Perspectiva de juros do Banco do Japão
Espera-se que o Banco do Japão mantenha a taxa básica (juros de referência) em 0,75%. A tendência é que siga cauteloso por causa do aumento dos preços de energia ligado à guerra com o Irã. Nos EUA, o Índice de Preços ao Produtor (PPI, indicador de preços “na porta da fábrica”) de fevereiro, no núcleo (core, sem itens muito voláteis como alimentos e energia), subiu para 3,9% na comparação anual, acima da previsão de 3,7%. Os dados não incluíram a alta de preços de energia ligada à guerra no Oriente Médio. No gráfico de 4 horas, o USD/JPY ficou em 159,43 e se manteve acima das Médias Móveis Simples (SMA, médias de preço) de 20 e 100 períodos. O Índice de Força Relativa (RSI, indicador de momentum/força do movimento) voltou em direção a 60 após ficar perto de 50. Foram apontados suportes em 158,96 e 158,57, com a SMA de 100 períodos perto de 157,70. A resistência foi vista em 159,59, e uma quebra acima disso pode levar a novas máximas.Diferencial de juros e risco de intervenção
Lembramos a situação de março de 2025, quando o USD/JPY avançava em direção a 159,50 em meio a forte tensão geopolítica por causa da guerra no Irã. O Federal Reserve mantinha os juros, enquanto os preços ao produtor já mostravam sinais de inflação mais forte (aumento generalizado de preços). Esse cenário de dólar forte e Banco do Japão cauteloso abriu espaço para o par continuar subindo. Olhando para o mercado atual em março de 2026, o diferencial de juros (a diferença entre os juros dos EUA e do Japão) segue como o principal fator desse movimento. A taxa Fed Funds (juros básicos dos EUA) está em 4,75%, enquanto o Banco do Japão só conseguiu elevar sua taxa de referência para 1,00%, mantendo uma grande diferença que favorece o dólar. Dados recentes de inflação dos EUA de fevereiro de 2026 mostraram o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, inflação para o consumidor) ainda alto em 3,5%, indicando que o Fed tem pouco espaço para cortes fortes de juros. Como o USD/JPY agora é negociado perto de 162,00, traders devem considerar usar opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido) para lidar com o risco maior de uma queda rápida ou de intervenção oficial (ação do governo/banco central no mercado de câmbio). Comprar opções de compra (call, que ganham com a alta) permite participar de uma possível continuação da alta, limitando a perda máxima ao prêmio (valor pago) da opção. O histórico de 2022 a 2024 mostra que avisos verbais de autoridades japonesas ficam mais frequentes acima de 160,00, o que torna posições compradas diretas mais arriscadas. Para melhorar essa estratégia, traders podem usar um spread de alta com calls (bull call spread, estratégia com duas opções). Isso envolve comprar uma call e ao mesmo tempo vender outra call com preço de exercício (strike, o preço definido no contrato) mais alto, reduzindo o custo total da operação. Isso é útil no cenário atual, porque a volatilidade implícita (expectativa do mercado para oscilações futuras, refletida no preço das opções) de um mês no iene tem ficado por volta de 11,5% no começo de 2026, o que deixa as opções caras.
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