Dados do Institute for Supply Management (ISM) mostraram desaceleração da indústria de transformação dos EUA em junho, com o PMI Industrial recuando para 53,3 ante maio e ficando abaixo do consenso de 54. As pressões de preços arrefeceram, com o índice de Preços Pagos caindo para 73 de 82,1, enquanto o índice de Emprego melhorou para 49,7 de 48,6. Os indicadores de demanda foram mistos: o índice de Novos Pedidos caiu para 56 de 56,8. No câmbio, o dólar manteve viés de alta, com o índice DXY sustentando-se acima de 101,00 e testando máximas de vários dias.
Antes da divulgação, os mercados projetavam um ISM PMI inalterado em 54, o que marcaria o sexto mês consecutivo acima de 50,0; leituras sustentadas acima de 42,5 costumam estar associadas a crescimento da economia como um todo. Os detalhes de maio indicavam novos pedidos em 56,8, Preços Pagos recuando para 82,1 de 84,5, e emprego em 48,6 ante 46,4 anteriormente. O EUR/USD foi descrito como enfrentando resistência perto de 1,1450, com níveis de referência em 1,1622, a média móvel simples (SMA) de 200 dias em 1,1657 e 1,1685; os marcadores de baixa eram 1,1324, 1,1300 e 1,1210, com RSI em torno de 37 e ADX em torno de 36.
Desaceleração da manufatura e alívio das pressões inflacionárias
Os dados mais recentes da indústria de transformação para junho mostraram desaceleração, com o número principal aquém das expectativas em 53,3. Embora o setor ainda esteja em expansão, essa perda de fôlego é um sinal que precisamos acompanhar de perto nas próximas semanas. O detalhe mais relevante, contudo, foi a forte queda do índice de Preços Pagos, sugerindo que as pressões inflacionárias na porta das fábricas estão arrefecendo de forma considerável.
Esse arrefecimento da inflação é um indicador importante, com caráter prospectivo, e pode anteceder uma queda em medidas mais amplas como o Índice de Preços ao Consumidor (CPI). Com o CPI mais recente, de maio de 2026, ainda elevado em 3,4%, este relatório da manufatura nos dá motivos para acreditar que o Federal Reserve pode ter menos razões para manter uma postura hawkish até o fim do ano. Passamos a considerar posições em derivativos de juros, como os futuros de SOFR de dezembro de 2026, para apostar em uma inflexão mais dovish do Fed do que o mercado atualmente precifica.
Força da moeda, volatilidade de mercado e divergência no emprego
Apesar do relatório mais fraco da manufatura nos EUA, o dólar segue mostrando força, com o DXY firme acima de 101,00. Isso é, em grande parte, uma história de desempenho relativo, já que dados recentes apontam fraqueza contínua em outras grandes economias, incluindo uma queda recente de 1,5% nos pedidos à indústria na Alemanha. Por ora, vemos isso como uma oportunidade para usar opções sobre o EUR/USD, potencialmente comprando puts para mirar um movimento em direção ao nível de 1,1300.
Os sinais conflitantes de uma economia americana desacelerando e um dólar forte estão gerando incerteza, o que normalmente leva a maior volatilidade de mercado. O VIX, uma medida de volatilidade esperada, está sendo negociado perto de uma mínima de vários anos em 13,5 — patamar que consideramos insustentavelmente baixo dadas as circunstâncias. Recomendamos uma abordagem cautelosa, comprando opções de compra (calls) de VIX ou opções de venda (puts) do S&P 500 como um hedge relativamente barato contra uma potencial correção do mercado.
No componente de emprego, o índice subiu levemente para 49,7, mas segue em território de contração para o setor manufatureiro. Isso contrasta com o mercado de trabalho mais amplo dos EUA, que adicionou sólidos 210 mil empregos no último relatório, referente a maio de 2026. Essa divergência sugere que a desaceleração da manufatura ainda não se espalhou, mas permanece um risco-chave a monitorar antes do próximo relatório oficial de empregos.
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