Risco geopolítico fortalece o Greenback
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as conversas continuavam apesar da negativa pública do Irã. Em uma postagem no Truth Social, afirmou que negociadores iranianos estavam “implorando” por um acordo e alertou que o tempo estava acabando, acrescentando que pode não haver “volta”. Os preços do petróleo continuaram voláteis e acima dos níveis anteriores ao conflito, aumentando preocupações com **inflação** (alta generalizada de preços) e complicando os caminhos de juros do **Federal Reserve** (banco central dos EUA) e do **Banco do Canadá** (banco central do Canadá). O mercado espera que o Fed mantenha os juros até 2026 em 3,50%–3,75%, com a chance de 3,75%–4,00% subindo para cerca de 40% até outubro, enquanto os **mercados de dinheiro** (negociações de curto prazo ligadas a juros) indicam cerca de 75 **pontos-base** de altas do BoC até o fim de 2026 (ponto-base = 0,01 ponto percentual; 75 pb = 0,75%). Com as tensões em curso, vemos a força do Dólar dos EUA contra o Dólar canadense continuar. Quem usa **derivativos** (contratos cujo valor depende de outro ativo, como câmbio ou juros) pode considerar comprar **opções de compra (call)** de USD/CAD com **preço de exercício (strike)** acima de 1,3900 para aproveitar esse movimento de alta. Isso limita o risco ao valor pago na opção e pode gerar ganho se a incerteza seguir favorecendo o Dólar como **porto seguro** (ativo procurado em momentos de medo no mercado). A situação aumentou muito a **volatilidade** (intensidade das oscilações de preço). Em tensões parecidas no Oriente Médio no começo de 2024, a **volatilidade implícita** (volatilidade “embutida” no preço das opções, baseada no que o mercado espera) em pares de moedas como este subiu mais de 30% em poucos dias. Assim, estratégias que ganham com grandes oscilações, como um **straddle comprado** no CAD (comprar uma call e uma **opção de venda (put)** ao mesmo tempo, no mesmo strike e vencimento, para lucrar se o preço se mover forte para qualquer lado), podem funcionar se houver desfecho ou escalada. O petróleo é um fator central, com os **contratos futuros** (acordos para comprar/vender no futuro a um preço) do WTI acima de US$ 98 por barril, bem acima da faixa de US$ 85 vista no fim de 2025. Em geral isso apoia o CAD, mas o medo de queda na demanda global limita o benefício para a moeda. Vale acompanhar opções sobre futuros de petróleo, pois crescem as apostas de que o preço pode testar US$ 110 se o Estreito de Ormuz for ameaçado.Volatilidade de juros e posicionamento de estratégia
Essa inflação puxada pelo petróleo complica o caminho do Fed, especialmente depois de o **CPI núcleo** (índice de preços ao consumidor sem itens muito voláteis, como energia e alimentos) ter dificuldade para cair abaixo de 3,1% no fim do ano passado. Embora o mercado indique 60% de chance de manter os juros, cresce a compra de futuros de Fed Funds que ganham se ocorrer uma alta “preventiva” antes de outubro. Isso funciona como **proteção (hedge)** contra um Fed mais duro no combate à inflação. O Banco do Canadá está em posição ainda mais difícil, já que o crescimento doméstico foi fraco, 1,2% no último trimestre de 2025, bem abaixo dos 2,9% dos EUA. A precificação de 75 pontos-base de alta parece agressiva nesse cenário, o que sugere uma chance de apostar contra uma postura tão **hawkish** (mais inclinada a subir juros para conter inflação). Podemos considerar usar derivativos sobre futuros de títulos canadenses para se posicionar para um BoC sem espaço para acompanhar uma possível rodada de aperto do Fed. Com a economia dos EUA mais forte e o USD se beneficiando de fluxo de porto seguro, o caminho mais provável para USD/CAD segue de alta. Uma estratégia simples é montar **bull call spread** (comprar uma call e vender outra call com strike maior). Isso reduz o custo e ainda permite ganho com uma alta gradual em direção ao nível psicológico de 1,4000 nas próximas semanas.
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