Mudança no financiamento
Em 1º de março de 2026, o CBRT suspendeu seus leilões de recompra (repo) de uma semana (operação em que o banco central empresta dinheiro aos bancos com garantia, por prazo curto) e disse que passaria a financiar via a taxa de empréstimo “overnight” (de um dia para o outro) de 40%, descrita como 300 bps acima da taxa básica, sem data para terminar. O CBRT também anunciou que fará operações de venda a termo (contratos para comprar/vender no futuro por um preço definido hoje) de câmbio (FX; moeda estrangeira) liquidadas em liras (TRY), com o objetivo de ajudar o bom funcionamento do mercado de câmbio. A inflação é apresentada como outra limitação para cortar juros: o CPI cheio (inflação geral ao consumidor) subiu para 31,53% ao ano (y/y; comparação com o mesmo mês do ano anterior) em fevereiro, vindo de 30,65% em janeiro, enquanto a inflação “núcleo” (core; medida que exclui itens muito voláteis, como energia e alimentos) ficou perto de 33% nos últimos 12 meses. As ações recentes do banco central, na prática elevando o custo de financiamento para 40% por meio de um aumento “discreto” (stealth; sem subir oficialmente a taxa básica), mudaram as expectativas para a reunião de 12 de março, levando o cenário principal a manutenção em 37%, em vez de corte, com a escalada no Oriente Médio e possíveis efeitos indiretos sobre a Turquia.Perspectiva de volatilidade do mercado
A maior incerteza deve elevar a volatilidade implícita (volatilidade “embutida” nos preços das opções; indica o tamanho das oscilações esperadas) em opções de USD/TRY (dólar vs. lira turca); a volatilidade de um mês subiu recentemente para perto de 30%, indicando estresse elevado, e estratégias posicionadas para oscilações maiores podem se beneficiar, à medida que uma postura mais defensiva do CBRT encontra pressão geopolítica sobre a lira. Os riscos já aparecem nos mercados: o petróleo Brent subiu para acima de US$ 95 por barril, aumentando o risco de inflação para um importador de energia, enquanto o CDS de 5 anos (seguro contra calote da dívida do país) aumentou cerca de 40 bps para 345 bps em dias, indicando maior prêmio de risco (custo extra exigido por investidores) para ativos turcos. Para o mercado de juros, a curva a termo da lira (preços para prazos futuros) pode precisar ajustar para juros mais altos por mais tempo, forçando a saída de posições que apostavam em cortes; “pagar fixo” em swaps de juros de curto prazo (contrato de troca: uma parte paga taxa fixa e recebe taxa variável) é descrito como uma posição mais coerente nessa mudança.
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