O nowcast do PIB do DBS Group Research indica que o crescimento real do PIB da Índia poderá abrandar no início de 2026, após uma segunda metade do AF26 mais robusta, à medida que uma atividade industrial mais fraca, o comércio e a despesa pública penalizam a dinâmica no 1T e 2T. O enquadramento é apresentado como uma estimativa do crescimento real do PIB para o trimestre corrente, usando dados económicos disponíveis em conjunto com previsões, e aponta para um abrandamento do crescimento em 2026 no conjunto do ano face a 2025.
A série do PIB revista e rebaseada mostra que a atividade recuperou modestamente na segunda metade do AF26, ainda que com uma desaceleração do ritmo. O PIB real cresceu 7,8% em termos homólogos em out.–dez. de 2025 (3T AF26), abaixo de 8,4% em jul.–set. de 2025, com a racionalização dos impostos indiretos e a procura associada ao período festivo a darem suporte, a par de um investimento mais firme e de melhores resultados no setor agrícola rural. As atenções viram-se agora para o 1T26 (4T AF26), com divulgação prevista ainda este mês, com o modelo a projetar um crescimento de 7,2% no 1T e de 6,9% no 2T.
Perspetiva de mercado e posicionamento defensivo
Tendo em conta a perspetiva de abrandamento do crescimento na primeira metade de 2026, acreditamos que a dinâmica ascendente do mercado deverá enfrentar ventos contrários. A moderação prevista para 7,2% e depois 6,9% sugere que a taxa de crescimento máxima já ficou para trás. Isto exige uma mudança de estratégia, de uma postura francamente otimista para uma abordagem mais cautelosa e defensiva.
Já estamos a ver confirmação desta tendência em indicadores de alta frequência. Por exemplo, o PMI Industrial (Manufacturing) da HSBC para a Índia, relativo a maio de 2026, caiu para um mínimo de três meses de 57,5, sinalizando uma ligeira perda de fôlego no setor industrial. Isto, combinado com uma contração recente nas exportações de mercadorias, reforça a visão de que a atividade económica está a arrefecer.
Estratégias de cobertura e considerações setoriais
Nas próximas semanas, deveremos ponderar a compra de opções put fora-do-dinheiro (out-of-the-money) sobre o índice Nifty 50. Trata-se de uma forma custo-eficiente de cobrir as nossas posições longas e beneficiar de uma potencial correção do mercado. A maior incerteza também deverá começar a fazer subir a volatilidade implícita, tornando estas opções mais valiosas.
Em alternativa, para quem detém uma carteira de ações, a venda de calls cobertas (covered calls) é uma estratégia prudente. Esta abordagem permite gerar rendimento através de prémios, enquanto o mercado poderá evoluir lateralmente ou deslizar em baixa. É uma forma de menor risco de capitalizar num mercado que já não apresenta movimentos de subida fortes.
Estamos também a acompanhar de perto qualquer alteração de tom por parte do Reserve Bank of India. Historicamente, um abrandamento deste tipo, semelhante ao observado após o ciclo de aperto de 2023, acaba por levar o banco central a pivotar para uma postura mais acomodatícia. Qualquer sinal de um futuro corte de taxas poderá criar oportunidades em futuros de taxas de juro.
Considerando que o abrandamento também é impulsionado por menor despesa pública, antecipamos fragilidade em setores fortemente dependentes de contratos públicos, como infraestruturas e bens de capital. Assim, deveremos ponderar a utilização de futuros sobre ações para iniciar posições curtas em empresas específicas destes setores que pareçam sobreavaliadas. Isto permite-nos direcionar a fragilidade de forma mais direta, em vez de apostar apenas no índice mais amplo.
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