Orientação dos Bancos Centrais e Impacto do Petróleo
No Japão, a inflação persistente pode dar apoio a mais aperto monetário (processo de subir juros para esfriar a economia). Ao mesmo tempo, o aumento do custo de energia pode prejudicar o crescimento, porque o Japão importa grande parte da energia que consome. A expectativa do mercado é que ambos mantenham os juros como estão. Por isso, a atenção tende a ir para a orientação futura (sinais sobre os próximos passos) e para como cada banco vê o impacto do petróleo na economia. No gráfico diário, o par está acima das médias móveis simples (médias de preço usadas para indicar tendência) de 100 e 200 dias, que estão em alta, embora um padrão de bandeira de baixa esteja se formando (formação gráfica que pode sugerir queda após uma pausa). O RSI (índice de força relativa, que mede impulso do preço) está em 54. O MACD (indicador de tendência e impulso) segue acima da sua linha de sinal, com histograma positivo (mostra que o impulso ainda é favorável). Uma quebra abaixo de 211,00–210,50 pode abrir espaço para 209,00 e 204,14. A resistência (região onde o preço costuma ter dificuldade para subir) fica perto de 213,00, e uma alta pode mirar 215,00. Com o GBP/JPY perto de 212,00, o foco imediato são as reuniões dos bancos centrais nesta quinta-feira. A volatilidade implícita de uma semana (expectativa do mercado, embutida no preço das opções, para o tamanho das oscilações) subiu para 11,5%, indicando que o mercado de opções espera um movimento relevante após os anúncios. Vale se preparar para um possível rompimento da faixa atual.Posicionamento e Estratégia com Opções
O argumento fundamental para um câmbio mais alto segue forte por causa da grande diferença de juros entre Reino Unido e Japão. Com o CPI do Reino Unido (índice de preços ao consumidor, medida de inflação) de fevereiro de 2026 vindo forte em 4,8%, o Banco da Inglaterra fica pressionado a manter a taxa básica em 5,25% e um tom mais duro. Isso contrasta com a taxa de política do Banco do Japão de 0,25%, o que torna mais atrativo manter Libra do que Iene. Ainda assim, é preciso ficar atento a surpresas que possam fortalecer o iene. A economia do Japão está fraca, com contração de 0,2% no último trimestre de 2025, em grande parte por causa dos altos custos de energia. Se o Banco do Japão sinalizar uma postura mais agressiva contra a inflação do que o esperado, isso pode causar uma queda rápida no par, confirmando o padrão de bandeira de baixa. Para quem espera rompimento para cima, comprar opções de compra (call, contrato que dá o direito de comprar a um preço definido) com preço de exercício acima de 213,00 pode ser uma forma de tentar lucrar com um movimento em direção a 215,00. Essa estratégia limita o risco ao prêmio (valor pago pela opção), o que é prudente, já que o evento pode gerar dois resultados bem diferentes. Um comunicado surpreendentemente duro do Banco da Inglaterra pode impulsionar esse movimento. Com a volatilidade alta, uma estratégia sem direção, como uma straddle comprada (compra de uma call e de uma put, opção de venda, no mesmo preço de exercício e vencimento), pode funcionar. Assim, há chance de ganho se o par se mover forte para qualquer lado. A ideia é que um dos bancos centrais traga uma surpresa relevante. Lembramos que o par abriu com forte salto (gap, quando o preço “pula” sem negociar entre níveis) de mais de 200 pips (unidade pequena de variação de preço no câmbio) em uma única sessão no fim de 2025, quando o Banco da Inglaterra adiou inesperadamente uma virada para um tom mais leve. Isso mostra que anúncios de política monetária nesse cenário de inflação podem mudar os preços de forma rápida. Por isso, manter posições vendidas sem proteção (sem hedge, isto é, sem uma operação para reduzir risco) antes de quinta-feira tem risco elevado.
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