O ouro (XAU/USD) ampliou para o segundo dia as perdas nesta sexta-feira, recuando abaixo de US$ 4.050 na Ásia, à medida que um dólar americano mais firme pesou sobre o metal que não rende juros. O suporte ao “greenback” veio do avanço dos preços do petróleo, que alimentou preocupações inflacionárias e reforçou a expectativa de que os juros nos EUA podem permanecer elevados. As Forças Armadas dos EUA afirmaram ter realizado na quinta-feira mais uma rodada de ataques contra o Irã, na 13ª noite consecutiva de operações, enquanto o CENTCOM citou alvos que vão de centros de comando a depósitos de drones e vigilância costeira ligados a ameaças na região do Estreito de Hormuz. Ações retaliatórias no Kuwait, Bahrein e Jordânia, além de ataques dos houthis contra dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, levaram o petróleo ao maior nível desde 11 de junho.
As expectativas de política monetária também ficaram mais restritivas após os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caírem ao menor nível desde setembro de 1969, sustentando o argumento de ao menos uma alta de juros até o fim do ano. Separadamente, o presidente Donald Trump impôs novas tarifas de 10% a 12,5% a 60 parceiros comerciais, abrangendo 99,4% das importações dos EUA, o que aumentou a demanda pela moeda de reserva antes da reunião do FOMC na próxima semana. No técnico, a rejeição do ouro perto da EMA de 200 períodos e o recuo após a recuperação a partir da mínima mensal de US$ 3.960-3.959 deixaram o MACD abaixo de zero e o RSI perto de 41; uma quebra abaixo de US$ 4.000 e de US$ 3.980-3.975 aprofundaria a pressão baixista, enquanto a resistência está na EMA de 200 períodos em US$ 4.158,08.
Riscos de mercado e implicações para trading
Recomendamos que operadores de derivativos se preparem para volatilidade elevada, já que a escalada do conflito EUA-Irã ameaça gargalos vitais de transporte de petróleo. Com o Estreito de Hormuz respondendo por cerca de 20% dos líquidos de petróleo do mundo, qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo tende a manter o petróleo em níveis altos. Devemos nos posicionar para temores inflacionários persistentes, o que provavelmente manterá o dólar forte e continuará pressionando o ouro.
Dados robustos do mercado de trabalho dos EUA, com destaque para os pedidos de seguro-desemprego despencando a mínimas históricas não vistas desde 1969, dão ao Federal Reserve ampla margem para manter os juros elevados. Esse ambiente macro reduz a atratividade do ouro, que não oferece rendimento; por isso, preferimos opções de venda (puts) de curto prazo ou estruturas de “bear put spread” em XAU/USD. Esperamos que a reunião do FOMC na próxima semana confirme esse viés hawkish, limitando ainda mais as chances de recuperação do ouro.
Perspectiva técnica e estratégica para o ouro
A introdução de tarifas amplas entre 10% e 12,5% sobre parceiros comerciais relevantes está impulsionando um movimento de busca por segurança, mas especificamente em direção ao dólar americano. Historicamente, temores de guerra comercial reforçam o status do dólar como moeda de reserva, o que pressiona diretamente o ouro denominado em USD. Sugerimos aproveitar essa força do dólar vendendo ouro em repiques temporários.
Pelos gráficos, a incapacidade do ouro de romper acima da Média Móvel Exponencial de 200 períodos em US$ 4.158,08 indica que os vendedores seguem firmemente no controle. Com o RSI orbitando 41 e o MACD preso em território negativo, o momentum aponta para um teste do piso psicológico de US$ 4.000. Recomendamos stop-losses apertados logo acima de resistências intradiárias recentes, mirando a zona de suporte entre US$ 3.980 e US$ 3.975.
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