Foco do mercado muda para ativos de risco
O Índice do Dólar (medida da força do dólar contra outras moedas principais) caiu 0,06%, para 98,05, perto da mínima de seis semanas em 97,96. O rendimento (juros) do título do governo dos EUA de 10 anos subiu três pontos-base (0,03 ponto percentual) para 4,275% com a expectativa de que o Federal Reserve/Fed (banco central dos EUA) não corte os juros este ano. As tensões continuaram por causa de um bloqueio dos EUA no Estreito de Hormuz (rota marítima importante para o transporte de petróleo). A Reuters disse que o Irã poderia permitir que navios usassem o lado de Omã como parte de um acordo. O PPI de março (índice de preços ao produtor, que mede a variação de preços recebidos por empresas) subiu para 4%, abaixo da previsão de 4,6%, com a gasolina em alta de 15,7% (BLS, órgão de estatísticas de trabalho dos EUA). Os mercados de juros precificaram apenas oito pontos-base de queda até o fim do ano (probabilidade implícita), enquanto a inflação ficou perto de 3%. No lado técnico (análise por gráficos e níveis de preço), o ouro falhou em US$ 4.899 e virou para baixo, com US$ 4.850 como nível a recuperar. O suporte (região onde o preço costuma encontrar compradores) fica em US$ 4.750 e depois em US$ 4.700, com médias móveis (média de preços de um período, usada para indicar tendência) perto de US$ 4.684 e US$ 4.640.Níveis-chave e cenários de curto prazo
Estamos vendo uma rotação “risk-on” (migração para ativos mais arriscados) porque a possibilidade de um acordo entre EUA e Irã reduz o medo geopolítico (risco ligado a conflitos e política internacional). Isso empurra o S&P 500 em direção ao recorde, sustentado pelo bom desempenho liderado por IA (inteligência artificial) visto em 2025. Com isso, o ouro fica pressionado, pois o “prêmio de risco geopolítico” (parte do preço que reflete medo de conflito) perde força. Ainda assim, é preciso cautela ao apostar totalmente em um acordo de paz apenas com base em declarações. Em 2025, o sentimento do mercado (humor dos investidores) mudou rapidamente em crises parecidas, o que criou oportunidades de compra em portos seguros. O bloqueio dos EUA no Estreito de Hormuz segue sendo um ponto crítico que pode reacender o conflito e fazer o ouro subir forte. A posição firme do Fed contra cortes de juros é um vento contrário (fator que atrapalha) para o ouro, que não paga rendimento (não gera juros). Em 2024 e 2025, a inflação persistente, com o CPI (índice de preços ao consumidor, que mede a inflação ao consumidor) muitas vezes acima de 3% segundo o BLS, levou o Fed a manter uma política restritiva (juros altos para frear a inflação). O PPI de 4% reforça que a pressão de preços da energia ainda está se espalhando pela economia. Com esse cenário, vale observar uma redução de posições compradas especulativas (apostas de alta feitas por traders), o que pode acelerar a queda do ouro até suportes importantes. Dados da CFTC (órgão regulador do mercado de derivativos nos EUA) costumam mostrar que uma compra “lotada” (muita gente na mesma aposta) pode virar uma saída rápida quando surgem notícias ruins. Nos próximos dias, o nível de US$ 4.800 no XAU/USD é o ponto central. Um fechamento diário abaixo desse valor (encerramento do dia no gráfico diário) tende a puxar novas vendas em direção ao suporte de US$ 4.750. Por outro lado, se os vendedores não conseguirem segurar o preço, pode haver um repique rápido para testar a resistência (região onde o preço costuma encontrar vendedores) perto da média móvel de 50 dias em US$ 4.899.
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