Os índices de preços de imóveis S&P/Case-Shiller dos EUA subiram 1,1% na comparação anual em abril, acima da projeção do mercado, de 0,9%. A divulgação aponta para um ritmo anual de valorização imobiliária mais firme do que o esperado, com base na metodologia S&P/Case-Shiller.
Nos números, a surpresa altista equivale a uma diferença de 0,2 ponto percentual entre o resultado efetivo e o consenso. Os dados se somam à leitura mais recente das pressões inflacionárias no mercado imobiliário americano em abril, que podem se transmitir para medidas de custo de moradia (shelter) e para a dinâmica de preços mais ampla.
Resiliência do Mercado Imobiliário e Dinâmica da Inflação
Os dados de abril do Case-Shiller, com alta de 1,1% em 12 meses, vieram levemente acima das previsões, sugerindo alguma firmeza no mercado imobiliário no início desta primavera. Vemos isso como um sinal de que a demanda subjacente está absorvendo parte da pressão de juros mais altos. Essa resiliência, porém, já é uma informação defasada diante das condições atuais de mercado.
Perspectiva de Política Monetária e Estratégia Setorial
Nosso foco está em dados mais recentes, que apontam para a continuidade de ventos contrários à economia. O último relatório do CPI de maio mostrou a inflação subjacente (core) permanecendo teimosamente em 3,5%, mantendo o Federal Reserve em postura mais hawkish. Com isso, o CME FedWatch Tool agora indica que a probabilidade de um corte de juros em setembro caiu para abaixo de 40%, uma queda significativa em relação a apenas um mês atrás.
Esse ambiente de juros “mais altos por mais tempo” é o fator dominante para nós neste momento. Acreditamos que o mercado ainda está otimista demais em relação a cortes no quarto trimestre. Portanto, estamos avaliando posições em futuros de Secured Overnight Financing Rate (SOFR) que se beneficiariam caso o Fed mantenha os juros estáveis até o fim do ano.
Em estratégias setoriais, os dados conflitantes sugerem um mercado lateralizado para construtoras (homebuilders) e indústrias correlatas. Vemos pouco potencial de alta em ETFs de construtoras, como o XHB, já que as taxas de hipoteca, agora novamente acima de 7%, provavelmente limitarão o impulso da temporada de compras da primavera. Estamos considerando vender spreads de calls nesses nomes para capturar prêmio com essa expectativa de movimento de lado.
A situação remete a ciclos passados, em que preços de ativos se mantiveram firmes durante o aperto do Fed antes de, eventualmente, sucumbirem a juros mais altos. Dado esse risco, também mantemos uma postura defensiva. Estamos comprando opções de venda (puts) baratas, fora do dinheiro, em ETFs de bancos regionais como hedge contra um eventual aperto adicional de crédito que possa acelerar uma desaceleração.
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