Mercados Migram Para Ativos de Maior Risco
O JP Morgan informou que a receita do 1º trimestre (dinheiro que entra com produtos e serviços) subiu 10% em 12 meses, para US$ 49,84 bilhões, acima dos US$ 49,1 bilhões esperados. A renda líquida com juros (ganho com empréstimos menos o custo de captação) subiu 9%, para US$ 25,48 bilhões, com previsão de renda líquida com juros em 2026 de US$ 103 bilhões, enquanto as ações caíram 0,4%. A receita de trading (ganho ao comprar e vender ativos financeiros) aumentou quase US$ 4 bilhões, para US$ 23 bilhões, e as comissões de banco de investimento (taxas por serviços como emissão de ações e fusões) cresceram 28%. O banco apontou força do consumidor por enquanto, mas também riscos ligados à guerra e às oscilações do preço da energia. Ações de software reagiram, com a Oracle subindo 12% na segunda-feira e mais 6% no início da terça. A Oracle ainda está quase 50% abaixo do pico de setembro e disse que sua tecnologia está economizando US$ 300 milhões por ano aos consumidores dos EUA. A libra esterlina subiu com o dólar mais fraco, apesar de dados piores do Reino Unido. O FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou a previsão de crescimento do PIB (tamanho da economia) do Reino Unido em 2026 para 0,8%, de 1,3%. Um leilão de Gilt (título público britânico) de 10 anos saiu a 4,9% contra 4,76% no mercado, e os juros desses títulos de 10 anos caíram 5 pontos-base (0,05 ponto percentual).Estratégias Para Oscilação E Proteção
Com a tensão geopolítica no Oriente Médio diminuindo, vemos um sinal para voltar a ativos de maior risco, especialmente em tecnologia. O VIX (índice que mede a “ansiedade” do mercado e a oscilação esperada do S&P 500) caiu abaixo de 15 pela primeira vez desde o início do conflito. Isso sustenta a ideia de comprar opções de compra (direito de comprar um ativo por um preço fixo) de curto prazo em índices com muita tecnologia, como o Nasdaq 100. A alta de nomes como Oracle mostra volta do interesse por ações de software que tinham caído forte no fim de 2025. Essa recuperação em tecnologia lembra a retomada rápida de ações de crescimento (empresas que reinvestem para crescer e costumam depender mais de expectativas futuras) no 2º trimestre de 2023, após um período de forte pressão. A demonstração de uso prático de IA (inteligência artificial) pela Oracle dá um motivo real para o otimismo e sugere que o mercado pode voltar a valorizar inovação. Uma ideia é vender spreads de puts fora do dinheiro (estratégia com duas opções de venda: vender uma e comprar outra com preço mais baixo; “fora do dinheiro” significa que, no preço atual, a opção não teria valor imediato) em ETFs de software (fundos negociados em bolsa que replicam um grupo de ações) para aproveitar o melhor humor e a queda da oscilação ao longo do tempo. A redução de tensão no Estreito de Hormuz está pressionando diretamente o preço do petróleo, com o Brent abaixo de US$ 98 por barril. Dados recentes da EIA (agência de energia dos EUA) confirmam a fraqueza, mostrando aumento inesperado dos estoques de petróleo dos EUA de 2,8 milhões de barris na semana passada. Isso sugere que comprar opções de venda (direito de vender por um preço fixo) em ETFs do setor de energia, como o XLE, pode ser uma forma de ganhar se o petróleo buscar um novo patamar mais baixo. A visão cautelosa do JPMorgan sobre o consumidor americano merece atenção, mesmo com o mercado subindo. Dados do Federal Reserve (banco central dos EUA) divulgados na semana passada mostraram que a dívida de crédito rotativo (dívida de cartão de crédito e linhas que variam mês a mês) atingiu recorde de US$ 1,5 trilhão, indicando orçamento das famílias apertado. Isso abre espaço para proteção: comprar opções de venda com prazo mais longo em ETFs de consumo não essencial, que tendem a ganhar valor se essa fragilidade aparecer mais adiante. No câmbio, a força da libra parece não combinar com a economia fraca do Reino Unido. O país acabou de pagar o maior juro desde 2008 para tomar dinheiro emprestado, e o FMI cortou a previsão de crescimento, mas a libra segue subindo contra o dólar. Essa diferença sugere que a libra está sendo puxada pelo clima global de “mais apetite por risco”, criando uma possível oportunidade de vender a moeda (apostar na queda) via contratos futuros (acordo para comprar ou vender no futuro por um preço combinado) ou opções, quando essa onda inicial de otimismo perder força.
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