Reação do mercado e risco no Estreito de Ormuz
O Irã respondeu no domingo, avisando que atacaria sistemas de energia e de água de vizinhos do Golfo se os EUA cumprirem a ameaça. O Exército de Israel também afirmou que Teerã lançou dois mísseis de longo alcance contra Arad e Dimona, no sul de Israel. Israel informou que cerca de 160 pessoas ficaram feridas nesses ataques. O mercado está avaliando o risco de novos ataques contra civis e infraestrutura de energia, e a incerteza sobre o acesso pelo Estreito de Ormuz (um corredor marítimo por onde passa grande parte do petróleo transportado no mundo). O comportamento do WTI mais tarde vai depender de novos desdobramentos ligados ao estreito e às tensões na região. Operadores (pessoas e empresas que compram e vendem contratos no mercado) vão observar se os ganhos do começo da semana se mantêm. Vemos ecos das tensões de 2025, quando o petróleo WTI chegou a passar de US$ 100 por barril por pouco tempo. A piora do ano passado envolvendo o Estreito de Ormuz mostrou como riscos geopolíticos (problemas entre países que afetam economia e comércio) podem entrar rápido no preço. Essa lembrança influencia como enxergamos a estabilidade atual.Posicionamento e ideias com derivativos
Com o WTI perto de US$ 85, o mercado parece menos agitado do que na crise de 2025. Porém, o relatório mais recente da EIA (agência de energia dos EUA) mostra que os estoques globais de petróleo ainda estão 3% abaixo da média de cinco anos, deixando pouca “margem de segurança” para choques de oferta (interrupções repentinas de produção ou transporte). Essa falta de folga pode fazer qualquer nova piora ter um impacto maior nos preços. Acreditamos que este cenário favorece ter exposição a alta usando derivativos (contratos financeiros cujo valor depende do preço do petróleo), porque 2025 mostrou como o preço pode mudar rápido. Comprar opções de compra (calls, um contrato que dá o direito de comprar a um preço definido) com prazo longo, ou montar um bull call spread (estratégia com duas opções de compra: compra uma e vende outra, para reduzir custo e limitar ganhos), em WTI ou ETFs relacionados (fundos negociados em bolsa que acompanham um índice ou ativo) é uma forma de buscar uma possível disparada com risco limitado. O índice de volatilidade do petróleo da CBOE, o OVX (um indicador que estima o “medo” do mercado medindo o preço das opções), por volta da faixa de 30 e poucos pontos, mostra essa preocupação, deixando as opções mais caras. Para quem vê as tensões atuais como só discurso, vender put spreads de crédito fora do dinheiro (estratégia com opções de venda em que se recebe um valor agora apostando que o preço não vai cair muito; “fora do dinheiro” significa que a opção ainda não teria valor se fosse exercida) pode ser uma forma de receber prêmio (o valor pago/recebido na opção), apostando que níveis de suporte (regiões de preço onde costuma aparecer compra) vão segurar. Porém, a lição de 2025, com ataques repentinos de mísseis em Israel, é que manchetes podem mudar de forma brusca, sem aviso. Por isso, somos cautelosos em assumir risco sem limite neste mercado.
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