Mercados Esperam Novos Fatores
As ações da Netflix se mantiveram estáveis antes do balanço (relatório de resultados). Espera-se que os números desviem a atenção do que está acontecendo no Oriente Médio. A atualização da empresa é acompanhada para ver sinais de melhora depois de perdas no segundo semestre do ano passado. O consumo das famílias está sendo observado por causa da inflação (alta geral dos preços) no mundo, embora isso não deva ter grande impacto neste relatório. O salto das ações visto desde o fim de março do ano passado ficou para trás, e o mercado agora precisa de algo além de manchetes. A falta de avanço real nas conversas entre EUA e Irã continua limitando os principais índices (cestas que medem o desempenho do mercado). O CBOE Volatility Index (VIX), um índice que mede o “medo” do mercado pelo nível de oscilação esperado, segue alto, perto de 18 neste mês, mostrando esse desconforto. Essa tensão ameaça diretamente o Estreito de Ormuz, por onde, segundo a U.S. Energy Information Administration (agência do governo dos EUA que reúne dados de energia), passam quase 21 milhões de barris de petróleo por dia. Por isso, quem opera derivativos (contratos cujo preço depende de outro ativo, como ações ou petróleo) pode observar a oscilação no setor de energia, por exemplo com opções de compra (call, contrato que dá o direito de comprar a um preço combinado) em ETFs de petróleo (fundos negociados em bolsa que acompanham um índice ou um ativo). Da mesma forma, pode fazer sentido buscar proteção contra queda em ações de transporte e companhias aéreas, que sofrem quando o combustível sobe.Posicionamento para o Risco de Oscilação
A fricção econômica já aparece: os custos extras por risco de guerra no frete marítimo no Golfo subiram mais de 20% desde o começo do ano. Essa instabilidade sugere que manter posições que ganham com alta de oscilação (“long volatility”), via futuros do VIX (contratos para negociar o VIX no futuro) ou opções sobre índices (opções ligadas a um índice), pode ser uma proteção. Sem avanço diplomático, qualquer piora pode causar uma reação forte, beneficiando quem estiver preparado para um aumento da volatilidade (variação rápida de preços). Fora da geopolítica, a temporada de balanços tem desviado a atenção, e o foco está no fôlego do consumidor. Ao analisar a Netflix no ano passado, o objetivo era recuperar perdas, mas o cenário mudou. Embora o relatório de ontem tenha mostrado um resultado acima do esperado em novas assinaturas, a projeção fraca para receita de publicidade (estimativa do que a empresa espera ganhar) limitou o impulso da ação. Esse resultado misto vem junto do último relatório do CPI (índice de preços ao consumidor, usado para medir a inflação), que indica inflação ainda acima de 3%, mantendo pressão no orçamento das famílias. Para quem opera derivativos, isso sugere que, em vez de grandes apostas em uma direção, pode usar estratégias como iron condor (combinação de opções que busca lucro quando a ação fica dentro de uma faixa de preço). Isso aproveita a incerteza entre clientes fiéis e menor poder de compra. As preocupações vão além de uma empresa: os dados recentes de vendas no varejo de março vieram mais fracos do que o esperado. Isso pode indicar que a inflação acumulada está afetando os gastos não essenciais. Uma alternativa é considerar opções de venda (put, contrato que dá o direito de vender a um preço combinado) em ETFs de consumo discricionário (setor de itens não essenciais, como lazer e bens duráveis) para se posicionar para uma possível desaceleração nas próximas semanas.
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