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Ouro recua para abaixo de US$ 4.020 com alta do dólar e chances de aumento de juros pelo Fed pressionando o metal precioso

by VT Markets
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Jul 28, 2026

O ouro era negociado perto de US$ 4.020 na manhã de terça-feira em Nova York, com queda de cerca de 1,4% após abrir em torno de US$ 4.075 e recuar para pouco acima de US$ 4.000. A baixa veio junto a uma liquidação de ações na Ásia, com as ações sul-coreanas caindo quase 11%, enquanto o Nikkei 225 perdeu perto de 4% e o índice de referência regional recuou 3%. A busca por proteção, porém, favoreceu títulos públicos e o dólar: o índice do dólar (DXY) estava perto de 101,50, na máxima de um mês, e a moeda americana ficou pouco abaixo de 164,00 frente ao iene. O suporte geopolítico também arrefeceu, com a pausa nos ataques dos EUA ao Irã entrando no quarto dia; o tráfego pelo Estreito de Ormuz permaneceu abaixo de 10 embarcações por dia, ante cerca de 100 antes do conflito.

As atenções se voltam para a decisão de política monetária de quarta-feira, às 18:00 GMT, com o mercado precificando 36% de chance de alta nesta reunião, ao menos uma elevação com probabilidade de cerca de 80% até setembro e nenhuma redução embutida na curva para 2026. A inflação de junho mostrou o índice cheio em 3,5% na comparação anual, contra um teto de 3,75%, e o núcleo em 2,6%, enquanto dados de fundos indicaram que produtos negociados em bolsa lastreados em ouro físico tiveram resgates de cerca de US$ 8,9 bilhões, reduzindo as posições em 74 toneladas para pouco acima de 4.000 toneladas, mesmo com entradas líquidas no primeiro semestre em torno de US$ 8 bilhões e com fundos asiáticos captando um recorde de US$ 12 bilhões. Na quinta-feira, saem o núcleo do PCE de junho em 0,2% m/m e 3,3% a/a, contra 0,3% e 3,4%, PIB a 2,1% anualizado e pedidos de auxílio-desemprego em 200 mil, ante 187 mil; separadamente, a contratação no setor privado desacelerou para 15 mil, de 16.250, e o índice de confiança veio em 90,8. Os níveis-chave citados foram resistência em US$ 4.075, depois US$ 4.150 e a EMA de 50 dias perto de US$ 4.200, contra suporte em US$ 4.000 e pouco abaixo de US$ 3.950, com drawdown de 28% desde o recorde de janeiro, perto de US$ 5.600.

Fracasso do ouro como porto seguro e perspectiva tática de trading

Acreditamos que operadores de derivativos devem se preparar para vender ralis de curto prazo no ouro, já que o metal não tem atuado como porto seguro apesar da turbulência nos mercados globais. Com o ouro caindo para perto de US$ 4.020 apesar de uma forte queda de dois dígitos nas bolsas asiáticas, o fluxo tradicional de aversão a risco está claramente migrando para o dólar e para os Treasuries. Devemos buscar montar posições vendidas via opções, como a compra de puts, em eventuais repiques temporários em direção à resistência em US$ 4.075.

Pressão de política monetária e fluxos de ETFs

O principal peso sobre o ouro segue sendo a postura persistentemente hawkish do Federal Reserve, com o mercado precificando 80% de probabilidade de alta de juros até setembro. Historicamente, quando os juros reais ficam positivos — semelhante ao “taper tantrum” de 2013, quando o ouro despencou mais de 25% — o metal, que não rende juros, tem dificuldade para competir com caixa. Com o núcleo do PCE projetado em 3,3% e a taxa de política permanecendo altamente restritiva, esperamos que o metal continue sob forte pressão nas próximas semanas.

Também é preciso acompanhar a forte divergência entre vendas institucionais no Ocidente e compras físicas na Ásia. Dados do World Gold Council mostram que ETFs lastreados em ouro físico tiveram saídas de US$ 8,9 bilhões em junho, refletindo uma tendência mais ampla em que a alta dos rendimentos afasta capital de metais preciosos. Embora a acumulação asiática de longo prazo forneça um colchão temporário, a falta de apoio institucional no Ocidente sugere que os ralis provavelmente serão limitados perto da média móvel de 50 dias, em US$ 4.200.

Para nossa estratégia de trading nas próximas semanas, recomendamos mirar o suporte crucial em US$ 4.000, com um alvo secundário no piso de verão em US$ 3.950. Traders podem utilizar estruturas como bear put spreads para capturar esse movimento de baixa, limitando o risco caso a volatilidade aumente em torno dos dados de PIB e inflação de quinta-feira. Devemos manter esse viés baixista a menos que o ouro consiga um fechamento diário acima da resistência em US$ 4.150.

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