Ouro se mantém acima de US$ 4.100 com enfraquecimento do dólar antes da ata do FOMC; temores de inflação impulsionados pelo petróleo limitam os ganhos

by VT Markets
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Jul 8, 2026

O ouro se manteve acima de US$ 4.100 no início do pregão europeu desta quarta-feira, mas teve dificuldade para estender ganhos modestos, à medida que o dólar americano recuava antes da divulgação da ata (Minutes) do FOMC de junho. O metal havia recuado de pouco acima de US$ 4.200, máxima de duas semanas registrada na segunda-feira, e o pano de fundo macro mais amplo manteve o risco inclinado para o lado negativo. Os desdobramentos geopolíticos aumentaram a complexidade: os EUA lançaram uma nova onda de ataques contra o Irã na terça-feira após relatos de ataques a três petroleiros no Estreito de Ormuz, enquanto Washington se moveu para retirar uma concessão que permitia ao Irã vender petróleo internacionalmente, ajudando a impulsionar uma forte alta do petróleo e a reacender preocupações com inflação liderada por energia — em linha com a postura do Fed de “juros mais altos por mais tempo”.

A precificação de juros seguiu restritiva para o ouro, que não rende juros. O FedWatch, do CME Group, mostra os mercados atribuindo probabilidade superior a 80% de pelo menos uma alta de 25 pontos-base até o fim do ano, enquanto os rendimentos dos títulos subiram, com o Treasury de 10 anos em 4,567% e o de dois anos em 4,189%. No técnico, o XAU/USD permaneceu dentro de um canal de baixa e abaixo da média móvel simples (SMA) de 200 dias, com o MACD virando para positivo, mas o RSI ainda contido, em 44,33. A resistência foi indicada perto de US$ 4.164,35, com uma barreira adicional na SMA de 200 dias em US$ 4.491,30; o suporte ficou na região de US$ 3.713,85.

Reação do Mercado e a Perspectiva Hawkish do Fed

Dada a situação atual, vemos a força recente do ouro como uma oportunidade de venda, e não como o início de uma nova tendência de alta. A tensão geopolítica no Estreito de Ormuz está reforçando mais o apelo de “porto seguro” do dólar do que o do ouro, limitando avanços mais significativos do metal. Dados recentes mostram que a Lloyd’s de Londres acaba de elevar em 35% o prêmio de seguro de risco de guerra para petroleiros na região, indicando que o mercado espera que essa tensão — favorável ao dólar — persista.

A disparada dos preços do petróleo, com o Brent agora negociando acima de US$ 115 por barril pela primeira vez neste ano, alimenta diretamente a narrativa do Fed de “juros mais altos por mais tempo”. Isso ocorre logo após os dados do núcleo do PCE da semana passada mostrarem a inflação permanecendo teimosamente em 3,9%, reforçando temores de retomada de pressões de preços. Por esse motivo, acreditamos que o Federal Reserve manterá uma postura hawkish ao longo do verão no hemisfério norte.

A precificação do mercado reflete essa convicção crescente: os futuros de Fed funds agora indicam 65% de chance de uma alta de 25 pontos-base na reunião de setembro. Essa expectativa mantém os rendimentos dos Treasuries elevados, com a T-note de 10 anos firme acima de 4,5%. Esse alto custo de oportunidade torna a manutenção de ouro, que não paga juros, cada vez menos atraente para o dinheiro institucional.

Estratégia de Trading e Gestão de Risco

Assim, nossa estratégia para as próximas semanas é usar quaisquer ralis em direção à resistência do canal em US$ 4.164 como oportunidade para iniciar posições baixistas. Consideramos a venda de spreads de call fora do dinheiro (out-of-the-money) com vencimento em agosto uma forma atraente, com risco definido, de operar essa visão. Essa abordagem se beneficia tanto de uma queda de preço quanto da perda de valor pelo tempo (time decay) se o ouro continuar lateralizado abaixo da resistência.

A volatilidade também está em alta, com o índice de volatilidade do ouro da Cboe (GVZ) avançando para 22,5, sugerindo que os traders estão se preparando para oscilações maiores. Para aproveitar um possível movimento de baixa, também estamos avaliando bear put spreads. Comprar uma put com strike em US$ 4.000 e, simultaneamente, vender uma put com strike em US$ 3.800 oferece uma forma clara de mirar uma queda em direção à parte inferior do canal de preços atual.

Para quem já tem posições compradas, é prudente fazer hedge contra uma queda até o suporte estrutural perto de US$ 3.715. A compra de puts de proteção com vencimento em setembro pode fornecer um seguro contra um rompimento para baixo. Manteremos esse viés cauteloso a baixista até que o ouro consiga romper e sustentar, de forma convincente, acima da principal média móvel de 200 dias, que permanece distante, em US$ 4.491.

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