O ouro manteve-se acima dos 4.200 dólares na sexta-feira, a negociar nos 4.216 dólares, em alta de 0,11%, numa altura em que a conversa sobre um potencial acordo EUA-Irão na próxima semana sustentou o apetite pelo risco. O foco do mercado virou-se para o Memorando de Entendimento (MOU) de Islamabad, com especulação sobre uma assinatura em torno da reunião do G7 em Genebra, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou que os órgãos de decisão ainda estavam a analisar o documento. Se for alcançado, o Estreito de Ormuz poderá reabrir, o que pressionaria os preços da energia e moderaria os receios de inflação nos principais bancos centrais.
A dinâmica das taxas manteve-se mista. O Reserve Bank of Australia (RBA) e o Banco Central Europeu (BCE) subiram as taxas em 75 e 25 pontos base este ano, enquanto yields mais firmes nos EUA penalizaram o ouro, com a Treasury a 10 anos a subir 1,5 pontos base para 4,477%. O Índice do Dólar (DXY) estava praticamente inalterado em 99,77, com ligeira subida de 0,06%. Nos EUA, a confiança do consumidor em junho subiu de 44,8 para 48,9, enquanto as expectativas de inflação a um ano recuaram de 4,8% para 4,6%; as atenções voltam-se agora para a decisão da Fed, as SEP e as Vendas a Retalho. Do ponto de vista técnico, o ouro recuperou 3,50% na quinta-feira; a resistência situa-se nos 4.250 dólares, depois 4.300 dólares e a SMA de 200 dias nos 4.450 dólares, enquanto o suporte está nos 4.200 dólares, depois 4.150 dólares, 4.023 dólares e 4.000 dólares.
Risco em Duas Direções no Ouro em Meio à Incerteza Geopolítica
Tendo em conta a incerteza em torno do acordo EUA-Irão, vemos um risco significativo em duas direções no ouro. O mercado está preso entre a perspetiva otimista de uma mudança de orientação mais dovish por parte dos bancos centrais e a perspetiva negativa de eliminação de um importante prémio de risco geopolítico. Este enquadramento torna perigosas apostas direcionais simples, apontando para estratégias que lucram com a própria volatilidade.
Acreditamos que a abordagem mais prudente é usar opções para negociar a explosão de preços esperada em torno das notícias da reunião do G7. A volatilidade implícita nas opções sobre ouro deverá estar elevada, com o Gold VIX (GVZ) provavelmente acima da sua média histórica de 17, sinalizando que o mercado já está a precificar um movimento expressivo. O uso de straddles ou strangles permite lucrar com uma ruptura acentuada em qualquer direção, sem precisar de adivinhar corretamente o desfecho do acordo.
Estratégias de Trading e o Impacto da Política dos Bancos Centrais
Se formos obrigados a assumir uma visão otimista, ela assentaria inteiramente na reação da Reserva Federal. Um acordo confirmado que alivie a inflação poderá desencadear uma viragem dovish, o que historicamente favorece o ouro; por exemplo, o ouro subiu mais de 15% no final de 2023 apenas com a expectativa de cortes de taxas pela Fed. Neste cenário, olharíamos para call options ou bull call spreads com alvo no nível de resistência dos 4.300 dólares.
Em sentido inverso, uma reação de “sell the news” é uma possibilidade muito real se o acordo for assinado. O medo geopolítico que levou o ouro acima dos 4.200 dólares dissipar-se-ia, de forma semelhante ao que aconteceu quando os preços do crude caíram significativamente após o anúncio do quadro inicial do acordo nuclear com o Irão em 2015. Isto sugere a compra de puts com alvo no suporte próximo do mínimo de 11 de junho, nos 4.023 dólares.
Por fim, devemos acompanhar de perto a reunião da Fed da próxima semana, a primeira sob o presidente Warsh. O seu tom será crítico para definir as expectativas do mercado, independentemente do estado do acordo. Devemos também estar preparados para um potencial “volatility crush”, em que os prémios das opções colapsam imediatamente após o anúncio da Fed à medida que a incerteza é resolvida.
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