A produção industrial da China aumentou 4,5% em termos homólogos em maio, superando o consenso de mercado de 4,3%. Os dados apontam para um ritmo de produção fabril modestamente mais firme do que o esperado no mês.
A diferença entre o crescimento efetivo e as previsões foi de 0,2 pontos percentuais. A divulgação oferece uma leitura oportuna do ímpeto do sector transformador à entrada de meados do ano, com o resultado de maio acima das expectativas.
Implicações Positivas para a Indústria Transformadora, Matérias-Primas e Mercados Cambiais
Interpretamos este dado de produção industrial acima do esperado como um sinal positivo para o sector transformador chinês. Sugere que as medidas de estímulo do Governo dirigidas à base industrial estão a ganhar tração. Isto reforça a visão de que o motor da economia chinesa está a aguentar-se melhor do que muitos receavam.
Estes dados têm impacto direto na nossa perspetiva para as matérias-primas industriais nas próximas semanas. Sendo a China o maior consumidor mundial de metais de base, esperamos que esta robustez dê suporte aos preços. Por exemplo, o cobre estabilizou recentemente acima de 9.800 dólares por tonelada, e este relatório deverá fornecer um piso sólido, tornando atrativas opções de compra (calls) sobre futuros de cobre (HG) ou sobre mineiras como a BHP Billiton.
Consequentemente, procuramos força em divisas ligadas às exportações de matérias-primas para a China, em particular o dólar australiano. O AUD/USD tem tido dificuldades em superar o nível de 0,6700 num contexto de incerteza global. Este dado positivo da China pode fornecer o catalisador necessário para uma ruptura em alta, pelo que estamos a ponderar a compra de opções de compra (calls) sobre o AUD/USD com vencimento a um mês.
Divergência entre Segmentos Económicos e Estratégia Baseada em Sectores
No entanto, é preciso enquadrar este resultado no contexto de outros dados divulgados recentemente, que mostraram uma desaceleração contínua do investimento imobiliário e vendas a retalho inferiores ao esperado. Em maio, as vendas a retalho cresceram apenas 2,9% em termos homólogos, indicando que o consumidor chinês continua hesitante. Isto cria uma divergência que sugere que uma estratégia direcionada é preferível a uma aposta ampla de “long China”.
Perante esta clivagem entre uma produção industrial forte e um consumidor fraco, o nosso foco recai sobre sectores específicos. Iremos evitar ações de consumo discricionário, privilegiando posições em derivados sobre ETF de industriais e materiais, como o iShares MSCI China A ETF (CNYA). Isto permite-nos ganhar exposição aos segmentos mais fortes da economia, ao mesmo tempo que fazemos cobertura face ao lado mais fraco do consumo.
Historicamente, observámos períodos em que os dados industriais chineses apresentam um desempenho elevado enquanto o resto da economia fica para trás, muitas vezes um sinal de investimento liderado pelo Estado. Este padrão foi evidente no período de recuperação pós-2015. Assim, estaremos atentos a sinais de que esta força industrial se está a traduzir num ímpeto económico mais abrangente antes de adicionarmos risco de forma mais agressiva.
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