Sinais de aperto do Banco do Japão
A ata (registro oficial) da reunião de janeiro do BoJ mostrou que os dirigentes consideraram apropriado elevar mais os juros se as previsões de economia e inflação forem cumpridas, já que os juros reais (juros descontados da inflação) seguem bem negativos. Os membros também preferiram decidir reunião a reunião, em vez de definir um caminho fixo de aperto (ciclo de altas de juros). O euro pode encontrar apoio na esperança de menor tensão no Oriente Médio. A Casa Branca disse que as conversas continuam, com o governo Trump enviando uma proposta de 15 pontos ao Irã via Paquistão, enquanto o Irã deve rejeitar uma oferta de cessar-fogo dos EUA e apresentar um plano de cinco pontos que inclui controle soberano (controle próprio do país) sobre o Estreito de Ormuz. A presidente do BCE (Banco Central Europeu), Christine Lagarde, disse que o banco está avaliando o impacto econômico do conflito. Ela afirmou que o BCE está pronto para ajustar a política em qualquer reunião se os riscos de inflação impulsionada pela energia (aumento de preços por causa de petróleo e gás) se espalharem. A pausa recente na alta do EUR/JPY perto de 184,20 indica uma mudança importante. O mercado está precificando (refletindo nos preços) um BoJ mais agressivo, com uma alta de juros em abril parecendo muito provável. Essa convicção vem fortalecendo o iene contra o euro.Estratégia com foco em volatilidade
Essa visão é apoiada pelo dado mais recente do CPI Núcleo de Tóquio (índice de preços ao consumidor, sem itens muito voláteis) de março, que veio em 3,1%, acima da meta do banco central. Também há relatos de que a rodada final do “Shunto” (negociação salarial anual da primavera no Japão) resultou em aumento médio de salários acima de 5,5%, o maior em décadas, o que dá espaço para o BoJ agir. É um quadro de inflação bem mais forte do que o observado na maior parte de 2025. Com esse cenário, é razoável esperar um salto na volatilidade (oscilação de preço) do EUR/JPY nas próximas semanas antes da reunião do BoJ. Operadores podem considerar comprar um straddle de opções (estratégia com compra de uma opção de compra e uma de venda no mesmo preço, para ganhar com um grande movimento para qualquer lado), para lucrar com uma oscilação forte, independentemente de o BoJ confirmar uma postura hawkish (mais dura, com alta de juros) ou frustrar o mercado. O foco é se posicionar para o movimento, não só para a direção. Ao mesmo tempo, existe a chance de recuperação do euro por notícias do Oriente Médio. Sinais críveis de redução da tensão após a proposta dos EUA ao Irã podem enfraquecer rapidamente a força do iene. Isso cria risco dos dois lados e torna perigoso apostar apenas em queda do par. O lado do euro também é afetado pela inflação, com a prévia do HICP (Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor, medida padrão de inflação na União Europeia) de março mostrando a inflação subjacente (núcleo) persistente em 2,9%. Essa resistência mantém pressão sobre o BCE, reduzindo a diferença de política monetária que favoreceu o euro por tanto tempo. Os comentários recentes de Lagarde confirmam que o BCE está pronto para reagir a esses riscos de preços ligados à energia. Assim, a principal ideia é ficar comprado em volatilidade (apostar em mais oscilação) em vez de assumir uma aposta forte de direção no par. Também vale acompanhar o diferencial (diferença) entre os rendimentos dos títulos do Japão e da Alemanha, porque uma redução dessa diferença sinaliza uma mudança fundamental a favor do iene. Usar opções para limitar risco (definir perda máxima) ou negociar valor relativo (comparar duas economias e operar a diferença) parece a abordagem mais prudente.
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