O PMI Industrial da S&P Global do Brasil caiu para 49,1 em maio, face a 52,6 anteriormente, ficando abaixo do limiar de 50,0 que separa a expansão da contração. A leitura mais recente aponta para uma deterioração das condições operacionais da indústria transformadora, após o crescimento registado no mês anterior.
A inversão sugere que a produção, as novas encomendas e o emprego poderão ter abrandado, à medida que as empresas enfrentaram uma procura mais fraca e ajustaram os planos de produção. Com o índice agora em território de contração, a atenção deverá centrar-se em saber se o abrandamento se prolonga em junho ou se se revela temporário.
Implicações Económicas e de Política
Vemos a queda súbita do PMI industrial do Brasil para 49,1 como um sinal significativamente negativo para a economia. Esta passagem de uma expansão sólida para contração num único mês sugere que o momentum estagnou de forma abrupta. A nossa perspetiva imediata para a produção industrial brasileira e para o crescimento do PIB no segundo trimestre torna-se agora consideravelmente mais prudente.
Este dado coloca em causa a recente postura mais restritiva do banco central e aumenta a probabilidade de futuros cortes de taxas de juro para apoiar o crescimento. Assim, estamos a posicionar-nos para um Real brasileiro mais fraco, com a taxa de câmbio USD/BRL agora com maior probabilidade de romper acima da resistência dos 5,30 observada no início deste ano. A compra de opções call sobre o USD/BRL oferece uma forma de risco definido para expressar esta visão.
Perspetiva de Mercado e Estratégia
Nas ações, esperamos um aumento da pressão em baixa sobre o índice Ibovespa, que já recuou 4% no último mês, negociando perto dos 124.000 pontos. Estamos a comprar opções put sobre ETFs de mercado amplo como o EWZ para cobrir risco e/ou beneficiar de uma potencial descida. Historicamente, reversões tão acentuadas do PMI têm frequentemente antecedido períodos de maior volatilidade de mercado e fraqueza das ações.
A natureza inesperada desta contração deverá alimentar a incerteza nos mercados. Antecipamos uma subida da volatilidade implícita tanto nas opções cambiais como nas de ações, tal como refletido no índice VIX Brazil, que subiu para 28. Isto cria uma oportunidade para estabelecer posições longas em volatilidade, como straddles, para quem espera movimentos acentuados no mercado, mas sem convicção quanto à direção.
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