A prata subiu na terça-feira, à medida que o dólar americano devolveu parte dos ganhos anteriores, mesmo após dados mais fortes dos EUA. O XAG/USD era negociado perto de US$ 59,70, em alta de quase 2,5% no dia. No mercado de trabalho, as vagas em aberto do JOLTS aumentaram para 7,594 milhões em maio, ante 7,585 milhões de abril (revisado), acima das projeções de 7,3 milhões. Separadamente, o Índice de Confiança do Consumidor do Conference Board avançou para 91,2 em junho, de 90,6.
A correção do dólar deixou o DXY em torno de 101,10, após máxima intradiária de 101,43, embora o índice ainda caminhasse para o segundo mês seguido de alta. Nesse contexto, a prata acumulava queda de quase 20% no mês, com as expectativas em torno do Fed sustentando o “greenback” e pressionando o metal, que não oferece rendimento. No gráfico de quatro horas, o preço permaneceu abaixo da SMA de 100 períodos em US$ 64,32 e da SMA de 200 períodos em US$ 69,68, enquanto as resistências incluem US$ 60 e um rompimento de linha de tendência perto de US$ 63; o RSI se fortaleceu em direção a 54, enquanto o ADX cedeu para perto de 38. Nos indicadores diários, o RSI ficou em torno de 35 e o ADX perto de 37, com resistência em US$ 60,00 e, depois, na SMA de 200 dias em US$ 69,73, na SMA de 50 dias em US$ 72,28 e na SMA de 100 dias em US$ 75,55; o suporte foi citado perto de US$ 50,00.
Perspectiva baixista para a prata em meio à persistente postura hawkish do Fed
Considerando a data de hoje, 30 de junho de 2026, vemos o repique atual da prata como um rali enganoso dentro de uma forte tendência de baixa. O metal despencou quase 20% neste mês, e as razões fundamentais para essa fraqueza seguem firmemente presentes. Um Federal Reserve (Fed) em modo hawkish e um dólar americano resiliente criam ventos contrários relevantes para ativos sem rendimento, como a prata.
Os dados econômicos sustentam nossa visão de que o Fed não deve afrouxar a política tão cedo. O relatório mais recente do CPI de maio mostrou que a inflação subjacente segue teimosamente elevada, em 3,8%, e, na semana passada, dirigentes do Fed reiteraram o compromisso de manter os juros em patamar alto até que a inflação esteja definitivamente sob controle. Esse ambiente continua favorecendo o dólar americano em detrimento dos metais preciosos.
Estratégias de negociação e posicionamento técnico
Para as próximas semanas, acreditamos que qualquer alta em direção à zona de resistência entre US$ 60 e US$ 63 representa uma oportunidade para iniciar posições baixistas. Os gráficos técnicos mostram um aglomerado denso de resistência nessa região, que dificilmente será rompido sem uma mudança relevante na política do Fed. Assim, estamos considerando vender spreads de call fora do dinheiro (out-of-the-money) com vencimentos em julho e agosto para capturar esse teto esperado de preço.
Alternativamente, para quem busca uma exposição baixista mais direta, a compra de opções de venda (puts) é uma estratégia viável. Como o próximo grande suporte técnico só aparece na região de US$ 50, há espaço significativo para novas quedas. Estamos olhando puts de agosto com preços de exercício em torno de US$ 55, que se beneficiariam da continuidade da tendência primária de baixa.
Historicamente, períodos de juros altos têm sido duros para a prata, de forma semelhante à forte queda vista após o pico de 2011. O relatório mais recente de Commitment of Traders (COT) reforça esse pano de fundo, mostrando que os grandes especuladores aumentaram suas posições líquidas vendidas em futuros de prata pela quarta semana consecutiva. Esse posicionamento institucional sugere que estamos do lado correto da operação.
A queda acentuada deste mês também elevou a volatilidade implícita, tornando a compra de opções mais cara. Essa volatilidade elevada torna a venda de prêmio — como via bear call spreads — uma estratégia especialmente atrativa para nós neste momento. Ela permite lucrar mesmo que a prata apenas consolide ou caia um pouco, ao mesmo tempo em que define o risco na parte de cima.
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