Inflação e acompanhamento de dados
Dados dos EUA mostraram que a média de 4 semanas do ADP Employment Change (estimativa privada de criação de empregos no setor privado) caiu de 14,75 mil para 9 mil. Já o Pending Home Sales (contratos de compra de imóveis assinados, mas ainda não concluídos) de fevereiro subiu 1,8% em relação ao mês anterior, após queda de 1% em janeiro, acima da expectativa de -0,5%. O Dollar Index (índice que mede o dólar contra uma cesta de moedas) caiu 0,15%, para 99,68, e o juro do título americano de 10 anos recuou 2 pontos-base (0,02 ponto percentual), para 4,198%. A política de bancos centrais (instituições que definem os juros do país) seguiu no foco após o Reserve Bank of Australia elevar a taxa em 25 bps (pontos-base; 0,25 ponto percentual). Espera-se que o Bank of Canada e o Federal Reserve (banco central dos EUA) mantenham os juros, com mais decisões previstas do Banco Central Europeu e do Bank of England. Pela análise técnica (leitura do gráfico e de indicadores), o preço está abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias (médias do preço em determinado período, usadas para ver tendência) e o RSI está perto de 44 (índice de força relativa, que mede o “ritmo” do movimento; abaixo de 50 indica fraqueza). A resistência (faixa onde o preço costuma ter dificuldade para subir) fica em US$ 82,00–US$ 83,00 e US$ 86,50–US$ 87,50. O suporte (faixa onde o preço costuma segurar quedas) aparece em US$ 78,00 e depois em US$ 73,50. Com o cenário atual, a fraqueza da prata parece vir do medo de inflação puxado pelo petróleo mais caro, agora acima de US$ 95 por barril. O CPI de fevereiro (índice de preços ao consumidor, medida de inflação) veio acima do esperado, em 3,4%, levando o mercado a apostar em um Federal Reserve mais “duro” (hawkish: tendência a manter juros altos para conter inflação), anulando o efeito normalmente positivo de um dólar mais fraco. Isso indica que o foco do mercado está na inflação e no impacto dela sobre a política de juros.Ideias de posicionamento em opções
A pressão de baixa é clara e, com o preço abaixo de médias importantes, novas quedas parecem possíveis. O nível de US$ 78,00 é o primeiro teste, uma zona de suporte formada em recuos de 2025. Traders podem considerar comprar opções de venda (put: contrato que ganha valor se o preço cair) com preço de exercício (strike: preço definido no contrato) perto de US$ 75 para tentar aproveitar uma possível quebra desse suporte. Os sinais mistos entre dólar fraco e medo de inflação elevaram a volatilidade implícita (estimativa do tamanho dos movimentos futuros embutida no preço das opções) das opções de prata para a máxima de 12 meses, em 45%. Esse ambiente favorece estratégias que ganham com grandes oscilações, sem depender da direção. Uma alternativa é a compra de um straddle comprado (long straddle: comprar uma call e uma put com o mesmo strike e vencimento) para operar essa incerteza. Também vale observar a relação ouro/prata (Gold/Silver ratio: quantas onças de prata equivalem a uma onça de ouro), que passou de 100:1, nível que historicamente sugere que a prata está barata em relação ao ouro. Para quem busca uma operação contrária ao consenso, pode ser uma chance de comprar opções de compra (call) bem fora do dinheiro (far out-of-the-money: strike muito distante do preço atual, com baixa chance de virar lucro, mas custo menor) pagando um prêmio baixo (preço da opção). Se o mercado voltar a buscar metais preciosos como proteção (porto seguro), essa relação pode cair rapidamente. Para quem já está comprado em prata, a fraqueza atual é um risco. Mesmo com o Dollar Index caindo para 99,45, isso não está ajudando, então o dólar virou um sinal pouco confiável agora. Uma alternativa é usar um collar de proteção (estratégia para limitar perdas): vender uma call coberta (covered call: vender call tendo o ativo em carteira) para pagar parte da compra de uma put, protegendo a posição caso o preço caia em direção ao suporte mais baixo de US$ 73,50.
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