Risco de intervenção volta ao foco
O índice do dólar (medida que compara o dólar com uma cesta de moedas) caiu novamente para abaixo de 100,00. Katayama também disse que o Japão pode tomar “ações fortes” se for preciso. Alguns participantes do mercado esperavam que as autoridades aceitassem um iene mais fraco no curto prazo por causa dos custos mais altos de energia. Comentários recentes de autoridades reduziram essa expectativa. O iene caiu cerca de 2% contra o dólar desde o início do conflito no Oriente Médio. Essa queda é parecida com os ganhos do dólar contra outras moedas do G10 (grupo das 10 principais moedas de países desenvolvidos), o que sugere que o movimento do iene não é algo fora do normal nesse contexto. Estamos vendo um padrão conhecido no USD/JPY, parecido com o que aconteceu em 2025. Na época, autoridades japonesas fizeram alertas fortes quando o par se aproximou de 160,00. Essa intervenção verbal (declarações para tentar influenciar o mercado, sem operar diretamente) criou muita incerteza para os traders (pessoas que operam compra e venda no mercado).Impacto de posições e volatilidade
Lembramos que as autoridades de fato fizeram intervenção direta no fim de 2025, gastando mais de ¥9 trilhões para empurrar o par para baixo. Essa ação marcou um limite claro para o mercado. Porém, a pressão principal vinda do diferencial de juros (diferença entre as taxas de juros de dois países, que influencia o fluxo de dinheiro) não desapareceu. Agora, com o USD/JPY de volta a 158,50, a grande diferença entre os juros do Fed (banco central dos EUA) em 4,75% e do Banco do Japão em 0,1% volta a ser a força dominante. Isso favorece o carry trade (estratégia de tomar dinheiro emprestado onde o juro é baixo e investir onde o juro é mais alto), o que dificulta apostar contra o dólar. Os fatores que levaram o par até 160 no ano passado ainda continuam. A ameaça de outra intervenção mantém a volatilidade implícita (expectativa do mercado sobre quanto o preço pode oscilar, usada para precificar opções) elevada nas opções de iene, principalmente para vencimentos curtos (opções que expiram em pouco tempo). Com o VIX (indicador de “medo” do mercado de ações dos EUA) baixo, perto de 14,5, isso abre espaço para vender calls fora do dinheiro (opções de compra com preço de exercício acima do preço atual, com menor chance de serem exercidas) no USD/JPY acima de 160,50. Essa estratégia pode ganhar com o medo de intervenção e com o tempo passando (perda de valor da opção com o tempo). Devemos ter cautela ao aumentar posições compradas em USD/JPY ao nos aproximarmos da zona 159–160 que provocou ação em 2025. É sensato usar stop-loss curto (ordem automática para limitar perdas) logo abaixo de suportes recentes (níveis de preço onde a queda costuma parar) para reduzir o risco de uma reversão rápida e forte. A chance de uma queda rápida de 5–7 ienes durante uma intervenção é um risco importante.
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