Fatores que movem o mercado de ouro
Essas notícias pressionaram o preço do petróleo e reduziram o medo de inflação no curto prazo, apoiando a procura por ouro, que não paga juros (ou seja, não gera “rendimento” como títulos). A recuperação do ouro veio após subir a partir da SMA de 200 dias (média móvel simples de 200 dias, um indicador técnico que suaviza o preço para indicar tendência) perto de US$ 4.100, descrito como a mínima de quatro meses. Ao mesmo tempo, os combates continuaram, com ataques de Israel, lançamentos de mísseis do Irã e interceptações repetidas de drones e mísseis em países do Golfo, além de intensificação dos confrontos no Líbano e no Iraque. O governo Trump enviou milhares de soldados da 82ª Divisão Aeroterrestre do Exército dos EUA para o Oriente Médio. O mercado praticamente descartou novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e aumentou as apostas em uma alta de juros até o fim do ano, o que fortalece o dólar. Na análise técnica, o ouro encontrou resistência perto do nível de 38,2% de retração de Fibonacci (ferramenta que marca possíveis níveis de “freio” em correções de preço). Um rompimento acima de US$ 4.600 mira US$ 4.637 e a faixa de US$ 4.750, enquanto os suportes (regiões onde o preço tende a “segurar”) estão em US$ 4.470 e US$ 4.401, depois entre US$ 4.250 e US$ 4.300.Estratégias com opções para volatilidade
Para quem espera alta, é melhor cautela até o ouro superar a resistência de US$ 4.600. Em vez de comprar futuros diretamente (contratos para comprar/vender no futuro), usar bull call spread (estratégia com opções de compra: compra uma call e vende outra com preço-alvo mais alto para reduzir custo e limitar risco) permite participar de uma possível alta até a região de US$ 4.750, com risco definido e limitado. Isso protege o capital caso a diplomacia falhe e a leitura de “Fed mais duro” volte a dominar o mercado (postura hawkish: tendência de defender juros mais altos para conter a inflação). O dólar mais forte, impulsionado pela expectativa de alta de juros do Fed, continua sendo um grande obstáculo para o ouro. A ferramenta CME FedWatch (indicador que estima probabilidades de decisões de juros com base em preços de contratos futuros) agora aponta que o mercado vê quase 70% de chance de alta de juros até o fim do ano, bem diferente do sentimento de poucos meses atrás. Esse movimento hawkish sustenta o dólar e tende a limitar uma grande alta do ouro, a menos que haja uma nova piora geopolítica. Os traders também devem se preparar para uma quebra nas negociações, o que pode levar o ouro a testar suportes importantes. Comprar puts (opções de venda, que ganham valor quando o preço cai) ou montar bear put spread (estratégia com puts: compra uma put e vende outra em um nível mais baixo para reduzir custo e limitar risco) pode servir como proteção para posições compradas, especialmente se o preço romper abaixo do suporte crítico em US$ 4.401. Os relatos de mais envio de tropas dos EUA e a continuidade de mísseis lançados anteriormente indicam que a situação segue muito instável. O impacto do conflito no petróleo adiciona complexidade, porque mexe diretamente com a expectativa de inflação. Uma interrupção no Estreito de Ormuz pode causar um salto no preço do petróleo, parecido com o que ocorreu após a invasão da Ucrânia em 2022, quando o Brent (tipo de petróleo usado como referência mundial de preços) subiu mais de 30% em duas semanas. Isso pode forçar bancos centrais a considerar juros ainda mais altos, criando mais forças “puxando” o mercado de ouro em direções diferentes.
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