Os mercados estão posicionados para uma subida de taxas pelo BCE na reunião de 11 de Junho, com a atenção a deslocar-se para a orientação futura (forward guidance) para o euro. Comentários da membro da Comissão Executiva, Isabel Schnabel, indicaram que o BCE estará menos disposto a “ignorar” o choque energético, ao mesmo tempo que referiu o aumento dos riscos de as expectativas de inflação se desancorarem. Em separado, declarações da presidente Lagarde na Ásia centraram-se na credibilidade e na ação, reforçando o foco na comunicação de política monetária para lá do movimento de curto prazo.
No calendário do G10, nove bancos centrais reúnem-se este mês, sendo o RBNZ o único que não está agendado. Na curva de preços implícitos via OIS, o BCE e o BoJ surgem como os dois mais propensos a agir, mesmo com a incerteza associada ao conflito no Médio Oriente a persistir. Dados recentes de inflação apontam para uma subida da leitura anual do IPC da zona euro, a divulgar amanhã, com expectativas de 3,2% face a 3,0%, em linha com a estimativa da MUFG. A decisão antecipada é descrita como estando praticamente refletida nos preços, colocando a tónica em saber se a orientação futura deixa margem para uma nova subida.
Expectativas de subida de taxas do BCE e preços de mercado
Vemos muito poucas dúvidas de que o Banco Central Europeu irá aumentar a sua taxa de juro de referência na reunião de 11 de Junho. Declarações recentes de membros do Conselho, como Isabel Schnabel, sinalizam uma preocupação crescente de que as expectativas de inflação estejam a desancorar. Isto ecoa o tom duro que ouvimos da presidente Lagarde, que sublinhou que a credibilidade tem de ser conquistada com ação.
Os dados mais recentes de inflação tornam esta ação quase certa, com a estimativa rápida de maio de 2026 a mostrar o IPC da zona euro a subir para 2,9% face a 2,7% em abril. Esta inflação persistente ocorre mesmo com o abrandamento da economia, com o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 a fixar-se em uns fracos 0,2%. Isto coloca o BCE numa posição difícil, mas acreditamos que irá optar por combater primeiro a inflação.
A própria subida de taxas está agora, em larga medida, incorporada nos preços de mercado, com os overnight index swaps a implicarem uma probabilidade de 85% de um aumento de 25 pontos base. Por isso, o fator-chave para a direção do euro será a orientação futura fornecida durante a conferência de imprensa. Estaremos atentos a quaisquer sinais sobre a possibilidade de outra subida em julho ou setembro.
Volatilidade de mercado e estratégias de negociação em torno da orientação futura
Dado que a subida é esperada, antecipamos um pico de volatilidade em torno da orientação futura, e não tanto da decisão em si. Os operadores de derivados deverão considerar estratégias que beneficiem deste potencial movimento de preços, como straddles de curto prazo no EUR/USD. Isto permite apostar num movimento forte em qualquer direção quando a trajetória futura do BCE ficar mais clara.
Já vimos este “guião” durante o ciclo agressivo de subidas de 2022-2023, em que o BCE atuou de forma decisiva para controlar a inflação. Se a orientação futura for hawkish, sugerindo que vêm aí mais subidas de taxas, é provável que o euro se fortaleça. Isto poderá tornar posições long em euro contra moedas com bancos centrais mais dovish numa carry trade atrativa.
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