada em torno do Irã incluiu um ataque dos EUA a um navio-tanque perto do principal terminal de exportação do Irã, renovada pressão naval sobre portos iranianos e disparos iranianos na direção de bases dos EUA no Kuwait e na Jordânia. Washington aventou uma tarifa de trânsito de 20% para cargas protegidas que cruzem o Estreito de Ormuz e revogou uma dispensa que cobria petróleo bruto e petroquímicos iranianos; ainda assim, os preços têm dificuldade para sustentar US$ 80,00 depois de o WTI ter sido negociado anteriormente acima de US$ 107,00 antes de recuar para US$ 67,00 em apenas duas semanas; a média de junho ficou mais de US$ 20,00 abaixo de maio à medida que o tráfego de navios-tanque foi retomado.
As condições de oferta seguem folgadas: a produção dos EUA está perto de 13,5 milhões de barris por dia, enquanto Brasil, Guiana e Canadá adicionam barris, e agências projetam superávit até o fim de 2026, diante de crescimento da demanda perto de 1,2 milhão de barris por dia. A coesão da Opep enfraqueceu, com a saída dos Emirados Árabes Unidos em abril, e a capacidade ociosa concentrada na Arábia Saudita e aliados do Golfo continua a limitar altas, mesmo com demanda firme alimentando a inflação e mantendo bancos centrais em postura hawkish. O foco de risco migrou para o Iêmen, com ataques sauditas ao aeroporto de Sanaa e lançamentos de mísseis houthis em direção a Abha; o Bab al-Mandab, por onde passa cerca de um décimo do comércio marítimo de petróleo bruto, pode ser usado para interromper rotas. Tecnicamente, a resistência está em US$ 80,00, depois US$ 82,00 e US$ 84,00; suportes em US$ 78,00, depois na MME de 200 dias abaixo de US$ 77,50 e em US$ 76,00; um fechamento diário acima de US$ 80,50 alteraria o viés de curto prazo.
Estratégia de Trading e Tese Baixista
Devemos adotar um viés baixista nas próximas semanas e buscar vender nos repiques, já que o West Texas Intermediate (WTI) tem dificuldade de romper acima do teto de US$ 80,00. Apesar de manchetes geopolíticas intensas, o mercado falhou repetidamente em sustentar esse patamar, mostrando que os traders já não estão dispostos a pagar um “prêmio de medo” sem interrupções físicas efetivas no fornecimento de petróleo. Recomendamos focar em posições vendidas perto da Média Móvel Exponencial de 50 dias, logo acima de US$ 80,00, com stop-loss curto acima de US$ 80,50, nível em que o viés viraria para altista.
Nossa visão baixista é fortemente sustentada por um afrouxamento da oferta global, liderado pela produção americana, que segue firme perto de máximas recordes de 13,5 milhões de barris por dia. Combinada à expansão da produção de Brasil e Guiana, a oferta global atende com folga a um crescimento da demanda de 1,2 milhão de barris por dia, deixando o mercado em claro superávit. Dados da Energy Information Administration (EIA) mostram historicamente que, quando a produção fora da Opep dispara para esses níveis, tensões geopolíticas raramente sustentam picos de preço sem bloqueios físicos.
Alvos de Baixa e Gestão de Risco
Quanto aos alvos de baixa, devemos monitorar de perto o suporte em US$ 78,00 antes de mirar a Média Móvel Exponencial de 200 dias, perto de US$ 77,50. Se esses níveis forem rompidos, esperamos que o WTI teste a faixa de US$ 76,00, à medida que pressões macroeconômicas — incluindo uma reunião potencialmente hawkish do Federal Reserve em 28-29 de julho — pesem sobre as commodities precificadas em dólar. Esses pisos técnicos devem servir como nossas principais zonas de realização de lucro para derivativos vendidos.
Enquanto permanecermos vendidos, precisamos fazer hedge ativamente contra a ameaça severa de um ataque bem-sucedido à infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita. É preciso lembrar os ataques de Abqaiq-Khurais em setembro de 2019, que eliminaram instantaneamente 5,7 milhões de barris por dia — cerca de 5% da oferta global — e fizeram os preços do petróleo dispararem mais de 14% em uma única sessão. Se os houthis conseguirem atingir instalações sauditas de processamento ou fechar o Estreito de Bab al-Mandab, por onde passa quase 10% do petróleo bruto transportado por via marítima no mundo, devemos mudar imediatamente a estratégia e perseguir a alta.
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