O ouro (XAU/USD) caiu pela quarta sessão consecutiva nesta quarta-feira, recuando para US$ 3.960 e mantendo as mínimas do ano em US$ 3.945 por perto, após tocar na terça-feira um piso de sete meses em US$ 3.941. Os rendimentos dos Treasuries dos EUA subiram depois que as vagas de emprego em aberto em maio atingiram o maior nível em dois anos, reforçando as expectativas de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Mais tarde, espera-se que o relatório de emprego da ADP mostre uma criação saudável de vagas em junho, antes do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, no encontro do Banco Central Europeu em Sintra, Portugal. A ação de preços segue irregular (volátil) em torno de US$ 4.000, com o momentum baixista perdendo força, mas sem uma reversão clara; o RSI indica divergência baixista e o MACD no gráfico de quatro horas está levemente negativo.
No gráfico, o suporte se mantém acima da região de US$ 3.970 da semana passada, enquanto uma quebra para baixo abriria caminho para a mínima do fim de outubro de 2025 em US$ 3.886 e para a extensão de Fibonacci de 127,2% em US$ 3.860. A resistência aparece perto da máxima intrassemanal em torno de US$ 4.060 e do nível de sexta-feira em US$ 4.096, com US$ 4.215 — faixa que abrange a mínima de 17 de junho e a máxima de 22 de junho — acima disso. Separadamente, os bancos centrais seguem como grandes detentores de ouro, adicionando 1.136 toneladas avaliadas em cerca de US$ 70 bilhões em 2022, a maior compra anual já registrada, e a correlação inversa do ouro com o dólar americano e os Treasuries continua a moldar a dinâmica de preços.
Pressão baixista vinda da política monetária e dos dados econômicos
Vemos pressão contínua sobre o ouro à medida que o mercado precifica um Federal Reserve mais agressivo. Dados econômicos fortes nos EUA dão ao Fed uma pista clara para continuar elevando as taxas de juros. Isso torna menos atrativo manter um ativo que não rende juros, como o ouro.
O recente relatório de Payrolls (Non-Farm Payrolls) de junho, que mostrou a criação de 285 mil empregos, reforça essa visão. Além disso, com a última leitura do núcleo do CPI (Core CPI) firme em 3,1%, o Fed tem pouco motivo para abandonar sua postura hawkish. O rendimento do Treasury de 10 anos respondeu ao movimento e avançou para 4,85%, o maior nível do trimestre.
Para traders que compartilham essa visão baixista, acreditamos que comprar opções de venda (puts) é uma estratégia direta. Especificamente, estamos olhando puts de agosto com preços de exercício (strikes) em torno de US$ 3.900 para capturar um possível rompimento das mínimas recentes. Isso oferece risco definido enquanto mira os níveis de suporte citados em torno de US$ 3.886.
Estratégias com opções e suporte estrutural para o ouro
Dada a ação de preços irregular em torno da marca de US$ 4.000, uma alternativa é vender prêmio. Achamos que vender spreads de call fora do dinheiro (out-of-the-money), como o spread de agosto US$ 4.100/US$ 4.150, pode ser eficaz. Essa estratégia se beneficia do decaimento do tempo e do ouro não conseguir avançar de forma relevante acima das máximas recentes.
Estamos acompanhando de perto o nível de US$ 3.940 como um gatilho-chave de suporte para novas quedas. Um rompimento abaixo disso provavelmente aumentaria o momentum baixista e a volatilidade. A volatilidade implícita nas opções de ouro vem subindo gradualmente, sugerindo que o mercado antecipa um movimento decisivo nas próximas semanas.
Apesar do nosso viés baixista no curto prazo, precisamos reconhecer o suporte subjacente vindo das compras de bancos centrais. Tensões geopolíticas e tendências de desdolarização seguem impulsionando a demanda oficial por ouro. Isso funciona como um piso de longo prazo e pode limitar a magnitude de uma realização (sell-off) mais significativa.
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