Liberações de Reservas Estratégicas
Países do G-7 (grupo das 7 maiores economias avançadas) e a China podem liberar petróleo bruto de suas reservas estratégicas de petróleo (estoques guardados pelo governo para emergências) para reduzir o impacto. Essas liberações devem amortecer (reduzir) parte da interrupção, mas não cobrir totalmente uma paralisação longa. O Rabobank prevê médias do WTI de US$ 83/bbl (dólares por barril) no 2º trimestre de 2026, US$ 80/bbl no 3º trimestre de 2026 e US$ 78/bbl no 4º trimestre de 2026. Projeta US$ 72/bbl para 2027. Com o WTI recuando do pico recente perto de US$ 120, o mercado está absorvendo o choque de oferta. Vemos que cerca de 7,5 milhões de barris por dia ainda ficam presos mesmo depois de considerar os esforços de desvio da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Esse aperto básico de oferta (pouco petróleo disponível em relação à demanda) sustenta os preços no curto prazo. As nações do G7 e a China confirmaram uma liberação coordenada de 100 milhões de barris das reservas estratégicas nos próximos três meses. Essa ação limita a alta e puxou o contrato do mês seguinte (contrato futuro com vencimento mais próximo) de volta para a faixa dos US$ 80, mas é apenas um alívio temporário se a interrupção durar. Vemos essa liberação como oferta de curto prazo que não muda a tendência de alta no médio prazo (cenário em que a oferta segue apertada).Opções e posição na curva
A volatilidade implícita (expectativa do mercado sobre o quanto o preço pode oscilar, calculada a partir do preço das opções) continua muito alta, com o índice OVX (indicador de volatilidade das opções de petróleo) perto de 45 após passar de 70 no pânico inicial. Isso é mais que o dobro do nível visto na maior parte de 2025. Esse “prêmio” alto (preço caro das opções por causa do risco) torna vender opções atrativo para quem acredita que o pior do pico de preço já passou. O mercado está em forte backwardation (quando contratos de curto prazo são mais caros que os de prazo mais longo), com contratos próximos bem acima dos de fim de 2026 e depois. Vemos uma oportunidade em calendar spreads (estratégia que combina contratos com vencimentos diferentes) para lucrar com essa estrutura quando os barris da reserva estratégica entrarem no mercado à vista (mercado spot, para entrega imediata). Isso deve pressionar mais o começo da curva (preços de vencimentos curtos) do que os contratos mais longos. Dada a projeção de queda gradual para US$ 80 até o terceiro trimestre, traders (operadores) podem considerar posições de baixa com risco limitado. Comprar spreads de put (estratégia com opções de venda, que ganham com queda do preço), como comprar a put de junho a US$ 80 e vender a put de junho a US$ 75, dá um risco definido para se posicionar para essa queda lenta. É mais cauteloso do que vender a descoberto (apostar diretamente na queda vendendo sem ter o ativo) num ambiente tão volátil.
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