Dados de inflação pressionam o ouro
O **Índice de Preços ao Produtor (PPI)** (inflação medida no nível do produtor, antes de chegar ao consumidor) de fevereiro veio acima do esperado, com o PPI em 3,4% na comparação anual, contra 2,9% em janeiro. O **PPI núcleo (core)** (medida que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, para mostrar a tendência) subiu de 3,5% para 3,9% na comparação anual, e o mercado de **swaps** (contratos financeiros usados para apostar/proteger contra mudanças de juros) passou a precificar 18,5 **pontos-base** de afrouxamento até o fim de 2026 (ponto-base = 0,01 ponto percentual). Os **pedidos à indústria (Factory Orders)** em janeiro subiram 0,1% no mês, após uma queda revisada de -0,4% antes. O mercado está focado na decisão do **Federal Reserve (Fed)** (banco central dos EUA), nas projeções atualizadas, no **dot-plot** (gráfico que mostra onde cada dirigente do Fed vê os juros no futuro) e na coletiva de Jerome Powell. No lado técnico, a quebra abaixo de US$ 4.900 aumenta a atenção para US$ 4.800, enquanto resistências incluem US$ 4.961, US$ 5.000, US$ 5.100 e US$ 5.238. O **Índice de Força Relativa (RSI)** (indicador que mede se o preço pode estar “sobrevendido” ou “sobrecomprado”) entrou mais fundo em área de sobrevenda. Bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, em 2022.Posicionamento antes da decisão do Fed
A queda abaixo da média móvel de 50 dias e do nível de US$ 4.900 é um sinal negativo importante. O movimento vem de um dólar mais forte, apoiado por inflação acima do esperado e novas tensões geopolíticas. Para quem opera **derivativos** (contratos cujo valor depende de um ativo, como opções e futuros), isso pode indicar mudança de tendência no curto prazo. O PPI em 3,4% fez o mercado repensar cortes de juros do Fed neste ano. Um cenário de juros **“altos por mais tempo”** tende a fortalecer o dólar e a prejudicar ativos que não pagam juros, como o ouro. O conflito no Oriente Médio também elevou o WTI acima de US$ 96. Choques geopolíticos podem mexer rápido com energia e aumentar a inflação, o que dificulta o trabalho do Fed e favorece uma postura mais dura com juros. Com a incerteza antes do anúncio do Fed, é provável maior **volatilidade** (variação rápida e forte de preços). Uma alternativa é comprar **opções de venda (put)** (contratos que ganham valor quando o preço cai) em futuros de ouro ou em **ETFs** (fundos negociados em bolsa) relacionados, mirando uma possível queda até o suporte de US$ 4.800. O **VIX** (índice que mede a volatilidade esperada do S&P 500, chamado “índice do medo”) pode subir, o que favorece estratégias que ganham com aumento de volatilidade. A atenção agora está no dot-plot do Fed para projeções de juros. Se dirigentes sinalizarem menos cortes, isso pode aumentar vendas no ouro. Assim, manter uma visão cautelosa ou negativa para o metal parece prudente nas próximas semanas.
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