O USD/CAD recuou na sessão asiática de terça-feira, devolvendo parte do avanço de segunda-feira que o levou ao nível mais alto desde o final de março. O par negociou ligeiramente abaixo da zona dos 1,3900 e registava uma queda inferior a 0,05% no dia, com a pressão vendedora a não conseguir ganhar tração.
O Irão e Israel afirmaram na segunda-feira que tinham suspendido os ataques, o que melhorou o sentimento de risco e afastou o dólar norte-americano — ativo de refúgio — de um máximo de dois meses. Ao mesmo tempo, a redução do risco geopolítico pressionou em baixa os preços do crude, um movimento que normalmente penaliza o dólar canadiano, ligado às matérias-primas, e ajuda a limitar a queda do USD/CAD. O otimismo manteve-se contido devido a divergências EUA-Irão sobre o programa nuclear de Teerão e o Estreito de Ormuz, enquanto as expectativas de uma Reserva Federal mais “hawkish” também limitaram a fraqueza do dólar; os mercados atribuem agora uma probabilidade superior a 70% a uma subida de taxas da Fed em 2026, perspetiva reforçada pelos dados mais fortes do emprego nos EUA divulgados na sexta-feira. As atenções viram-se agora para o CPI dos EUA de maio na quarta-feira e o PPI na quinta-feira, a par da evolução no Médio Oriente e das oscilações do preço do petróleo.
Divergência de Política Monetária e Dados Económicos
Vemos o par USD/CAD a consolidar perto do nível de 1,3750, depois de o Banco do Canadá ter realizado, na semana passada, um corte de 25 pontos base, amplamente esperado. Esta divergência de política monetária face à Reserva Federal, que se mantém firme, cria um suporte fundamental para o par. Os dados mais recentes do emprego sublinharam este quadro, com os Non-Farm Payrolls dos EUA a superarem as expectativas, para 285.000, enquanto a taxa de desemprego no Canadá subiu para 6,3%.
Os preços do crude estão a proporcionar uma base de suporte ao dólar canadiano, ligado às matérias-primas, com o WTI a manter-se acima de 80 dólares por barril após a recente decisão da OPEP+ de prolongar os cortes de produção. No entanto, este apoio ao “loonie” está a ser compensado por um persistente sentimento “risk-off” decorrente das tensões comerciais em curso no Mar do Sul da China. Este ambiente continua a favorecer o dólar norte-americano, ativo-refúgio, limitando uma descida mais significativa do USD/CAD.
Perspetivas e Estratégias de Trading
Olhando em frente, estamos posicionados para uma continuidade da força do dólar norte-americano face ao dólar canadiano. A leitura mais recente do Índice de Preços no Consumidor (CPI) dos EUA para maio ficou ligeiramente acima do esperado, em 3,5% em termos homólogos, reforçando a nossa convicção de que a Fed não terá pressa em cortar as taxas. Consideramos que a compra de opções call sobre o USD/CAD com vencimento nas próximas 4-6 semanas oferece um bom rácio risco/retorno para um movimento em direção à zona de 1,3800.
Períodos de divergência de política monetária, semelhantes ao que aconteceu em 2015-2016, têm historicamente conduzido a tendências sustentadas, e antecipamos que este padrão se repita. A venda de opções put de curto prazo pode também ser uma estratégia para encaixar prémios, tendo em conta o suporte robusto estabelecido pelas perspetivas divergentes dos bancos centrais. Os traders devem agora acompanhar de perto os próximos dados de vendas a retalho dos EUA para obter confirmação adicional da resiliência económica.
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