Decisão do Fed e leitura do mercado
O Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) era esperado manter os juros, com atenção ao SEP (Summary of Economic Projections, o “resumo de projeções” do próprio Fed) e ao dot plot (gráfico de pontos que mostra onde cada dirigente acredita que os juros devem ficar). Em dezembro, o ponto mediano indicava um corte de 25 pontos-base em 2026 (ponto-base é 0,01%; 25 pontos-base = 0,25 ponto percentual), enquanto o CME FedWatch (ferramenta que estima a chance de mudanças nos juros a partir de preços de contratos) mostrava apenas um corte precificado até o fim do ano, provavelmente em dezembro, com chance quase zero antes de setembro. O petróleo subiu cerca de 3% com o WTI (West Texas Intermediate, referência de preço do petróleo nos EUA) acima de US$ 95 por barril, alta de cerca de 50% no ano, e o ouro caiu abaixo de US$ 5.000 por onça (medida padrão do ouro; 1 onça troy ≈ 31,1 g). Os EUA emitiram uma dispensa (waiver) de 60 dias da Jones Act (lei que limita transporte marítimo doméstico a navios específicos), cobrindo petróleo, gás natural, fertilizantes e carvão. A Caterpillar subiu cerca de 1% e o Goldman Sachs ganhou cerca de 1%, enquanto Amgen, Sherwin-Williams e Procter & Gamble caíram perto de 2% cada. A Nvidia avançou levemente após um relatório de que a China aprovou vendas dos chips H200, junto com comentários sobre uma oportunidade de receita de US$ 1 trilhão até 2027. Olhando para as leituras altas de inflação de fevereiro de 2025, dá para ver como elas ditaram o último ano. A alta dos preços ao produtor, somada ao conflito no Irã, manteve o Federal Reserve sem mexer nos juros durante todo 2025 e também neste primeiro trimestre. Com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, medida de inflação ao consumidor) de fevereiro de 2026 ainda alto, em 3,1%, a expectativa do mercado por cortes de juros continua sendo empurrada para mais tarde.Volatilidade e formas de operar
Essa incerteza prolongada indica que a volatilidade deve continuar alta nas próximas semanas. O Índice de Volatilidade da CBOE (VIX, indicador que mede a “ansiedade” do mercado a partir de opções do S&P 500) tem ficado, em média, acima de 20, uma mudança relevante em relação aos períodos mais calmos antes do choque de energia do ano passado. É possível aproveitar esse cenário com estratégias de “comprar volatilidade” no S&P 500, como comprar straddles (estratégia com compra de uma opção de compra e uma opção de venda no mesmo preço e vencimento, para lucrar com grande movimento para qualquer lado) antes das próximas divulgações de inflação. A situação geopolítica continua sustentando os preços do petróleo, com os contratos futuros de WTI para entrega em maio negociando perto de US$ 98 por barril. Desde que o conflito se intensificou no ano passado, os preços têm encontrado suporte (um nível em que o preço costuma parar de cair) acima de US$ 90. Por isso, comprar opções de compra (call, direito de comprar a um preço definido) de ETFs (fundos negociados em bolsa) do setor de energia, como o XLE, oferece um jeito de buscar ganho com risco limitado (risco definido) caso haja novas interrupções de oferta. A diferença de desempenho entre setores, que começou a aparecer no início de 2025, só aumentou. Ações de energia e de indústria continuam indo melhor porque conseguem repassar custos mais altos, enquanto empresas voltadas ao consumidor sofrem com margens apertadas (margem é a diferença entre receita e custos). Uma operação em pares (pairs trade, estratégia que compra um ativo e vende/posiciona contra outro para reduzir o risco do mercado como um todo), ficando comprado em energia e ao mesmo tempo comprando opções de venda (put, direito de vender a um preço definido) de um ETF de consumo básico como o XLP, pode ajudar a proteger contra quedas gerais do mercado. Dada a postura rígida do Fed, derivativos ligados a juros (derivativos são contratos cujo valor depende de outro ativo, como taxas de juros) dão uma forma direta de apostar em mudanças na política monetária. Há muita atividade em opções de ETFs de títulos do Tesouro (Treasury bonds, dívida do governo dos EUA), com traders se posicionando para o Fed ficar parado por mais tempo do que se esperava. Usar futuros de SOFR (Secured Overnight Financing Rate, taxa de juros de um dia usada como referência) também pode servir como proteção (hedge, operação para reduzir risco) ou como aposta na parte curta da curva (short-end, juros de prazos mais curtos).
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