Preços do petróleo e perspectiva para a inflação
Os preços do petróleo subiram por risco de interrupção da oferta ligado ao conflito, elevando os preços da gasolina nos EUA e em outras grandes economias. Isso pode reduzir o poder de compra das famílias. O Índice do Dólar dos EUA (DXY, um índice que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas) ficou estável, negociado ligeiramente abaixo de 100,00 após devolver ganhos anteriores. O USD/CAD ficou quase sem mudança em torno de 1,3700 e seguiu acima da EMA de 20 dias (média móvel exponencial, uma média que dá mais peso aos preços recentes) perto de 1,3655. O RSI de 14 dias (Índice de Força Relativa, indicador que mede o impulso e se o preço está mais “forte” ou “fraco”) ficou na faixa de 40,00–60,00 por mais de seis semanas, sinalizando movimento de lado. As resistências (regiões onde o preço tende a encontrar dificuldade para subir) estão em 1,3715 e 1,3750, enquanto os suportes (regiões onde o preço tende a encontrar dificuldade para cair) aparecem em 1,3655, depois 1,3615 e 1,3580. O Fed busca estabilidade de preços e máximo emprego, com meta de inflação de 2%. Ele faz oito reuniões de política por ano e pode usar QE (afrouxamento quantitativo: compra de títulos para colocar mais dinheiro no sistema) para aumentar a liquidez (dinheiro disponível no mercado) e QT (aperto quantitativo: redução dessas compras e/ou do estoque de títulos) para diminuir seus títulos.Divergência de política e posicionamento de mercado
O cenário para o USD/CAD é diferente do começo do ano passado. Lembramos o par consolidando perto de 1,3700 em março de 2025, enquanto o mercado esperava sinalização dos bancos centrais. Hoje, a diferença de política monetária que esperávamos ficou mais clara, empurrando o par em direção a 1,3850. O principal fator foi o momento dos cortes de juros, que se confirmou nos últimos meses. O Banco do Canadá iniciou seu ciclo de afrouxamento (fase de reduzir juros) no quarto trimestre de 2025, reagindo à desaceleração do crescimento interno e à inflação em queda. O Federal Reserve, diante de uma inflação subjacente (inflação “de núcleo”, que exclui itens muito voláteis como energia e alimentos) mais persistente nos EUA, manteve os juros estáveis por mais tempo e só começou seus cortes no mês passado, em fevereiro de 2026. Essa diferença é sustentada pelos dados econômicos mais recentes. O último relatório de inflação do Canadá, de fevereiro de 2026, mostrou o CPI em 2,5% (CPI: índice de preços ao consumidor, que mede a variação dos preços). Isso está perto da meta de 2% do BoC. Já o CPI mais recente dos EUA, divulgado na semana passada, mostrou inflação em 3,1%, mais “grudada”, dando ao Fed motivo para cautela. Os temores de inflação ligados aos conflitos no Oriente Médio, que preocupavam no início de 2025, causaram uma alta do petróleo no meio do ano, mas essas pressões diminuíram. O petróleo WTI (referência dos EUA para o preço do petróleo) se estabilizou em torno de US$ 75 por barril, bem abaixo das máximas de 2025, acima de US$ 90. Isso ajudou a aliviar a inflação cheia, mas não resolveu as pressões de preços subjacentes nos EUA. Para traders de derivativos (instrumentos cujo valor depende de outro ativo, como opções e contratos futuros), essa tendência sugere focar em estratégias que ganhem com a força do dólar americano frente ao dólar canadense. Podemos considerar comprar opções de compra (call: dá o direito de comprar a um preço definido) de USD/CAD com vencimentos no segundo trimestre para tentar capturar um possível movimento em direção a 1,4000. A volatilidade implícita (a volatilidade “esperada” embutida no preço das opções) caiu em relação aos picos do ano passado, deixando o prêmio da opção (o preço pago pela opção) mais acessível para expressar uma direção. O diferencial de juros (diferença entre as taxas dos dois países), agora mais favorável aos EUA, também aparece no mercado de “forward”. Os pontos de forward (ajuste de preço que reflete juros e prazo em contratos a termo) indicam um prêmio por manter dólares americanos nos próximos meses. Isso torna contratos a termo (forward: acordo para comprar/vender no futuro a um preço definido) comprados em USD/CAD uma forma direta de se expor a esse tema macroeconômico (movimento ligado à economia como um todo).
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