Oferta mais apertada e impactos nas refinarias
O relatório disse que isso manteve a oferta apertada para refinarias asiáticas (fábricas que transformam petróleo em combustíveis). Também afirmou que limitou a produção de derivados (como gasolina e diesel). Nos movimentos do mercado, o West Texas Intermediate (WTI, referência de preço do petróleo dos EUA) subia 0,75%, a US$ 97,93, no momento da escrita. Com o WTI se aproximando de US$ 100 por barril, vemos esse corte de oferta como um sinal de preços firmes. A interrupção no Estreito de Hormuz, um gargalo por onde passa cerca de um quinto do consumo global de petróleo, não é um problema de curto prazo. Estamos focando principalmente em comprar opções de compra “fora do dinheiro” (call options com preço-alvo acima do preço atual) nos contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro) de maio e junho, mirando preços de exercício (strike, o preço definido na opção) de US$ 105 e US$ 110. Esse conflito geopolítico aumenta muito a incerteza, então também precisamos nos preparar para fortes oscilações de preço para cima ou para baixo. A volatilidade implícita (estimativa do quanto o mercado espera que o preço oscile) no mercado de opções provavelmente disparou, com o índice OVX (indicador de “medo”/estresse ligado à volatilidade do petróleo) provavelmente acima de 50, um nível que indica forte estresse no mercado. Para tentar ganhar com essa volatilidade, estamos considerando straddles comprados (estratégia que compra uma opção de compra e uma de venda ao mesmo tempo, no mesmo preço, para lucrar se o preço se mover muito em qualquer direção).Estratégia de spread Brent-WTI
A interrupção afeta mais o petróleo do Oriente Médio, que costuma ser precificado em relação ao Brent (referência internacional), do que o WTI dos EUA. Por isso, esperamos que a diferença de preço entre Brent e WTI (spread, a “distância” entre dois preços) aumente nas próximas semanas. Uma posição comprada no spread Brent-WTI parece uma forma clara de isolar o impacto dessa crise regional. Como o corte de oferta afeta diretamente as refinarias asiáticas e a produção de derivados, esperamos alta nos preços de gasolina e diesel. Isso deve aumentar o “crack spread” (margem de lucro das refinarias: diferença entre o valor dos combustíveis vendidos e o custo do petróleo). Estamos nos posicionando para isso com posições compradas em futuros de gasolina em relação aos futuros de petróleo WTI. O salto de quase 20% em um único dia após os ataques a instalações sauditas em 2019 serve como referência de quão rápido esse mercado pode se mover. Além disso, como as reservas estratégicas de petróleo dos EUA (estoques do governo para emergências) ainda se recuperam das grandes liberações entre 2022 e 2024, a “folga” de oferta global está menor do que no passado. Isso deixa o mercado mais sensível a choques como o atual.
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