O dólar norte-americano retomou a sua subida, à medida que os fortes dados económicos dos EUA e as expectativas em torno da Reserva Federal se sobrepuseram a uma queda acentuada dos preços do petróleo. Nas primeiras 36 horas de negociação após o acordo EUA‑Irão, os mercados apontaram para um dólar estruturalmente mais forte do que há poucas semanas, desviando a atenção dos movimentos na energia para a comunicação dos bancos centrais e para a durabilidade da venda de petróleo.
Com o mercado cambial agora centrado na reunião de amanhã do FOMC, sob o novo presidente Kevin Warsh, a próxima fase do dólar dependerá de saber se os decisores sinalizam que as subidas de taxas são uma perspetiva realista. Até haver um sinal mais claro da Fed, a incerteza quanto à persistência da recente queda do petróleo deverá manter a ação dos preços cautelosa no FX.
Rali do dólar impulsionado por dados económicos e perspetiva da Fed
Estamos a ver a força do dólar ser impulsionada por dados económicos sólidos nos EUA e por expectativas quanto à Reserva Federal, e não apenas pela recente queda do petróleo. O foco do mercado mudou claramente dos mercados de energia para a política dos bancos centrais. Todas as atenções estão agora na reunião de amanhã do FOMC, à procura de qualquer sinal sobre futuras subidas de taxas.
O mais recente relatório do emprego, que mostrou a economia a criar uns robustos 250.000 postos de trabalho e a taxa de desemprego a manter-se em 3,8%, sustenta esta leitura. Com a última leitura do Índice de Preços no Consumidor (IPC) a permanecer persistente nos 3,5%, reforça-se o argumento a favor de um banco central mais agressivo. A ferramenta CME FedWatch indica agora que o mercado atribui 65% de probabilidade a uma subida de taxas na próxima reunião, face a apenas 40% há duas semanas.
Perante este cenário, consideramos que o posicionamento para nova valorização do dólar através de derivados é uma estratégia adequada. A compra de opções de compra (calls) de curto prazo sobre o USD face ao iene (USD/JPY) permite capturar um potencial pico caso o novo presidente da Fed, Kevin Warsh, sinalize uma postura mais “hawkish”. Trata-se de uma aposta direta com um perfil de risco definido.
Volatilidade do petróleo e estratégias de risco de evento antes do FOMC
Embora o acordo EUA-Irão tenha pressionado o WTI para perto de 82 dólares por barril, questionamos a durabilidade desta venda acentuada. Esta incerteza torna arriscada uma aposta direcional forte. Em vez disso, vemos uma oportunidade para negociar volatilidade através de “straddles” em ETF de petróleo de referência, que beneficiariam de um movimento significativo de preço em qualquer direção.
A reunião do FOMC é, por si só, o principal risco de evento no horizonte, e vimos o índice VIX subir gradualmente de 14 para 16 em antecipação. Este movimento sugere que os investidores estão a preparar-se para um aumento da turbulência nos mercados. Devemos considerar a compra de calls de curto prazo sobre o VIX, ou opções sobre os principais índices, para cobrir o risco — ou beneficiar — de um pico de volatilidade após o anúncio.
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