O Banco Popular da China (PBoC) fixou na terça-feira a paridade central USD/CNY em 6,8108, face a 6,8088 na sessão anterior, enquanto uma estimativa da Reuters apontava para 6,7605. Os objetivos declarados do banco central incluem salvaguardar a estabilidade de preços, incluindo a estabilidade cambial, e apoiar o crescimento económico, a par da prossecução de reformas financeiras, como a abertura e o desenvolvimento do mercado financeiro chinês.
O PBoC é estatal, sob a República Popular da China, não sendo, por isso, uma instituição autónoma; a orientação da gestão é moldada pelo papel de Secretário do Comité do Partido Comunista Chinês, cargo que Pan Gongsheng acumula atualmente com o de governador. Na implementação da política, utiliza um vasto conjunto de instrumentos, incluindo a taxa de reverse repo a sete dias, a Medium-term Lending Facility, a intervenção no mercado cambial e o rácio de reservas obrigatórias (RRR), enquanto a Loan Prime Rate (LPR) funciona como taxa de referência que influencia os custos de financiamento, o preço do crédito à habitação e a remuneração das poupanças. A China tem ainda 19 bancos privados, com o WeBank e o MYbank entre os maiores, e regras introduzidas em 2014 permitiram que credores domésticos totalmente capitalizados por fundos privados operassem no sistema dominado pelo Estado.
PBoC sinaliza tolerância oficial a um yuan mais fraco
Tendo em conta que o Banco Popular da China fixou o USD/CNY em 6,8108, um nível sensivelmente mais fraco do que o da sessão anterior e do que as estimativas do mercado, interpretamos este movimento como um sinal de tolerância oficial a uma moeda mais depreciada. Esta orientação de política deverá visar apoiar a economia chinesa, tornando as exportações mais competitivas. O desvio face às expectativas é, para nós, o elemento mais relevante destes dados.
Este movimento está alinhado com os indicadores económicos mais recentes, que mostram que, em maio de 2026, o crescimento das exportações abrandou para 1,5% em termos homólogos, enquanto a produção industrial também ficou aquém das previsões. O PMI nacional, um indicador-chave da atividade fabril, tem permanecido ligeiramente acima dos 50 pontos — o limiar que separa expansão de contração — nos últimos dois meses. Estes dados fracos dão um incentivo claro às autoridades para utilizarem a taxa de câmbio como instrumento de estímulo ao crescimento.
Expectativas de maior flexibilização e posicionamento de mercado
Com a economia a dar sinais de abrandamento, acreditamos que o banco central poderá avançar com medidas de flexibilização mais diretas. Historicamente, uma sequência de fixings mais fracos da moeda precedeu frequentemente cortes da Loan Prime Rate (LPR) ou do rácio de reservas obrigatórias (RRR) para reforçar a procura interna. Assim, estaremos atentos a potenciais ajustamentos das taxas de política no curto prazo.
Nas próximas semanas, pretendemos posicionar-nos para uma maior depreciação do yuan face ao dólar norte-americano. Consideramos que a compra de opções call USD/CNH com maturidade de um mês constitui uma estratégia atrativa para beneficiar desta tendência esperada. Esta abordagem permite-nos capturar uma possível subida do par cambial, definindo de forma clara e limitando o risco máximo.
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