Como o Fed usa os juros
Quando a inflação fica acima de 2%, o Fed pode subir os juros, o que aumenta o custo do crédito (fica mais caro pegar empréstimos e financiar) e pode fortalecer o dólar. Quando a inflação fica abaixo de 2% ou o desemprego está alto, o Fed pode cortar os juros para incentivar o crédito, o que pode enfraquecer o dólar. O Fed faz oito reuniões de política por ano, comandadas pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, grupo que decide os juros). O FOMC tem 12 autoridades: sete diretores, o presidente do Fed de Nova York e quatro presidentes de bancos regionais, com mandatos rotativos de um ano. Em crises ou quando a inflação está muito baixa, o Fed pode usar Afrouxamento Quantitativo (QE, quando o banco central compra títulos de alta qualidade para colocar mais dinheiro no sistema e reduzir os juros de longo prazo), o que normalmente enfraquece o dólar. O Aperto Quantitativo (QT, o oposto do QE: reduzir essas compras e/ou enxugar esse dinheiro), costuma apoiar o dólar. Choques nos preços de energia estão criando um grande problema para o Fed, com risco de inflação mais alta e um mercado de trabalho mais fraco. Isso é ruim porque não existe uma estratégia óbvia para como a política monetária (decisões do banco central sobre juros e liquidez para influenciar a economia) deve reagir. Isso deixa a próxima decisão sobre juros muito incerta. Isso apareceu no mercado: tensões geopolíticas recentes fizeram o petróleo WTI (um tipo de petróleo usado como referência de preço) subir mais de 15% no último mês, para perto de US$ 95 por barril. Isso influenciou o relatório de fevereiro de 2026 do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, indicador de inflação ao consumidor), que mostrou inflação em 3,8%. Isso torna o desafio do Fed bem concreto nas próximas semanas.O que isso significa para os mercados
Por causa disso, é preciso ver mais melhora na inflação antes de esperar cortes de juros neste ano. As expectativas do mercado para um corte até junho caíram para menos de 20%, contra mais de 70% um mês atrás, segundo dados do CME FedWatch (ferramenta que estima a probabilidade de decisões do Fed com base nos preços de contratos futuros). Isso indica que traders (participantes do mercado que compram e vendem ativos com frequência) agora apostam em juros altos por mais tempo. Para traders de derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros), esse cenário sugere força contínua do dólar. O Índice do Dólar, perto de 99,23, tende a ser sustentado porque a expectativa de corte de juros está sendo adiada. Alguns podem olhar opções de compra (call, contrato que ganha valor se o preço subir) em ETFs que acompanham o dólar (fundos negociados em bolsa) para tentar ganhar com uma possível alta acima de 100. O ponto principal dessa incerteza é a chance maior de volatilidade (oscilações fortes de preço). O caminho pouco claro do Fed deve trazer reações bruscas a novos dados econômicos. Estratégias que ganham com grandes oscilações, como comprar opções de venda (put, ganha valor se o preço cair) ou opções de compra (call) em índices importantes, podem funcionar melhor do que apostar só em uma direção.
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