Risco geopolítico impulsiona o dólar
O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que negociadores americanos viajassem ao Paquistão alguns dias antes de um cessar-fogo (acordo para parar os ataques) no Oriente Médio expirar em 22 de abril. Notícias de menor chance de um acordo de paz aumentaram a busca pelo dólar como moeda de proteção (usada quando o mercado teme riscos). Os dados de Vendas no Varejo dos EUA serão divulgados na terça-feira. Vendas no Varejo (quanto o comércio vende para o consumidor) deve subir 1,3% no mês em março, acima de 0,6% em fevereiro. Uma inflação menor que o esperado (alta de preços) pode pressionar o DXY no curto prazo. O Índice do Dólar dos EUA (DXY) está perto de 104,50, com incerteza geopolítica e dúvidas sobre o caminho dos juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Esse “puxa e empurra” aumenta a chance de movimentos fortes no dólar. Para quem opera derivativos (contratos cujo preço depende de um ativo, como opções e futuros), o tema principal nas próximas semanas é a volatilidade (variação rápida de preço). Estamos vendo uma nova corrida por segurança parecida com eventos do passado, como as tensões EUA-Irã em 2020. Problemas atuais no Estreito de Bab el-Mandeb (passagem marítima estratégica) e exercícios navais tensos no Mar do Sul da China estão levando investidores ao dólar. Essa demanda por proteção cria um suporte forte para o DXY, evitando quedas maiores.Mercado de opções indica maior volatilidade
Porém, os dados econômicos internos estão dando sinais mistos para o Fed. O último relatório do CPI (Índice de Preços ao Consumidor, medida de inflação) mostrou que a inflação segue resistente em 3,4%, sugerindo juros altos por mais tempo, o que tende a favorecer o dólar. Por outro lado, o relatório de vendas no varejo da semana passada veio mais fraco que o esperado, com alta de apenas 0,2%, indicando uma economia perdendo força. Esse conflito entre inflação e crescimento está deixando os preços das opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido) mais sensíveis. A volatilidade implícita (expectativa do mercado sobre a variação futura, embutida no preço das opções) em pares ligados ao dólar tem subido. Assim, alguns traders podem usar estratégias que ganham com isso, como o straddle comprado (compra de uma opção de compra e uma de venda ao mesmo tempo) em ETFs de moedas como o UUP (fundo negociado em bolsa que tenta acompanhar o dólar). Quem prefere apostar em uma direção pode olhar opções de compra (calls, que ganham com alta) no DXY para apostar que o risco geopolítico vai dominar, ou opções de venda (puts, que ganham com queda) se acreditar que a desaceleração vai levar o Fed a sinalizar corte de juros antes do esperado.
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