Risco renovado de intervenção
Alguns formuladores de política também discutiram uma possível alta de juros pelo Banco do Japão para limitar o impacto da inflação (aumento geral de preços) de um iene mais fraco e de custos de energia mais altos. Analistas do MUFG disseram que as autoridades podem usar tanto uma política mais rígida (juros mais altos e menos estímulos) quanto ações no mercado se a pressão sobre a moeda continuar. A queda do dólar americano foi limitada, pois a aversão ao risco (quando investidores evitam ativos arriscados) continuou devido ao aumento das tensões no Oriente Médio. Milícias Houthis apoiadas pelo Irã e ameaças a rotas-chave de transporte de petróleo aumentaram a incerteza e sustentaram a demanda por ativos de “porto seguro” (investimentos vistos como mais estáveis em crises). O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que há conversas em andamento com o que chamou de um “novo regime” no Irã para encerrar operações militares. Ele também alertou que os EUA podem atingir locais de energia iranianos se não houver acordo rápido ou se o Estreito de Ormuz continuar fechado (passagem marítima estratégica por onde passa grande parte do petróleo). O presidente do Fed (banco central dos EUA), Jerome Powell, disse que a política está em um “bom ponto” e que o Fed vai esperar por mais dados antes de mudar os juros. Ele afirmou que choques de oferta (interrupções que reduzem a oferta, como problemas de energia e conflitos) precisam ser acompanhados para evitar que as expectativas de inflação “desancorem” (quando as pessoas passam a esperar inflação mais alta e isso vira um problema por si só).Abordagem focada primeiro na volatilidade
Os mercados também acompanham os próximos dados do Japão: CPI de Tóquio (índice de preços ao consumidor, uma medida de inflação), Produção Industrial (nível de atividade das fábricas) e Vendas no Varejo (gasto do consumidor), em busca de sinais sobre crescimento e a política do Banco do Japão. Estamos vendo um cenário conhecido, com USD/JPY voltando em direção ao nível de 160, o que lembra a situação de 2025. Autoridades japonesas voltaram a usar linguagem forte sobre “medidas decisivas”, deixando o mercado em alerta para intervenção. Isso torna muito arriscado manter uma posição comprada simples no par (apostar apenas na alta) nas próximas semanas. A estratégia principal agora deve ser operar a possível alta de volatilidade (oscilações mais fortes de preço), em vez de apostar na direção. A ideia é comprar opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender a um preço definido), como straddles ou strangles (estratégias com opções que buscam lucro com um grande movimento, seja para cima ou para baixo). A volatilidade implícita (expectativa do mercado para a oscilação futura, embutida no preço das opções) nas opções de 1 mês de USD/JPY já subiu acima de 12%, refletindo a expectativa de uma oscilação forte. Basta olhar o histórico para entender o risco: as intervenções em 2022 e 2024 mostraram quão rápido o par pode se mover. No fim de 2022, as autoridades japonesas gastaram mais de US$ 60 bilhões, o que fez o par cair mais de cinco ienes em um único dia. Uma repetição disso poderia destruir posições sem proteção, tornando opções de venda (put) de USD/JPY uma ferramenta importante de proteção agora. Ao mesmo tempo, não dá para ignorar a forte demanda por dólar como porto seguro. Com a incerteza geopolítica mantendo o petróleo Brent (referência internacional de preço do petróleo) perto de US$ 95 por barril e o índice VIX (medida de “medo” do mercado, baseada na volatilidade esperada) acima de 18, há um claro sentimento de “redução de risco” no mercado. Esse medo dá sustentação ao dólar e dificulta uma queda mais fácil do par. O fator principal continua sendo a grande diferença de política entre o Fed e o Banco do Japão. O Fed parece confortável em manter os juros perto de 4,5%, enquanto o Banco do Japão só conseguiu pequenas altas a partir de níveis próximos de zero. Esse diferencial de juros (diferença entre as taxas) acima de 4% continua tornando o iene pouco atraente e provavelmente manterá pressão de alta no par até que o Fed corte juros ou o Banco do Japão fique muito mais agressivo.
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