Perspectiva técnica e níveis-chave
No gráfico de quatro horas, os indicadores de força do movimento (indicadores de “momentum”, que ajudam a ver se a alta ou a queda está ganhando ou perdendo força) enfraqueceram, com o RSI perto de 50 e o MACD negativo e caindo. – RSI (Índice de Força Relativa): mede a força do movimento do preço; perto de 50 indica equilíbrio, sem domínio claro de compradores ou vendedores. – MACD (média móvel de convergência e divergência): compara médias de preço para indicar tendência e mudança de força; negativo e caindo sugere pressão de baixa. A resistência acima de US$ 4.850 era seguida por níveis acima de US$ 5.000 e pela máxima de 10 de março em US$ 5.238. O suporte (região onde o preço costuma parar de cair) foi visto perto das mínimas de quarta e quinta-feira, em torno de US$ 4.775. Uma queda abaixo de US$ 4.600 abriria caminho para as mínimas de 26 de março perto de US$ 4.350. Bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, em 2022, a maior compra anual desde o início dos registros. O ouro muitas vezes se move na direção oposta ao dólar e aos títulos do Tesouro dos EUA (papéis de dívida do governo americano) e é cotado em dólares como XAU/USD (código de negociação: ouro/dólar). Por volta desta época no ano passado, em abril de 2025, vimos o ouro preso em um canal estreito entre US$ 4.600 e US$ 4.850. O mercado foi chacoalhado por manchetes conflitantes sobre as conversas de paz EUA-Irã, criando um mercado lateral com perda de força de alta. Esse movimento em faixa favoreceu traders que ganhavam com a queda da volatilidade (variação do preço).Mudança de estratégia para o cenário atual
Hoje, o quadro mudou de esperança geopolítica (efeitos de política internacional) para a realidade econômica, com a inflação persistente virando o principal motor dos metais preciosos. Enquanto o mercado do ano passado era guiado por notícias, o dado mais recente do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, indicador de inflação ao consumidor nos EUA) de 3,4% dá um motivo fundamental (baseado em economia, não só em gráfico) para manter ouro. Essa pressão econômica cria um piso de preço (região onde o preço tende a segurar) mais firme do que a incerteza diplomática vista em 2025. O mercado lateral do ano passado era ideal para vender prêmio (receber o valor pago pelas opções) com estratégias como iron condor (estrutura com opções que busca lucro quando o preço fica dentro de uma faixa). Com a volatilidade implícita (volatilidade “embutida” no preço das opções, indicando o quanto o mercado espera que o ativo varie) mais alta, como mostra o índice GVZ (CBOE Gold Volatility Index, indicador de volatilidade do ouro) perto de 18, essas estratégias ficam mais arriscadas. Por isso, faz mais sentido mudar de ganhar com a estagnação para buscar uma possível saída da faixa (breakout, quando o preço rompe um nível importante e acelera). Com esse cenário de inflação, comprar opções de compra (call options, contratos que podem ganhar se o preço subir) ou montar travas de alta (bullish call spreads, compra e venda de calls em níveis diferentes para reduzir custo e limitar risco/ganho) parece uma estratégia mais prudente para as próximas semanas. Essa abordagem permite aproveitar uma possível alta, com risco bem definido. Vale considerar vencimentos em junho ou julho para dar tempo ao movimento se desenvolver.
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