O BNY iFlow sinaliza um encolhimento das posições de *carry* na América Latina, à medida que a postura da Fed reforça a preferência pelo dólar

by VT Markets
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Jun 11, 2026

O indicador iFlow Carry do BNY mostra que as posições em moedas latino-americanas de elevada rendibilidade estão a diminuir, à medida que os mercados reprecificam para um novo enquadramento da Reserva Federal, sendo o ajustamento descrito como uma redução gradual e não como uma liquidação em massa. A transmissão das taxas da Fed para a região é caracterizada como rápida, enquanto os desenvolvimentos políticos também estão a influenciar os fluxos em ambos os sentidos. Com a preferência elevada pelo dólar no curto prazo em foco, espera-se que as decisões de taxas no Peru, no Chile e no Brasil, ao longo da próxima semana de negociação, evitem grandes surpresas; ainda assim, a região mantém-se exposta a alterações nas condições globais de financiamento.

O suporte vem de um choque mais favorável nos termos de troca, com Brasil e Chile apontados como beneficiários, uma vez que os valores das exportações subiram para máximos de vários anos devido ao conflito e a outros fatores estruturais. Estes fluxos naturais ligados às exportações são apresentados como um contrapeso à crescente preferência global pelo dólar, embora as taxas reais possam ter de se ajustar à medida que a dinâmica da Fed evolui. A procura de liquidez em dólares também é associada ao financiamento de vendas de ações e a ofertas no mercado norte-americano, enquanto as coberturas cambiais (hedges) transfronteiriças em dólares desfizeram totalmente o anterior excesso de posições curtas acumuladas antes do conflito; as yields e a orientação de política são retratadas como suficientes sobretudo para limitar uma liquidação em grande escala.

Fluxos de exportação amortecem a descida das posições em moedas de elevada rendibilidade

Observamos uma redução das posições em moedas de elevada rendibilidade, como o real brasileiro e o peso chileno, à medida que a Reserva Federal mantém uma orientação de política firme. No entanto, entendemos que, por agora, se trata de uma redução gradual e não de uma venda em pânico em larga escala. O ponto central é que as fortes exportações de matérias-primas estão a oferecer uma almofada face ao aumento da preferência pelo dólar norte-americano.

O excedente comercial do Brasil, por exemplo, atingiu um recorde em maio de 2026, impulsionado por vendas robustas de minério de ferro e produtos agrícolas, gerando procura “natural” pelo real. De forma semelhante, o facto de o preço do cobre se manter acima de 10.500 dólares por tonelada tem impedido que o peso chileno caia tanto como outras moedas de mercados emergentes. Estes fluxos expressivos de exportações estão a ajudar a absorver parte da pressão vendedora resultante do desfazer de estratégias de carry trade.

As yields atuais deverão ser apenas suficientes para impedir uma liquidação massiva das posições existentes, não para atrair novo capital. Assim, estamos a avaliar opções para negociar a volatilidade esperada em torno das próximas reuniões de bancos centrais, particularmente no Brasil. Um comunicado menos “hawkish” do que o esperado poderá desencadear um movimento acentuado de subida em USD/BRL.

Proteger posições num contexto de mudança na dinâmica da Fed

Para quem ainda mantém posições long em moedas como o peso mexicano ou o real brasileiro, este é o momento de considerar proteção contra quedas. A compra de opções de venda (puts) sobre estas moedas pode ser uma cobertura prudente contra uma redução das posições de carry mais rápida do que o antecipado. Recordamos, do ciclo de aperto de 2022-2023, quão rapidamente o sentimento pode virar contra os mercados emergentes quando a Fed se mantém agressiva.

O verdadeiro teste, daqui para a frente, será perceber se os bancos centrais da região sinalizam disponibilidade para manter taxas de juro reais suficientemente elevadas para competir com os EUA. Estaremos atentos a qualquer linguagem que sugira subidas de taxas mais agressivas para atrair novos fluxos de entrada, o que seria o nosso sinal para reavaliar posições baixistas de curto prazo. Sem isso, o caminho de menor resistência para estas moedas deverá ser uma depreciação gradual face ao dólar.

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