Configuração-chave de volatilidade do mercado
Se os custos dos insumos (materiais e energia usados na produção) da indústria subirem, as autoridades podem ampliar o apoio fiscal (medidas do governo com impostos e gastos) para evitar que as empresas reduzam a produção. As medidas citadas incluem cortes de impostos direcionados e subsídios (ajuda financeira) para pequenas e médias empresas e para a indústria. É descrito um cenário em que o petróleo fica perto de US$ 100 por barril nos próximos 3 meses, o que pode levar a mais apoio direcionado. O foco da política mudaria para sustentar o crescimento, com mais uso de medidas fiscais do que de ação monetária (medidas do banco central, como juros e crédito). A projeção de 4,6% de PIB em 2026 é mantida porque o impacto negativo do petróleo pode aparecer mais tarde no ano e a capacidade fiscal pode amortecer esse efeito. Uma possível cancelamento de uma visita de Trump à China é descrita como um risco que pode aumentar a chance de retorno de tarifas (impostos sobre importação). A economia chinesa mostrou força no começo do ano: a produção industrial de janeiro e fevereiro superou as expectativas ao subir 6,8% em relação ao ano anterior. Esses dados internos, porém, estão sendo ofuscados por pressões externas que criam muita incerteza. Para traders (pessoas que negociam ativos no curto prazo), esse choque entre boas notícias locais e eventos globais arriscados costuma aumentar a volatilidade (variações rápidas e fortes de preços).Considerações de trading e proteção
Com os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro) do petróleo Brent se mantendo acima de US$ 98 por barril no último mês, vemos uma ameaça direta às margens de lucro (quanto sobra depois dos custos) dos fabricantes chineses. Esperamos que Pequim priorize crescimento e estabilidade oferecendo apoio fiscal como subsídios, em vez de apertar a política monetária (por exemplo, subir juros) para combater a inflação (alta geral de preços). Esse roteiro lembra medidas usadas durante o aperto na cadeia global de suprimentos (dificuldade de produzir e entregar bens) em 2025. Essa incerteza sugere que a própria volatilidade pode ser usada como oportunidade nas próximas semanas. Já vimos a volatilidade implícita (expectativa do mercado para a oscilação futura, calculada a partir do preço das opções) nas opções do índice Hang Seng subir para uma máxima de três meses, em 28%, na semana passada, indicando que o mercado se prepara para oscilações maiores. Estratégias que ganham com mais “vai e vem” de preços, como comprar straddles ou strangles (estratégias com opções que buscam lucro quando o preço se move muito, para cima ou para baixo) em grandes ETFs chineses (fundos negociados em bolsa que seguem um índice), devem ser consideradas. O maior risco imediato é o possível cancelamento da visita do presidente Trump, com relatos de que conversas iniciais travaram por disputas sobre tarifas. Um cancelamento provavelmente causaria uma queda forte, tornando opções de venda (puts, contratos que ganham valor quando o ativo cai) uma proteção necessária para posições compradas (apostas de alta). Acreditamos que o mercado está colocando pouca probabilidade em uma piora das relações, o que lembra as altas repentinas de tarifas vistas no fim de 2024. Essas pressões também afetam a moeda: o yuan offshore (yuan negociado fora da China continental) já testa o nível de 7,30 frente ao dólar americano. Dada a expectativa de afrouxamento direcionado do governo (apoio específico a setores) e as tensões geopolíticas, mais fraqueza parece provável. Observamos opções de compra (calls, contratos que ganham valor quando o preço sobe) no par USD/CNH (cotação do dólar contra o yuan offshore) como forma de se posicionar para uma desvalorização do yuan ao longo do segundo trimestre.
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