Implicações de política para o 2º trimestre
A inflação de 3,4% em março, acima do esperado, foi uma surpresa relevante. Isso coloca em dúvida a visão do mercado de que o Banco Central da República Argentina (BCRA, o banco central do país) poderia continuar com cortes fortes de juros, depois que a taxa básica caiu para 45% no mês passado. Agora, o rumo da política monetária (decisões sobre juros e dinheiro na economia) no segundo trimestre fica menos claro. Vemos pressão imediata sobre o peso, que vinha estável perto de 1.250 por dólar no mercado paralelo (câmbio fora do mercado oficial). Fazer proteção (hedge, usar operações para reduzir perdas) ou apostar na queda do peso usando NDFs (non-deliverable forwards, um “contrato de dólar futuro” que é liquidado em dinheiro, sem entrega da moeda) para os próximos meses passa a parecer mais interessante. Uma alta acima de 1.300 nas próximas semanas agora é mais provável, já que a inflação está resistente (demora a cair). O mercado vinha colocando no preço pelo menos mais 400 pontos-base de cortes (pontos-base são frações de juros; 100 pontos-base = 1 ponto percentual) do BCRA até julho. Agora, faz sentido se preparar para uma pausa, usando swaps de taxa de juros (contratos para trocar uma taxa por outra) para pagar taxa fixa (manter uma taxa definida). Isso protege contra o risco de as taxas variáveis (que mudam ao longo do tempo) não caírem como se esperava. Esses dados aumentam a incerteza, o que favorece comprar volatilidade (volatilidade é o tamanho das oscilações de preço). A volatilidade implícita (estimativa do mercado para oscilações futuras, embutida no preço) nas opções do índice Merval (principal índice da bolsa argentina) e em ADRs (recibos negociados nos EUA que representam ações estrangeiras) provavelmente estava baixa demais com a calmaria recente. Há valor em estruturas como straddles comprados (estratégia com compra de opção de compra e de venda no mesmo preço e vencimento) para ganhar com um movimento maior do que o esperado, conforme governo e banco central respondem.Contexto histórico e sensibilidade do mercado
Olhando para trás, lembramos das reações fortes do mercado no início do processo de desinflação em 2025 (desinflação é quando a inflação ainda existe, mas desacelera). Embora 3,4% ao mês seja uma melhora grande em relação aos números de dois dígitos daquela época, isso mostra que a parte final dessa luta é a mais difícil. A sensibilidade do mercado a surpresas de alta continua elevada.
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