Choque de energia atinge os mercados
O petróleo Brent subiu acima de US$ 118 por barril antes de recuar para perto de US$ 112, e o West Texas Intermediate (WTI, referência de petróleo nos EUA) avançou em direção a US$ 97. O conflito atrapalhou o transporte marítimo pelo Estreito de Hormuz e retirou cerca de 20 milhões de barris por dia do mercado de exportação, enquanto os preços do gás na Europa subiram até 35%. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve os juros em 3,50%–3,75% em uma votação de 11 a 1. O “dot plot” (gráfico com as projeções de juros dos dirigentes do Fed) ainda mostra um corte de 25 pontos-base em 2026 (ponto-base é 0,01%; 25 pontos-base = 0,25%), mas sete dirigentes esperam nenhum corte neste ano, e a projeção do núcleo do PCE (índice de inflação preferido do Fed; “núcleo” exclui itens muito voláteis como energia e alimentos) para 2026 subiu de 2,5% para 2,7%. O CME FedWatch (ferramenta que estima probabilidades de decisões de juros usando preços de contratos futuros) colocou a chance de ao menos um corte até dezembro abaixo de 60%. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego caíram 8.000 para 205.000, os pedidos contínuos subiram 10.000 para 1,857 milhão, e o índice do Fed da Filadélfia (pesquisa sobre atividade industrial na região) aumentou para 18,1, ante 16,3. A Micron caiu cerca de 7% apesar de EPS (lucro por ação) de US$ 12,20 com receita de US$ 23,86 bilhões, alta de 196% em 12 meses, e de ter aumentado o capex de 2026 (gastos de capital, como investimento em fábricas e equipamentos) em US$ 5 bilhões. A Boeing caiu mais de 3%, a Caterpillar recuou mais de 2% e a Salesforce subiu mais de 1,5%.Volatilidade e posicionamento
Com o mercado reagindo a um grande choque de energia e a um Fed mais duro com a inflação (“hawkish”, ou seja, inclinado a manter juros altos), a volatilidade deve dominar as próximas semanas. O índice de volatilidade da CBOE (VIX, medida do medo do mercado baseada em opções do S&P 500) disparou para acima de 32, um nível que não víamos desde a instabilidade do setor bancário no começo de 2025. Essa volatilidade alta e persistente mantém os prêmios de opções (o preço pago por uma opção) caros, tornando posições compradas diretas mais custosas e arriscadas. O caminho mais provável para os principais índices parece ser de queda, especialmente com o S&P 500 agora abaixo da média móvel de 200 dias. A estratégia mais prudente é vender quando houver repique, usando contratos futuros (acordos para comprar ou vender um ativo a um preço definido no futuro) ou “bear call spreads” (estratégia com opções que limita o risco: vende uma call e compra outra call com preço mais alto, apostando em alta limitada ou queda). A queda do Dow abaixo de 46.000 mostra fraqueza, e qualquer recuperação em direção ao nível rompido de 46.700 deve ser vista como chance de vender a descoberto (lucrar com queda, vendendo primeiro e recomprando mais barato depois). Uma rotação defensiva clara está em andamento, o que abre espaço para “pair trades” (operação em pares: compra um ativo e vende outro ao mesmo tempo para reduzir o risco do mercado como um todo). Vale considerar posição comprada no setor de energia (XLE, ETF de ações de energia) para aproveitar o petróleo perto de máximas vistas em 2022. Ao mesmo tempo, faz sentido buscar posição vendida em industriais (XLI, ETF de ações industriais) e em ações de consumo discricionário (empresas mais dependentes de gasto “não essencial”), que sofrem mais com custos maiores e demanda mais fraca. O cenário econômico atual lembra os períodos de estagflação dos anos 1970 (inflação alta com economia fraca). Diferente do período de desinflação (queda gradual da inflação) visto em boa parte de 2025, agora o Fed fica “sem espaço”, mantendo juros altos para conter a inflação mesmo com o crescimento desacelerando. Isso reduz o “Fed put” (a ideia de que o Fed sempre socorre os mercados em quedas fortes). Com prêmios elevados, comprar “puts” (opções de venda, que ganham valor quando o preço cai) diretamente é caro para se proteger ou apostar na queda. A preferência é usar “put debit spreads” (estratégia com opções para reduzir custo: compra uma put e vende outra put com preço de exercício mais baixo) em índices como o SPDR S&P 500 ETF (SPY, ETF que acompanha o S&P 500). A busca por proteção contra queda está forte, com a relação put/call (indicador que compara o volume de puts com o de calls; alto sugere mais medo) nos principais índices no maior nível do ano, indicando que o medo é o principal fator por trás do posicionamento do mercado.
Comece a negociar agora – Clique aqui para criar sua conta real na VT Markets